EUA

Trump será intimado a comparecer perante CPI sobre ataque ao Capitólio

Ex-presidente chamou a intimação emitida pela comissão de "fiasco" e questionou por que não havia sido convocado para testemunhar antes

Donald TrumpDonald Trump - Foto: WIN MCNAMEE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

A comissão parlamentar americana que analisa o papel de Donald Trump na invasão ao Capitólio aprovou por unanimidade, nesta quinta-feira (13), intimar o ex-presidente a comparecer perante seus membros, por ser "obrigado a responder por seus atos".

Donald Trump "é a pessoa no centro da história do que aconteceu em 6 de janeiro. Então, queremos ouvi-lo", declarou Bennie Thompson durante uma audiência pública.

"Ele tem que ser responsabilizado. Tem que responder por suas ações", acrescentou.

A comissão planeja "fazer o possível para contar a história mais completa possível e fornecer recomendações para ajudar a garantir que nada como o 6 de janeiro aconteça novamente no futuro", continuou.

Logo em seguida, Trump denunciou intimação emitida pela comissão como um "fiasco" e questionou por que ele não havia sido convocado para testemunhar antes.

"Por que a 'Descomissão' não me pediu para testemunhar meses atrás?", questionou Trump em sua rede social, Truth Social, depois que os legisladores decidiram intimá-lo a depor, em uma aparente tentativa de desqualificar a Comissão Parlamentar encarregada das investigações. "Isso só serviu para dividir ainda mais nosso país", acrescentou.

A missão da CPI, composta por sete democratas e dois republicanos, é lançar luz sobre o comportamento do presidente antes, durante e depois do ataque à sede do Legislativo, em Washington, DC.

Em 6 de janeiro de 2021, apoiadores de Trump invadiram o Capitólio para tentar impedir que os legisladores certificassem a vitória de seu adversário, o democrata Joe Biden, nas eleições presidenciais de novembro de 2020. O magnata continua afirmando, sem provas, que sua vitória foi "roubada".

Antes do anúncio desta quinta-feira, a comissão refez a linha do tempo dos eventos, mostrando que o ex-presidente havia planejado "com bastante antecedência" se declarar vitorioso nas eleições de 2020, antes mesmo da divulgação dos resultados.

A legisladora democrata Zoe Lofgren evocou "um plano premeditado do presidente para declarar sua vitória, qualquer que fosse o resultado real". Seu discurso de vitória "foi planejado com bastante antecedência, antes da contagem dos votos"

"Sua intenção era clara: ignorar o estado de direito e permanecer no poder", comentou o republicano Adam Kinzinger.

"Vamos partir para a violência"
Para respaldar suas declarações, os parlamentares projetaram vídeos do ex-presidente, alguns de seus parentes e ex-funcionários da Casa Branca.

Em imagens gravadas pouco antes da eleição presidencial de 2020 por uma equipe de documentários dinamarquesa, Roger Stone, um aliado de longa data do ex-presidente republicano, pode ser ouvido dizendo que não se importa com a votação.

"Foda-se a votação, vamos partir para a violência", afirmou.

Stone, que não foi denunciado em relação aos acontecimentos de 6 de janeiro, questionou a autenticidade dos vídeos e alegou que eles foram adulterados.

A CPI também reproduziu a gravação de um telefonema de Trump para Brad Raffensperger, secretário de Estado da Geórgia, na qual o ex-presidente diz que "precisa" de cerca de 11.000 cédulas em seu nome, o suficiente para vencer Biden neste estado do sul.

Também revelou elementos das centenas de milhares de páginas fornecidas pelo Serviço Secreto, a força policial de elite responsável pela proteção de altos funcionários do Estado. Os parlamentares buscam entender por que os SMS enviados pelos agentes no dia da invasão foram apagados.

Os documentos confirmam evidências apresentadas em audiências anteriores de que Trump alimentou a fúria de seus apoiadores, embora tenha sido informado sobre o potencial de violência, disse o legislador Adam Schiff.

Desde sua criação, a CPI já interrogou mais de mil testemunhas, incluindo dois filhos de Donald Trump, e passou o pente fino em dezenas de milhares de documentos.

Espera-se que o relatório da investigação seja divulgado no final do ano, mas provavelmente não antes das eleições legislativas de 8 de novembro, que determinarão qual partido controlará o Congresso pelo restante do mandato do presidente Biden.

Os membros do painel sugeriram abertamente que o Secretário de Justiça, Merrick Garland, deveria acusar Trump em relação ao ataque do Capitólio. No entanto, a própria comissão não disse oficialmente se recomendará encaminhamentos à justiça.

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