Tubarão que mordeu criança na Praia de Piedade é da espécie cabeça-chata, diz Cemit
A espécie é comum na região, assim como a Tigre, e tem como característica hábitos costeiros, de frequentar águas rasas
A espécie de tubarão-cabeça-chata foi a responsável pelo incidente envolvendo o menino de 11 anos, na Praia de Piedade, nesse domingo (31). Ele sofreu lesões na coxa e na mão, do lado esquerdo do corpo, e está internado no Hospital da Restauração, na área central do Recife.
A informação da espécie foi confirmada pela secretária Executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Danise Alves.
“Ontem, a gente teve acesso às imagens da lesão, e junto com os membros científicos do Cemit, a gente identificou a espécie como tubarão-cabeça-chata. Com base na lesão e no tamanho do arco da mordida, o animal mede, aproximadamente, 2 metros e meio”, afirmou a secretária.
Coletiva sobre o ataque de tubarão na praia de Piedade. Na Imagem: Danise Alves, Secretaria Executiva do CEMIT. Foto: Matheus Ribeiro / Folha de PernambucoA espécie é comum na região, assim como a Tigre, e tem como característica hábitos costeiros, de frequentar águas rasas. O caso desse domingo ocorreu no trecho da Rua Dom Vital.
"O tubarão-cabeça-chata e o tigre são as duas espécies associadas aos incidentes no estado. Essa espécie tubarão-cabeça-chata, especificamente, é muito citada pelos pescadores por usar essa região. No Rio Jaboatão, já existem dados que eles usam aquela região para reprodução", ressaltou a gestora.
Segundo o Cemit, o caso desse domingo é o 83º incidente com tubarão registrado no estado desde 1992. Do total, 69 ocorreram na Região Metropolitana do Recife e 14 em Fernando de Noronha.
O primeiro caso documentado pelo órgão ocorreu na Praia de Piedade, que passa a contabilizar 24 registros, igualando-se à Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
Socorro à vítima
A tenente do Corpo de Bombeiros Paloma Mendes explicou que a corporação chegou rapidamente após ser acionada, encontrou a vítima fora da água e com ferimentos graves.
"A gente fez o atendimento pré-hospitalar, estabilizou os ferimentos dele na areia mesmo. Logo que estabilizou, a gente já fez essa transferência para o Samu, que tem uma unidade avançada e ele foi levado ao Hospital da Aeronáutica, que é o mais próximo, e transferido ao Hospital da Restauração, que é a nossa unidade de referência desse tipo de trauma", explicou Paloma Mendes.
Tenente do Corpo de Bombeiros Paloma Mendes detalha atendimento ao menino vítima de incidente com tubarão | Foto: Matheus Ribeiro/Folha de PernambucoAinda de acordo com a tenente do Corpo de Bombeiros, o menino entrou em choque após o ocorrido. "Foi um ferimento muito grave, foi muita perda de sangue, então ele estava consciente quando saiu da água, mas entrou em choque rapidamente", informou a tenente, explicando que as equipes atuam em postos fixos - na Igrejinha de Piedade e em Barra de Jangada -, e realizam rondas por água e terra em diferentes trechos para minimizar o tempo de resposta em caso de atendimento.
"Com esses incidentes ocorrendo aqui, a gente vai ter que levar para estudo, para poder verificar o que tá acontecendo, estudar junto aos órgãos competentes e verificar a viabilidade de aumentar a proibição [do trecho]", destacou Paloma Mendes.
Trecho não é proibido para banho
A área onde ocorreu o incidente com tubarão está cerca de 1,8 quilômetros de distância do trecho com proibição para banho.
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“O Cemit tem um decreto que proíbe atividades náuticas da Praia do Farol, em Olinda, até o Paiva, no Cabo de Santo Agostinho. Existe um trecho que vai da Igrejinha de Piedade até o Hotel Barramares, que é proibido o banho de mar por decreto municipal”, explicou Danise Alves.
Apesar da área do incidente não ser proibida, há uma placa que indica o perigo de ataque de tubarão.
“O banhista precisa entender que quando existe uma placa, existe um risco, especialmente em áreas onde o mar é aberto, sem proteções e barreiras físicas. A ideia das placas não é só dizer que tem risco, mas quais são”, ressaltou a secretária Executiva do Cemit.
UFRPE vai realizar microchipagem
A universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) venceu o edital de monitoramento de incidentes com tubarões lançado no início deste ano e deve começar a executar ações de microchipagem nos animais a partir deste mês de junho, segundo confirmou Danise Alves.
“Vai começar a ser executado agora em junho. O resultado [do edital] saiu na última semana, a Universidade Federal Rural de Pernambuco venceu a proposta e o professor Paulo Oliveira vai coordenar esse projeto”, informou a secretária.
Ainda de acordo com Danise, as ações possibilitarão entender os padrões de deslocamento dos tubarões.
“Esses animais serão capturados e colocados microchips. Também serão instaladas redes acústicas debaixo d’água, em locais de maior incidência. À medida que os animais forem utilizando essas áreas, esses sinais vão ser captados e estudados via GPS, satélite, para georreferenciamento dos dados e uma noção do mapeamento da distribuição dessas espécies”, explicou Danise.
Placas são alvo de depredação
A secretária executiva do Cemit afirma que das 150 placas instaladas pelo órgão em 2025, somente 90 permanecem ativas ao longo do trecho de atenção. Alguns equipamentos foram alvo de pichação.
"Infelizmente, só 90 delas estão em boas condições de visualização, 40 foram retiradas e outras foram danificadas, pichadas. A gente pede muito à população que respeitem e façam a preservação dessas placas porque elas evitam incidentes", ressaltou a secretária.
Local onde ocorreu incidente com tubarão é sinalizado por placa de perigo | Foto: Matheus Ribeiro/Folha de PernambucoDanise afirma ainda que as placas devem ser repostas, mas ainda não há previsão. "A gente tem esse levantamento através do Corpo de Bombeiros e vão ser estudadas os locais onde elas foram retiradas e repostas", afirmou.
Insistência
Apesar dos alertas e do caso registrado nesse domingo (31), um adolescente foi flagrando pela reportagem, na manhã desta segunda-feira (1º), entrando no mar nas proximidades da área onde o incidente ocorreu.
Mesmo com alertas, adolescente entra no mar nas proximidades do ataque desse domingo (31) | Foto: Isabelle Barbosa/Folha de PernambucoUm guarda-vidas agiu rápido, solicitou que o garoto saísse da água e o orientou. Ao profissional, o adolescente informou não ter conhecimento do ocorrido nas últimas horas.
"Irresponsabilidade"
Mateus Ferreira, de 26 anos, é morador da área e frequenta a orla diariamente para praticar corrida. Na visão dele, a sinalização de alerta na orla é plenamente adequada e suficiente para informar aos banhistas sobre os perigos de entrar na água.
"Eu corro aqui todos os dias, mas não me arrisco a entrar, não. Nunca me arrisquei. Já vi tubarão nadando no raso", afirmou. Na visão do jovem, ignorar os avisos e entrar no mar representa uma atitude irresponsável, especialmente por parte dos pais e responsáveis.
Frequentador da orla, Mateus Ferreira afirma que sinalização na orla é plenamente adequada e suficiente para informar aos banhistas sobre os perigos | Foto: Isabelle Barbosa/Folha de Pernambuco"As placas são mais do que suficientes. Todo mundo sabe que tem ataque de tubarão nessa região e insiste em tomar banho, então é meio que uma irresponsabilidade".

