Opinião

Trinta anos do fim da União Soviética e a relação com a Ucrânia

Mikhail Gorbatchov assumiu a Secretaria do Partido Comunista da União Soviética em 1985. Nascido ainda no período de Josef Stalin, forjado na juventude em uma fazenda coletiva, posteriormente ingressou em uma Universidade Estatal em Moscou, onde estudou Direito. Ainda jovem, integrava o Komsomol, departamento que acolhia a juventude comunista.

De tendência reformista, após a morte de Stalin, em 1953, incorporou-se ao projeto de Nikita Khruschov, assumindo diversos cargos antes de chegar à Secretaria Geral.

Seu período como Secretário do Partido Comunista da União Soviética durou de 11 de março de 1985 a 24 de agosto de 1991. Nesse lapso de tempo teve dois vices: Egon Ligatchov e Vladimir Fvashko.

Boris Yeltsin o sucedeu no período de 10 de julho de 1991 a 31 de dezembro de 1999, como presidente da Rússia seu vice foi Alexandre Rutskoi até 1993.

Daí até o fim, não houve vice.

Esses personagens são figuras exponenciais na transformação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, na tentativa de transformar o regime fechado no sentido de dar transparência pública, a qual denominou glasnost.

Na mesma rota de ampliar a democratização, estabeleceu um modelo político que objetivava descentralizar as decisões econômicas no âmbito do setor produtivo buscando maior eficiência. Era a perestroika. Não obteve êxito.

Foi sucedido por Boris Yeltsin que estabeleceu uma economia contraposta ao modelo socialista. A economia de mercado agora estabelecida, criou uma casta de milionários que passou a controlar a produção e o setor financeiro em proveito próprio, levando à formação de um novo estamento social, conhecido como “oligarquia russa”.

Em 1991, no mês de agosto, Gorbatchov, defensor do aperfeiçoamento do regime, foi vítima de uma tentativa de golpe de Estado quando se encontrava na Crimeia. Boris Yeltsin resistiu e frustrou a tentativa. Daí, apesar de ficar no posto, Gorbatchov não tinha mais o comando. Este estava nas mãos de Yeltsin.

Em 24 de dezembro, os dois líderes, consensualmente, resolveram dissolver a União Soviética, tornando as outras Repúblicas independentes. A Federação Russa teria representação na ONU. No ano 1999 Boris Yeltsin indicaria Vladimir Putin como seu primeiro-ministro, com a intenção anunciada de fazê-lo seu sucessor na Presidência.

Escolheu um autocrata. Ainda em vida divergiu de Putin, juntamente com Gorbatchov, criticando-o e afirmando que “ele estava retornando ao aparato de centralização do poder existente na União Soviética”.
Não à toa, Simon Sebag Montefiori afirma: “A Rússia é um país difícil de governar”. A dinastia dos Romanov durou mais de três séculos, isto é, de 1613 até a Revolução de 1917. Analisando a Rússia a escritora francesa Madame Stael disse: “O governo da Rússia é uma autocracia acompanhada por estrangulamentos”. 

Vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015, Svetlana Aleksiévitch, escritora e jornalista nascida na Ucrânia em 1948 autora da obra premiada “O Fim do Homem Soviético”, nos ensina que o “Homo sovieticus” não é apenas o russo, porém “também o bielorrusso, o ucraniano, o turcomano, o cazaque...” E conclui que todos se confundem sem falar a mesma língua.

O atual conflito Rússia versus Ucrânia intensificou-se após anexação da Criméia pela Rússia em 1914, porém tem raízes fincadas desde o século X. Quem duvidar, é só atentar para os dias atuais.


Procurador de Justiça do Ministério Público de Pernambuco. Diretor Consultivo e Fiscal da Associação do Ministério Público de Pernambuco. Ex- repórter do jornal Correio da Manhã (RJ)


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