TOC não é brincadeira; saiba onde buscar ajuda para o transtorno

Centro que funciona no Hospital Universitário Oswaldo Cruz atende gratuitamente pessoas com o Transtorno Obsessivo Compulsivo

Há quatro anos, a dona de casa Andrezza Félix, 35, convive com o TOC da comprovaçãoHá quatro anos, a dona de casa Andrezza Félix, 35, convive com o TOC da comprovação - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Perambuco

Quem nunca presenciou alguém fazendo uma brincadeira do tipo "eu tenho TOC", ao ajeitar algo simetricamente? Mas, para quem de fato tem o Transtorno Obsessivo Compulsivo, não é nada engraçado. Trata-se de um transtorno mental que chega a atrapalhar o cotidiano de quem convive com essa doença crônica. No Estado, o Centro de Tratamento do TOC (CTOC-PE) é referência no tratamento gratuito desse tipo de transtorno.

O distúrbio é caracterizado por pensamentos incontroláveis e repetitivos, assim como comportamentos ritualizados tão compulsivos quanto irracionais. Mas, mesmo assim, a pessoa que sofre com o mal não sabe como resistir e se libertar deles. O problema é que, muitas vezes, nem os próprios portadores sabem que sofrem de TOC. O alerta foi trazido por especialistas, durante recente encontro no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), no bairro de Santo Amaro, Centro do Recife.

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De acordo com a psiquiatra e coordenadora do CTOC-PE, Katia Petribu, a maioria das pessoas com o transtorno se enquadra em algumas situações. Entre os principais, ela cita o grupo dos "higiênicos", que têm compulsão por limpeza. Lavam excessivamente as mãos, chegando, inclusive, a tomar banhos demorados várias vezes ao dia. Neste caso, há uma sensação de contaminação. “Também existem os 'verificadores', que checam repetidamente as coisas, se o forno está desligado, se a porta está trancada, entre outras situações", exemplifica. 

Há quatro anos, a dona de casa Andrezza Félix, 35, convive com o TOC da comprovação, considerado um dos mais comuns. Esse distúrbio se caracteriza pela necessidade de a pessoa verificar repetidamente se a porta está fechada, se o forno está apagado, se a tomada está desligada, por exemplo.  Andrezza achava que tudo o que sentia era displicência, até a ver na televisão uma entrevista com um psiquiatra sobre TOC. “A partir disso, comecei a ler mais sobre o assunto. Foi quando passei a entender mais sobre o que eu tinha e comecei a policiar minhas atitudes”, conta, dando um conselho: “TOC é coisa séria e dependendo do quanto ele interfere na vida da pessoa, é preciso buscar ajuda profissional.”

Mas como diferenciar alguém com TOC de quem apenas gosta das coisas devidamente organizadas? De acordo com a psiquiatra, se os rituais começam a tomar tempo, interferem na qualidade de vida, atrapalham a capacidade de estudar e trabalhar ou geram angústia e solidão, é preciso buscar ajuda. "É por isso que, no CTOC, fazemos sempre uma triagem antes do atendimento médico. É para entender em qual tipo de transtorno o paciente se enquadra e o grau da doença."

Apesar de o TOC ser uma doença crônica, o tratamento, explica a especialista, é feito com antidepressivos - às vezes associados à psicoterapia. "O tipo de tratamento vai de caso a caso", ressalta. O CTOC-PE funciona apenas às sextas-feiras, nas dependências do HUOC, a partir das 13h30. Não é preciso agendar.

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