Tecnologia nacional em prol do peixe-boi

Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA) testa equipamento fabricado no País para monitorar animais marinhos

Estudos ajudam a entender o sucesso de mulheres líderes de empresas em relação aos homens Estudos ajudam a entender o sucesso de mulheres líderes de empresas em relação aos homens  - Foto: Lehi Henri / Arte FolhaPE

Os peixes-bois marinhos que ainda restam correm o mesmo perigo de um dia desaparecer como outros animais que configuram na lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção. Distribuídos no litoral nordestino, dependem do acompanhamento de biólogos e médicos veterinários que se dedicam ao trabalho de conservação e reintrodução desses espécimes.

Para isso, dependem de equipamentos de alta tecnologia como auxílio para monitorar o comportamento e a distribuição geográfica deles. O problema é o alto custo desses equipamentos, até então importados. Devido a isso, a Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA), junto a outras instituições, tem dedicado os últimos seis anos em busca de alternativas tecnológicas de baixo custo para essa atividade.

Em fase de teste há dois meses, o peixe-boi fêmea Mel foi o único mamífero até o momento a receber o equipamento. E eis que a novidade já vem surtindo efeito: os sinais transmitidos via satélite têm repassado com precisão as coordenadas geográficas por onde ela está presente. Por enquanto Mel mergulha nas águas de Barra do Mamanguape, litoral norte paraibano.

À frente do projeto, o diretor-presidente da FMA, João Carlos Borges, já pretende fazer a marcação esta semana em mais três peixes-bois. Também em Barra de Mamanguape, passarão a ser monitoradas as fêmeas Zelinha e Tita. Já em Cabedelo, também na Paraíba, será o macho Puã.

“Ver que a experiência está sendo exitosa só mostra que estamos no caminho certo. Estamos desenvolvendo um material de baixo custo, pioneiro e de boa qualidade. Só vai nos ajudar a fortalecer ainda mais as políticas de conservação dos peixes-bois marinhos”, comemora.

 Os dispositivos, que seguem os moldes de um GPS, eram importados dos EUA e cada equipamento chegava a custar, por animal, em torno de R$ 15 mil. Com a nova tecnologia, o valor chega a ser três vezes menor. “Sem falar que, ao ser fabricado aqui, não teremos mais que enfrentar as inúmeras dificuldades para adquirir esses materiais por conta dos trâmites do processo de importação”, ressalta Borges.

Além do sistema satelital em teste, também está em desenvolvimento o modelo convencional (VHF), que irá auxiliar os técnicos da FMA no monitoramento em campo. “O que vai possibilitar ao pesquisador, por meio de sinais sonoros que chegarão ao rádio receptor, localizar o animal para estudo ou recuperar os transmissores para manutenção ou reparo”, explica.

O equipamento, detalha Borges, funciona como uma espécie de cinto que é colocado na base da cauda do peixe-boi. Nesse cinto fica acoplado um rádio que transmite, via satélite, a posição geográfica do animal, cujo acompanhamento é feito por meio de computadores.

“Eles sempre estão migrando. Inclusive, alguns, que foram introduzidos em Porto de Pedras, em Alagoas, vieram a Pernambuco, como Quitéria, Lua, Natália e Clara. Então é importante que saibamos por onde estão para ter uma maior clareza sobre sua adaptação ao ambiente”, afirma o gestor.

Primeira introdução
Em 1994, buscando ampliar esforços em prol da conservação dos peixes-bois marinhos, a FMA, em conjunto com o Centro Peixe-Boi (atual Centro Mamíferos Aquáticos), realizou a primeira reintrodução da espécie no País. Inúmeros filhotes resgatados e reabilitados foram soltos de Alagoas à Paraíba. Com sede no bairro de Casa Forte, no Recife, a organização sem fins lucrativos há 27 anos tem seu trabalho voltado à conservação de mamíferos aquáticos.

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