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Trump confirma convite a Putin para integrar seu "Conselho de Paz"

Países membros, representados por chefes de Estado ou Governo, podem participar por três anos, ou por um período mais longo caso paguem mais de 1 bilhão de dólares no primeiro ano

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin  - Foto: Brendan Smialowski / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que convidou seu homólogo russo, Vladimir Putin, para se juntar ao seu "Conselho de Paz", uma organização que reivindica a missão de "promover a estabilidade" no mundo.

A Casa Branca convidou diversos líderes mundiais para fazerem parte deste Conselho, presidido pelo próprio Trump, incluindo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney.

Os países membros — representados por seus chefes de Estado ou de Governo — podem participar por três anos, ou por um período mais longo caso paguem mais de 1 bilhão de dólares (5,36 bilhões de reais) em dinheiro no primeiro ano, de acordo com o documento fundador obtido pela AFP na segunda-feira (19).

Questionado na segunda-feira por um repórter na Flórida se havia convidado Putin para se juntar ao Conselho, Trump respondeu: "Sim, ele foi convidado".

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, também foi convidado, mas logo afirmou que achava "muito difícil imaginar" estar lá ao lado de Putin.

A China, que não condenou a invasão russa da Ucrânia, também foi convidada, conforme confirmado pelo seu Ministério das Relações Exteriores, que não especificou sua resposta.

Trump, o "primeiro presidente"
"O Conselho de Paz é uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legítima e garantir a paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos", afirma o preâmbulo de seus "estatutos".

O texto critica "as diversas abordagens para a paz" que "institucionalizam as crises em vez de permitir que as pessoas avancem", em clara alusão às Nações Unidas.

Considera também necessário ter "uma organização internacional de paz mais ágil e eficaz".

Trump será "o primeiro presidente do Conselho de Paz", com amplos poderes, e o único autorizado a convidar países a participar, a seu critério. Ele terá a palavra final nas votações.

Ele também poderá revogar a participação de um país, exceto em caso de veto por dois terços dos Estados-membros.

Além disso, terá "autoridade exclusiva" para "criar, modificar ou dissolver entidades subsidiárias" do Conselho de Paz e será "a autoridade final quanto ao significado, interpretação e aplicação" dos estatutos fundadores.

"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de 1 bilhão de dólares em dinheiro para o Conselho de Paz no primeiro ano de entrada em vigor desta Carta", acrescenta o documento.

Este Conselho foi originalmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas seu estatuto não parece limitar sua função ao território palestino ocupado.

França e Canadá
A reação inicial da França e do Canadá, aliados importantes dos Estados Unidos, foi fria.

"Neste momento, a França não pode aceitar", disse o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, na segunda-feira, durante um debate com parlamentares franceses, observando que os estatutos do Conselho vão além do escopo da reconstrução e governança de Gaza no pós-guerra, que são apoiadas pela ONU.

Ele acrescentou que isso é "incompatível com os compromissos internacionais da França e, em particular, com sua participação nas Nações Unidas".

Na segunda-feira, Trump ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre o vinho e o champanhe franceses para pressionar o país europeu a aderir ao Conselho. O círculo íntimo do presidente Emmanuel Macron rapidamente rejeitou a ameaça como "ineficaz" e "inaceitável".

A França ocupa um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e tem poder de veto.

Da mesma forma, uma fonte de Ottawa afirmou que "o Canadá não pagará por um assento no Conselho, nem foi solicitado a fazê-lo neste momento", depois que o primeiro-ministro indicou que aceitaria um convite para participar.

Paul Williams, professor de Relações Internacionais da Universidade George Washington, lembrou à AFP que a resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada em outubro, que apoia o plano de paz de Trump para Gaza, concedeu ao "Conselho de Paz" autoridade para agir apenas em relação ao território palestino.

Contra as instituições internacionais
A ideia parece contrariar instituições internacionais, como a ONU.

Trump tem criticado regularmente as Nações Unidas e anunciou este mês que seu país se retirará de 66 organizações e tratados internacionais, dos quais aproximadamente metade está ligada à ONU.

Neice Collins, porta-voz do presidente da Assembleia Geral da ONU, disse a jornalistas: "Existe apenas uma organização universal e multilateral para tratar de questões de paz e segurança, e essa é a Organização das Nações Unidas".

O "Conselho de Paz" começou a tomar forma no sábado, com convites estendidos aos líderes de Egito, Turquia, Argentina, Canadá e Brasil para participarem.

Trump também nomeou como membros o secretário de Estado americano, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; seu principal negociador de conflitos, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner.

Israel se opôs à criação de um "conselho executivo para Gaza" que operaria dentro do órgão central.

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