Tombamento do edifício Oceania, em Boa Viagem, é reavaliado

Edifício teve pedido de proteção negado há cerca de dez anos. Decisão por reabertura de processo foi unânime

Edifício Oceania, em Boa Viagem Edifício Oceania, em Boa Viagem  - Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

O edifício Oceania, “personagem” principal do filme Aquarius, de Kléber Mendonça Filho, terá pedido de tombamento reavaliado pela Fundarpe. Localizado na orla do Pina, na Zona Sul do Recife, o prédio é um dos poucos que fogem à lógica da verticalização do novo mercado. O solicitante, o arquiteto Milton Botler, soube nesta quinta-feira (20) da reabertura do processo pela diretora-presidente da Fundação, Márcia Souto. Também - e apenas - de maneira informal, o pedido feito há 16 anos foi negado.

Milton Botler oficiou a Fundarpe para tentar reabrir ou reiniciar o processo motivado pela repercussão de Aquarius, na esperança de um novo Conselho ter, também, uma nova percepção quanto à construção. “O que importa para um tombamento é o valor que a comunidade investe a ele. A percepção da estética da cidade é algo mutável. Meu pedido foi negado por unanimidade. Como fiquei sabendo ‘de boca’, sem nenhum documento oficial, procurei saber se poderia reabri-lo. Agora, foi reaberto por unanimidade. Claro que é preciso levar em consideração que a composição do Conselho mudou. Hoje é eleito, tem mais transparência”, comentou o mestre em desenvolvimento urbano.

Para ele, o trabalho está recomeçando, mas é importante que o tombamento não “congele” o prédio. Permanece possível modificá-lo de acordo com as necessidades cotidianas dos moradores. “Ele é dinâmico. Algumas pessoas fizeram puxadinhos em cima das garagens, por exemplo. Precisamos saber o que é que queremos preservar. A proteção é para que ele continue existindo”, explicou.

Motivos
Arquitetonicamente, o prédio é uma expressão tardia da transição de casas de veraneio para prédios. Por isso, tem um pátio interno, que remete a um quintal, com estacionamentos. Outra particularidade está numa espécie de marquise que ostenta na lateral. O primeiro andar avança por sobre a calçada, característica rara para um edifício fora do Centro. Atualmente, é um dos poucos prédios da orla da Zona Sul da Cidade que não segue ao modo de morar "vertical", com muros altos e portaria.

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