TSE arquiva ação de Bolsonaro contra Haddad por show de Roger Waters

'Não há prova de conluio', afirmou corregedor da Justiça Eleitoral. Contratos de shows foram fechados no final de 2017

Roger WatersRoger Waters - Foto: Mauro Pimentel / AFP

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) arquivou nesta quinta (13), por unanimidade, uma ação ajuizada pela campanha de Jair Bolsonaro (PSL) contra a chapa de seu adversário, Fernando Haddad (PT), por suposto abuso de poder econômico praticado nos shows do cantor Roger Waters no Brasil, em outubro.

Bolsonaro ajuizou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) para apurar os shows do ex-músico do Pink Floyd no Brasil, sustentando que foi inequívoca "a irresponsável estratégia utilizada pelo marketing petista" na apresentação do cantor, que projetou a hashtag #EleNão no telão.

A campanha do presidente eleito também afirmou ao tribunal que o show foi realizado com dinheiro público, como dissera o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão — informação posteriormente negada pelo próprio ministério.

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"A eficácia de uma mensagem de cunho eleitoral, transmitida em um show artístico, por um artista mundialmente admirado, para um público que equivale à população de cidades e países, é gigantesca, reverbera para além do espaço em que se realizou o show, pois alcança mídia e redes sociais, produzindo poderoso impacto no processo de formação do juízo do eleitor quanto ao pleito presidencial 2018", afirmaram os advogados de Bolsonaro ao TSE.

O corregedor da Justiça Eleitoral, ministro Jorge Mussi, relator da ação, afirmou em seu voto que "não há prova de conluio" entre Haddad, os sócios da T4F, que promoveram os shows, e o cantor — inclusive porque os contratos foram fechados no final de 2017, bem antes da campanha eleitoral.

Mussi também afirmou que ficou comprovado que não houve dinheiro público na turnê. O ministro destacou que Waters vem veiculando, ao longo de toda a sua carreira, suas opiniões contra práticas e políticas que considera fascistas, como é de conhecimento público.

"Inexiste prova que permita atestar que a turnê tenha prejudicado a imagem e a campanha de Jair Bolsonaro", disse Mussi, votando pelo desprovimento da ação e pelo seu arquivamento.

O ministro foi acompanhado pelos outros seis integrantes da corte — Og Fernandes, Admar Gonzaga, Carlos Horbach, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Rosa Weber-, encerrando a ação de investigação.

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