Temer, agora, terá que mostrar serviço

Michel Temer, a partir de hoje, tem base parlamentar suficiente para recolocar o Brasil nos trilhos

Filme "Personal Shopper "Filme "Personal Shopper " - Foto: Divulgação

O simples afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República não vai melhorar de imediato a situação do país. Pode até piorar se Michel Temer não der respostas rápidas aos seus principais problemas - a recessão e o desemprego. Itamar Franco, quando sucedeu Collor em 1992, teve a sabedoria política de convidar FHC para a pasta da Fazenda, ele recrutou os economistas que conceberam o Plano Real e os graves problemas da época foram superados: a inflação galopante e instabilidade monetária. Michel Temer, ainda como presidente interino, teve a clarividência de pôr Henrique Meirelles à frente dessa pasta, cujo ocupante só tem uma desvantagem em relação a FHC: não é político e nunca foi congressista. A partir de hoje, no entanto, como sucessor constitucional de Dilma, o ex-vice tem base política de sobra para recolocar o Brasil nos trilhos. Só não pode é demorar muito para não deixar o “Fora, Temer” prosperar.

Negociação sem cargos

Quando de sua última passagem pelo Recife, o ex-senador Pedro Simon fez questão de lembrar que Itamar Franco, quando assumiu o governo em 1992 em decorrência da queda de Collor, obteve apoio no Congresso para aprovar o Plano Real sem oferecer um único cargo em troca. Já Temer não pode dizer a mesma coisa, haja vista o assédio que sofreu de senadores nos últimos 15 dias por cargos no governo.

O troco > Políticos pernambucanos que conhecem razoavelmente bem a “alma” de Dilma não têm dúvida de que ela caiu porque nunca deu bolas para o Congresso e sempre tratou com grosseria os seus aliados. Se tivesse sido carinhosa com os congressistas como Lula sempre foi, provavelmente teria escapado.

História > Agosto já estava na história do Brasil por ter sido o mês do suicídio de Getúlio, a renúncia de Jânio e a morte de JK, Arraes e Eduardo Campos. Agora é também o mês da queda de Dilma.

Grandeza > O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) não comemorou com palmas, como fez Ronaldo Caiado (DEM-GO), o impeachment de Dilma. Votou a favor, mas a queda dela não o deixou feliz.

2º turno > Por conhecer Olinda como a palma da mão, Izabel Urquiza (PSDB) está convencida de que só 4 candidatos podem chegar ao 2º turno: ela, Luciana Santos, Professor Lupércio e Antonio Campos.

Queixas > O prefeito de Paudalho e candidato à reeleição, José Pereira (PSB), queixa-se muito da “desarrumação política” do governo Paulo Câmara no trato das questões do interior. A queixa é extensiva ao presidente do PSB, Sileno Guedes, “que nunca fez uma reunião com os candidatos a prefeito do partido”.

Espaço > Sempre que o governo Paulo Câmara privilegiar um candidato a prefeito, no interior, em detrimento de outro que também pertença à Frente Popular, o deputado Álvaro Porto (PSD) porá a boca no trombone. Já fez isto em relação a Brejão e a Lajedo, onde cobra neutralidade do governador e dos seus secretários.

Oposição > Dos líderes políticos de Pernambuco, o único que fará oposição ao governo Temer é Humberto Costa (PT). Nem mesmo o senador Armando Monteiro (PTB) ficará contra porque o deputado e seu liderado político, Zeca Cavalcanti (PTB), indicou recentemente o novo ocupante da superintendência regional do Ministério do Trabalho: Geovane Freitas. A pasta é ocupada pelo petebista Ronaldo Nogueira, indicado pela bancada federal.

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