GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

Trégua: Israel diz que 14 reféns serão libertados este sábado em troca de 42 prisioneiros palestinos

Nova rodada de trocas está prevista para acontecer às 11h no horário de Brasília

Cartazes que retratam crianças mantidas reféns pelo grupo palestino Hamas em GazaCartazes que retratam crianças mantidas reféns pelo grupo palestino Hamas em Gaza - Foto: Daniel Leal / AF

Autoridades israelenses anunciaram que 14 reféns sequestrados pelo Hamas na Faixa de Gaza serão libertados neste sábado (25) em troca de 42 prisioneiros palestinos, no segundo dia da trégua temporária acertada na quarta-feira. O acordo prevê a libertação de 50 reféns israelenses e 150 palestinos.

A expectativa é que a troca de hoje ocorra por volta das 16h (11h de Brasília), semelhante à sexta-feira, quando o Hamas libertou 24 prisioneiros, incluindo 10 tailandeses e um cidadão das Filipinas, informou o canal de TV Al-Jazeera.

"Nós contivemos todos os nossos disparos para que essa estrutura de quatro dias continue", disse o porta-voz das Forças Armadas Israelenses, Doron Spielman, em uma coletiva de imprensa.

A trégua parece estar sendo mantida em grande parte de Gaza, de acordo com pessoas que vivem no enclave palestino. No norte de Israel, o exército israelense disse que abateu um míssil terra-ar lançado do Líbano contra uma de suas aeronaves e interceptou outro "alvo aéreo" suspeito que se originou do outro lado da fronteira norte.

Israel tem se envolvido em trocas de tiros regulares através da fronteira libanesa com o Hezbollah, apoiado pelo Irã, há semanas.

Reféns voltam para casa
Foram 49 dias mantidos em cativeiro em algum lugar na Faixa de Gaza para uns, meses ou até anos em prisões israelenses para outros. Na sexta-feira, como resultado de difíceis e demoradas negociações mediadas por Catar, EUA e Egito, o primeiro grupo de 13 reféns de Israel levados para Gaza no devastador ataque do grupo terrorista Hamas ao país, em 7 de outubro, finalmente foi libertado após o início de um cessar-fogo de quatro dias às 7h (2h em Brasília). Dez tailandeses e um filipino sequestrados no mesmo dia também foram soltos. No lado israelense, horas depois, 39 palestinos encarcerados no país ganharam a liberdade.

Os reféns — todos mulheres e crianças — foram entregues à Cruz Vermelha ainda em Gaza e cruzaram a fronteira com o Egito, antes de seguirem para Israel, onde foram submetidos a avaliações médicas e reencontraram suas famílias. Uma nova rodada de trocas está prevista para acontecer neste sábado.

Em comunicado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que "o retorno dos reféns é um dos objetivos da guerra", e que seu governo "continuará comprometido em cumprir todos os objetivos da guerra, incluindo o retorno de todos" que foram sequestrados pelo Hamas.

Em nota, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), informou que iniciou na sexta uma "operação de vários dias para facilitar a libertação e a transferência de reféns mantidos em Gaza e de detidos palestinos para a Cisjordânia", acrescentando que "a operação incluirá a entrega de assistência humanitária adicional e muito necessária para Gaza".

Em declaração à imprensa, o presidente dos EUA, Joe Biden, disse que o acordo que permitiu a libertação foi garantido graças à “intensa diplomacia” do país, que incluiu muitos telefonemas a lideranças regionais. Ele também deixou no ar a possibilidade de uma prorrogação da trégua.

— Hoje estamos agradecidos por ver as famílias se reunirem com seus entes queridos que foram mantidos reféns por quase 50 dias — disse Biden. — O acordo também foi estruturado para permitir uma pausa para a sequência [das libertações]. É nosso objetivo.

Um vídeo do Hamas mostrou o momento em que os reféns são entregues à Cruz Vermelha, ainda em Gaza. Médicos que prestam atendimento aos reféns disseram que eles estão em “boas condições clínicas” e que passariam por uma avaliação física e psicológica.

Os israelenses são uma parte dos 50 reféns que devem ser devolvidos a Israel nos próximos dias a partir da passagem egípcia de Rafah. Em troca, serão libertados 150 presos palestinos, que devem, em sua maioria, ir à Cisjordânia e a Jerusalém, e não Gaza.

O primeiro grupo de palestinos, composto por 39 pessoas, começou a ser libertado das prisões israelenses pouco depois da entrega dos reféns à Cruz Vermelha. Ao longo de todo o dia, houve confrontos entre parentes dos detentos e forças de segurança do lado de fora da prisão de Ofer, de onde saíram 33 deles em comboio rumo às suas casas.

Segundo a agência Wafa, ao menos 31 pessoas ficaram feridas. Em Jerusalém Oriental — de onde foram libertados outros seis prisioneiros de uma prisão local — e em Beitunia houve celebração nas ruas, com direito a fogos de artifício e muitas bandeiras palestinas.

Segundo uma lista preliminar, os palestinos soltos são acusados de diversos tipos de crimes, desde tentativa de assassinato até atirar pedras contra militares israelenses. Antes da libertação, o Hamas reclamou que Israel não teria respeitado os termos do acordo ao incluir pessoas detidas no último ano, em vez de adotar apenas o critério de tempo de cárcere.

Mas a queixa não parece ter afetado o processo. Uma das prisioneiras agora em liberdade, Marah Bakir, estava presa desde 2015, quando tinha 16 anos, e disse à al-Jazeera ter sofrido maus-tratos durante o cárcere. Ela agora está em casa com a família em Jerusalém.

50 dias de guerra: saiba o que é o conflito na voz de suas principais vítimas, os civis

Antes da troca, as Forças Armadas de Israel enfatizaram ontem que a paralisação nos combates é um cessar-fogo, e não o fim da guerra contra o Hamas. Além das cerca de 240 pessoas feitas reféns, o grupo terrorista deixou 1,2 mil mortos, em sua maioria civis, no ataque de 7 de outubro. Do lado palestino, a retaliação israelense já deixou mais de 14 mil mortos até agora.

Na quinta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, afirmou que, assim que a "curta" trégua temporária terminar após permitir a troca de 50 reféns mantidos pelo Hamas por 150 presos palestinos, a campanha militar será retomada "com intensidade" por ao menos mais dois meses.

— O que veremos nos próximos dias é a primeira libertação de reféns. Essa pausa será curta — disse Gallant aos soldados da unidade de comando Shayetet 13 da Marinha. — O que pedimos de vocês nessa pausa é que se organizem, fiquem de prontidão, se rearmem e se preparem para continuar.

O Hamas também fez uma ressalva similar, afirmando que "nossas mãos continuam no gatilho".

O cessar-fogo também permitiu a entrega de mais ajuda humanitária ao território palestino. Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), 137 caminhões com alimentos, água, medicamentos e outros itens essenciais foram descarregados em Gaza ontem, a maior quantidade em um só dia desde o início da guerra. Outros 60 veículos foram liberados para seguir até o território palestino, e deveriam descarregar nas horas seguintes.

O Hamas disse na véspera que 200 caminhões transportando suprimentos de ajuda humanitária e quatro caminhões de combustível entrariam no território todos os dias durante a pausa de quatro dias. As autoridades israelenses não comentaram imediatamente. Antes da guerra, entre 300 e 500 caminhões entravam diariamente em Gaza, segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras — boa parte com ajuda humanitária.

As agências internacionais afirmam que uma pausa de quatro dias é muito pouco tempo para lidar com a terrível situação no enclave, depois que Israel impôs um cerco quase total ao território palestino, restringindo severamente o fornecimento de alimentos, combustível e medicamentos, agravando um cenário que já é considerado catastrófico para seus 2,3 milhões de habitantes.

Muitos palestinos aproveitaram a trégua e rumaram para suas casas no norte, abandonado após um ultimato de Israel. Mas aviões de guerra israelenses sobrevoam a região, lançando panfletos com um aviso: "A guerra ainda não acabou. Regressar ao norte é proibido e muito perigoso!!!". Em terra, pessoas foram alvejadas por desobedecerem. Duas morreram e 11 ficaram feridas.

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