Trump é acusado de irresponsabilidade após sugerir desinfetante contra coronavírus

As declarações de Donald Trump feitas nessa quinta-feira (23) chocaram a comunidade científica e muitos acusaram o presidente americano de ser irresponsável ao fazer essa sugestão 'perigosa'

Donald Trump, presidente dos Estados UnidosDonald Trump, presidente dos Estados Unidos - Foto: Win McNamee/Getty Images North America/AFP

Uma "injeção" de "desinfetante" para combater o coronavírus? As declarações de Donald Trump feitas nessa quinta-feira (23) chocaram a comunidade científica e muitos acusaram o presidente americano de ser irresponsável ao fazer essa sugestão "perigosa".

Referindo-se à apresentação de um estudo do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, segundo o qual a Covid-19 resistiria mal ao calor, à luz e à umidade, o chefe de Estado entendeu que um tratamento poderia ser implementado após estas conclusões.

"Eu vejo que o desinfetante nocauteia (o coronavírus) em um minuto. Um minuto. Existe uma maneira de fazer algo assim com uma injeção interna, ou quase como uma limpeza?", disse Trump na coletiva de imprensa diária sobre a pandemia de coronavírus na Casa Branca.

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"Como vocês podem ver, isso entra nos pulmões e tem um efeito enorme, por isso seria interessante verificar. Teríamos que chamar médicos para isso, mas parece interessante para mim", continuou ele.

Esses comentários provocaram uma onda de protestos entre os cientistas. "A ideia de injetar no corpo ou ingerir qualquer tipo de limpador é irresponsável e perigosa", declarou à emissora NBC o doutor Vin Gupta, especialista pulmonar e em cuidados intensivos.

"É um método comumente usado por pessoas que querem se matar", disse ele. Inúmeros médicos e cientistas também criticaram os comentários de Trump nas redes sociais.

"Da mesma forma, a autoimolação pelo fogo pode ser uma alternativa útil", ironizou o centro de pesquisa francês Marseille Immunopôle, enfatizando que os métodos sugeridos pelo presidente americano "matam o vírus e os pacientes!".

"Pare de transmitir essas coletivas de imprensa sobre o coronavírus. Elas ameaçam a vida. E, por favor, não beba ou injete desinfetante", tuitou Walter Shaub, ex-diretor do escritório federal encarregado das questões éticas (EMB) sob a administração democrata de Barack Obama.

"As conferências de imprensa de Trump são um perigo para a saúde pública. Boicote a propaganda. Ouça os especialistas. E por favor, não beba desinfetante", criticou Robert Reich, ex-secretário do Trabalho do presidente Democrata Bill Clinton.

Além do desinfetante, Donald Trump também falou de "luz ultravioleta", ou "uma luz muito poderosa", que poderia ser projetada "dentro do corpo" para combater o coronavírus.

Nas redes sociais, muitos internautas se divertiram com o óbvio embaraço da Dra. Deborah Birx, membro da célula de crise da Casa Branca sobre o vírus, durante as declarações do presidente.

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