Trimarã raiz, Patoruzú chega à 31ª Refeno de olho no bi

Embarcação pernambucana, atual campeã da competição, surge mais uma vez como favorita à conquista do Fita Azul

O trimmer Igor e o comandante Marinsalta miram conquistaO trimmer Igor e o comandante Marinsalta miram conquista - Foto: Lidiane Mota

As águas pernambucanas aguardam este sábado para recepcionarem a 31ª edição da Regata Internacional Recife-Fernando de Noronha (Refeno). Como não poderia ser diferente, o trimarã Patoruzú é um participante mais do que especial. A embarcação pernambucana é a atual detentora do título da Fita Azul, premiação mais importante da competição, e segue apontada para liderar pela segunda vez consecutiva.

Regalias e estruturas exuberantes não são desfrutadas pelos sete tripulantes do Patoruzú no trajeto de 300 mil milhas náuticas. Diferentemente dos concorrentes, o piloto automático é inexistente e torna-se necessário os turnos de revezamento no controle do leme, regulagens de vela e escoragem do barco. Até mesmo dormir é uma atividade desconhecida para a tripulação nos dias da prova.

Leia também:
[Vídeo] Favorito, pernambucano Patoruzú conquista a Refeno
Sob novo comando, Patoruzu desponta na Refeno

No entanto, o desconforto é compensado pela alta competitividade oferecida. Argentino radicado em Pernambuco, o comandante Higinio Marisalta já apresentava perspectiva vencedora quando viajava em seu catamaran para Fernando de Noronha com a família. Por conta da lentidão, se viu obrigado a construir uma embarcação mais veloz e ágil. Vencer a Refeno e bater de frente com o Ave Rara, tradicional barco com quatro títulos da Fita Azul, eram os maiores catalisadores na busca do objetivo. Foram necessárias 22 idas para Noronha e ultrapassar alguns percalços na caminhada até encontrar a engenharia ideal no Patoruzú.

“É um barco trabalhoso, exige muito trabalho antes. Enquanto todo mundo brinca, toma cerveja, faz churrasco, estamos fazendo manutenção pra que ele consiga terminar a prova. Como ele é espartano, não tem nada de excesso de segurança ou conforto. É tudo extremamente pensado para ele ser rápido”, disse Igor Guimarães, o trimmer (oficialmente responsável pela regulagem das velas) da tripulação.

Enfim, a última edição da Refeno marcou o auge da embarcação. Apesar de quase abandonarem o percurso por problemas estruturais, o comandante Marisalta e companhia tornaram-se campeões com a marca de 25h58min12s, praticamente cinco horas de vantagem em relação ao vice-colocado. A vitória seria ainda mais tranquila caso não houvesse o imprevisto na reta final. “É possível minimizar essas ocorrências. O problema é que existem alguns materiais, por exemplo, o inox, que não avisam quando irão quebrar. Então, se dimensionar errado vai quebrar. É um conjunto de pesos que o barco tem e precisa ficar de olho constantemente neles”, explicou o comandante. O tirante de bombordo, peça que dá sustentação ao casco lateral e causadora da dor de cabeça em 2018, já foi modificada duas vezes de lá pra cá para evitar qualquer novo transtorno.

Formalmente, a tripulação é constituída por cinco pernambucanos, um paraibano e um argentino. Porém, é inegável que o Patoruzú é tomado pelo sentimento pernambucano, inclusive por quem não nasceu no Estado. Há 40 anos em Recife, Marisalta considera que a alegria do título também envolveu retomar o posto de campeão para Pernambuco, que não tinha um representante vencedor desde 2013. “É bom pra mim que o título voltou pra cá, não tenha dúvidas. Se o bicampeonato vier, melhor ainda.”

O favoritismo não é capaz de afastar as ameaças que visam derrubar a defesa do título. Para Igor Guimarães, o Sagma, barco baiano capitaneado pelo pernambucano Luís Moriel, deve ser o maior adversário no trajeto. “O tamanho dele é 50% maior comparado ao Patoruzú. É um barco de um casco só, mas é um grande adversário. Existem outros também, muitos barcos de fora que podem surpreender.” A Fita Azul é novamente o objeto de desejo da tripulação, ainda que seja factível melhorar o tempo de chegada. “O nosso objetivo é a Fita Azul. O tempo é consequência. Claro que a ideia é baixar, mas isso envolve condição de clima, vento e possíveis imprevistos", pontuou.

Veja também

Taxa de contágio do coronavírus volta a subir em Nova York
EUA

Taxa de contágio do coronavírus volta a subir em Nova York

Costureiras do Cabo de Santo Agostinho irão produzir máscaras para a população vulnerável
Cabo de Santo Agostinho

Costureiras do Cabo de Santo Agostinho irão produzir máscaras para a população vulnerável