Tite x Telê

Vitimado por cartolas mal intencionados e treinadores vinculados ao esquema, o futebol verde-amarelo desabou nos últimos anos.

Mentes SombriasMentes Sombrias - Foto: Divulgação

Além da vitória de goleada do Brasil sobre a Bolívia, o que nos chamou a atenção neste jogo foi a ovação da torcida brasileira ao técnico Tite. Passada a Era Dunga, aluno perfeito do pragmatismo de Carlos Alberto Parreira, os brasileiros vislumbram um reencontro com o futebol que encantou o mundo. Vitimado por cartolas mal intencionados e treinadores vinculados ao esquema, o futebol verde-amarelo desabou nos últimos anos, culminando com a humilhante derrota para a Alemanha.

Pressionado por investigações da Justiça americana, CPIs do Senado e pela opinião pública, Marco Polo del Nero, o dono da bola na CBF, resolveu sacar Dunga para colocar Tite. Não havia outra saída para ele. Ou a Canarinho voltava a ganhar e jogar bem ou ele não sairia do foco dos noticiários esportivos, pendendo para os cadernos policiais.

A Seleção Brasileira, então, sob o comando do gaúcho ensaia uma volta por cima. Três jogos, três vitórias. E o Brasil passou de patinho feio das eliminatórias sul-americanas a candidato a príncipe, encostando na liderança dos uruguaios. Tenho pra mim, que daqui a duas rodadas estaremos no topo.

Mas o que me chama a atenção são as semelhanças de Tite com outro velho conhecido treinador do futebol brasileiro – o mestre Telê Santana, o homem que montou a tão lembrada Seleção Brasileira de 1982, que não foi campeã mundial, mas recuperou o prestígio do futebol nacional, jogando bonito que, num dia fatídico, foi eliminada pela excelente Itália de Enzo Bearzot.

As semelhanças entre o futebol jogado pela iniciante equipe de Tite e a consagrada seleção de Telê aparecem nos detalhes. O sistema de marcação pautado na aproximação em bloco, no fechamento de espaços, na pequena distância entre os três setores do time. Outro aspecto, as triangulações constantes na construção de jogadas. Há sempre um meia próximo a um lateral e um atacante oferecendo-se como opção. Essa fórmula faz com que haja sempre alguém “saindo” para receber a bola.

Mas há diferenças de estilo de comando que pesam a favor do atual treinador. Tite estudou mais do que Telê, é mais hábil na relação com o grupo. Tem administrado com destreza e, por que não dizer, elegância, o “estrelismo” de Neymar. E o jogador do Barcelona tem retribuído a contento. Basta o exemplo de sua atuação ontem.
E é nesse aspecto que podemos enxergar melhores dias para a Seleção, se compararmos com o estilo do mestre Telê. Mais durão, o mineiro tinha pouco jogo de cintura para administrar estrelismos ou jogadores geniosos. Em 1982, cometeu um erro ao não levar o experiente goleiro Leão para a Copa. Pagou caro com Valdir Peres no gol. Em 1986, por não saber administrar o gremista Renato, melhor atacante brasileiro à época, deixou-o de fora do Mundial e, por tabela, perdeu Leandro, o melhor lateral-direito do mundo, que solidarizou-se com o amigo e foi embora, pois também estava na farra com Renato.

E como eles fizeram falta naquele jogo com a França em que o Brasil foi eliminado nos pênaltis. É essa habilidade de Tite no trato com o grupo que nos faz ter esperanças em dias melhores para o futebol brasileiro.

 

 

Veja também

Brasil soma mais 26.979 novos casos e 432 mortes por Covid-19 nas últimas 24h
CORONAVÍRUS

Brasil soma mais 26.979 novos casos e 432 mortes por Covid-19 nas últimas 24h

Jovem de 18 anos é encontrada morta em cisterna de casarão em Jaboatão dos Guararapes, na RMR
Jaboatão

Jovem de 18 anos é encontrada morta em cisterna de casarão