Tubarões de Noronha serão monitorados

Trabalho envolverá as espécies lixa e limão. Objetivo é mapear as áreas de reprodução dos animais na ilha e ajudar na preservação desses habitats

Tubarão em NoronhaTubarão em Noronha - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

 As áreas costeiras da ilha de Fernando de Noronha onde os tubarões das espécies lixa (Ginglymostoma cirratum) e limão (Negaprion brevirostris) encontram tranquilidade para iniciar o seu ciclo reprodutivo serão mapeadas. Ao catalogar esses pontos, pesquisadores da UFRPE, em parceria com o Museu do Tubarão, vão gerar um mapa indicativo para embasar as ações de proteção desses habitats prioritários.

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A ideia é, com isso, garantir a sobrevivência das espécies, que integram a lista de ameaçadas de extinção, uma vez que a presença de pessoas atraídas pelo ecoturismo inibe a relação sexual desses animais. A proposta, da Fundação Apolônio Sales de Desenvolvimento da UFRPE (Fadurpe), foi uma das 17 iniciativas - três delas para o Nordeste - aprovadas por meio de edital público lançado pela Fundação Grupo Boticário. Os trabalhos receberão um aporte financeiro de R$ 131 mil e terão início em setembro.

O mapeamento, que vai durar dois anos, será feito por meio de sinais sonoros transmitidos aos receptores que serão colocados no entorno das praias de Noronha (ver arte). O coordenador técnico do projeto, o engenheiro de pesca pela UFRPE André Afonso afirma que o mapa será entregue ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão gestor da ilha.

“E esse mapa será uma ferramenta para o ICMBio aprimorar estratégias de conservação que, consequentemente, serão repassadas aos profissionais que trabalham com ecoturismo na ilha. As informações do mapa podem ser repassadas ao turistas por meio de folhetos e durante atividades de educação ambiental”, sugere ele, que também desenvolve pesquisas em relação ao tubarões tigre. Só nos últimos três anos, 40 indivíduos da espécie estão sob monitoramento.

As espécies limão e lixa foram as escolhidas, detalha Afonso, porque a ilha é como se fosse a casa desses tubarões. É lá que eles nascem, crescem e permanecem por toda a fase adulta. Durante o ciclo reprodutivo, é um hábito natural, em ambas as espécies, as fêmeas se agruparem nas águas rasas do arquipélago, em trechos sujeitos à presença de banhistas.

É esse movimento das fêmeas que atrai a atenção dos machos.” Só a presença humana interfere nessa interação. É um momento de ‘paquera’ dessas espécies quando as fêmeas e machos querem copular. Ao ter conhecimento dos locais usados pelos tubarões nesse período, as pessoas passam a respeitá-los. Para preservar é preciso conhecer antes”, contextualiza o pesquisador.

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