Testemunha conta detalhes do assalto à Brinks

Um dos funcionários do posto de gasolina explodido para abrir acesso à Brinks falou sobre o que aconteceu durante o assalto

Posto teve parede colada com a transportadora explodidaPosto teve parede colada com a transportadora explodida - Foto: Arthur Mota

 

Dias depois do assalto à Brinks, as lembranças permanecem vivas na memória de quem esteve na mira das metralhadoras Kalashnikov usadas pelos bandidos. Uma das cinco pessoas rendidas no posto BR usado como acesso para chegar ao alvo reforçou que a ação demorou longos minutos e que os assaltantes não chegaram todos juntos, de uma única vez, ao local do crime. Em entrevista à Folha de Pernambuco, a testemunha informou que a maioria dos criminosos não falava em português durante a ação.

Revelou, ainda, que um sexto funcionário do posto permaneceu escondido no alojamento local e não foi achado pelos assaltantes em nenhum momento.
“Só ouvi os tiros e minha primeira reação foi me jogar no chão”, disse. “Pouco depois, um assaltante entrou na loja já com um funcionário rendido, gritando para que saíssemos com ele. Quando saí, tinham alguns carros e a rua estava tomada de homens vestidos de preto e com muitas armas grandes. Eles atiravam o tempo todo e eu pensei que iria morrer.”
Questionada sobre o que os homens falavam durante a ação, a vítima disse que era incompreensível. “Não dava para entender. Eles não falavam a nossa língua, era outro idioma. Não estou dizendo isso porque estávamos nervosos na hora e entendemos mal.

 Realmente, eles conversavam entre si em uma língua que nós não entendemos. O único que falava português era aquele que entrou na conveniência mandando a gente sair e, mesmo assim, ele tinha um sotaque diferente”, afirmou. De acordo com a vítima, este homem foi responsável por acalmar os funcionários. “Estávamos muito nervosos, pedíamos para não morrer porque temos família e aí ele nos disse que nada aconteceria com a gente. Ele também disse que seria o nosso ‘anjo da guarda’.”
A vítima ficou sob a mira de armas o tempo todo. Pouco depois que o segundo grupo chegou, no posto, eles receberam a ordem de correr. O depoimento encontra confirmação nas imagens de segurança do posto. “Corremos pela Avenida Tapajós e pulamos o muro de uma casa, onde nos escondemos até o tiroteio, que durou 1h30min, parar.” Além de dois funcionários da conveniência, um frentista, um segurança e um rapaz responsável pelo abastecimento de combustível, todos rendidos pelos assaltantes, um outro frentista estava nos fundos dormindo e não foi encontrado pelos homens em momento algum.

Nenhum dos funcionários que estavam no posto na madrugada do crime, voltou ao trabalho. “Não sei como será a volta, mas estou em pânico. Não consigo nem dormir.”

 

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