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Turista ofende e ameaça trabalhadores após discussão por aluguel de caiaque na praia de Muro Alto

Caso aconteceu na tarde da segunda-feira (3), na cidade de Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco

Turista ofende e agride trabalhadores após discussão por aluguel de caiaque na praia de Muro AltoTurista ofende e agride trabalhadores após discussão por aluguel de caiaque na praia de Muro Alto - Foto: Redes Sociais/Reprodução

Um turista foi filmado em uma confusão na praia de Muro Alto, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco, na tarde da segunda-feira (3). Nas imagens, ele aparece partindo para cima de trabalhadores no local. Em outras gravações, ele ofende o grupo.

Em contato com a reportagem, a advogada da Associação dos Barraqueiros de Porto de Galinhas, Sueyde Rocha, relatou que a confusão não teve relação com qualquer barraca. Tudo começou após o turista se recusar a devolver um caiaque que havia alugado no horário combinado a um trabalhador.

"O rapaz alugou o caiaque para esse turista. Na hora da entrega, ele não sentiu que estava satisfeito com a situação porque, segundo ele, ele não utilizou o tempo que ele alugou porque havia chovido. Mas rapaz disse que o aluguel era por tempo, como 30 minutos ou uma hora. Então, se alugou e terminou o tempo, você devolve o material. E ele não queria devolver o material", explicou.

Ainda de acordo com ela, a partir daí, o turista começou a "ficar realmente agressivo e partir para cima das pessoas", e passou a ameaçar os trabalhadores.

"[Ele] começou a dizer que podia comprar todas as barracas do mundo, e que tinha dinheiro para isso. Pegou garrafa, como aparece no vídeo para quebrar e ameaçando as pessoas ali a cometer agressões, mandando chamar prefeitura, isso e aquilo", completou a advogada.

Nas imagens, é possível ver a confusão escalonando. Em um momento, uma mulher que acompanha o homem chega, inclusive, a gritar "seus nordestinos" contra os trabalhadores e os acusa de serem "mal educados". Logo após isso, o turista parte para cima da pessoa que estava filmando e, após esse conflito, deixa o local para o hotel onde está hospedado.

De acordo com Sueyde Rocha, os trabalhadores envolvidos não chegaram a prestar queixa do caso, mas ela os orientou para que procurassem a polícia. Por conta disso, a corporação ainda não tem registro da ação. O mesmo vale para a prefeitura de Ipojuca, que informou que a Guarda Municipal não foi acionada.

Outro conflito
Com mais um caso envolvendo trabalhadores de Ipojuca e banhistas, a advogada fez um apelo para o bom sendo das pessoas e denunciou que, em 22 de julho, um garçom chegou a ser preso após uma confusão com um turista.

Segundo Sueyde Rocha, o trabalhador foi acusado de extorsão após cobrar o valor do aluguel da mesa e cadeiras acordados previamente com o turista.

"O turista disse que estava cometendo extorsão, fazendo venda casada, fazendo exigência de consumação mínima, o que não é verdade. A acusação é infundada. O que foi cobrado a ele é o que está no cardápio, o que está pactuado. Então, o que o garçom passou para o turista é que ele tinha que pagar o aluguel da mesa e cadeira", explicou.

Ela disse ainda que, após a confusão, o turista denunciou a barraca para a polícia e o garçom foi preso em flagrante. Ele só foi solto no dia seguinte, após audiência de custódia, mas que agora precisará responder ao processo. 

A advogada também alertou para o comportamento dos turistas na cidade, e que precisa haver mais respeito com os trabalhadores. "O turista agora chega aqui e acha que chega no território que é dele. Quer fazer o que ele quer. Ele chega e tira maior onda aqui. Parece que foi dada carta branca pro turista e ele chega aqui fazendo isso. Está difícil demais", afirmou.

Agressão a turistas
Os episódios aconteceram oito meses após o caso de agressão a um casal de turistas de Mato Grosso em Porto de Galinhas. Segundo Johnny Andrade Barbosa e Cleiton Zanatta, a confusão teria começado porque comerciantes da área teriam cobrado um valor acima do combinado anteriormente para ceder cadeiras.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Em vídeo que circulou nas redes sociais, é possível ver uma das vítimas com ferimentos no rosto. Eles classificaram o caso como um "massacre".

“Chegamos à praia e um rapaz foi nos atender, conduzindo a gente até a barraca. Ele ofereceu os serviços por R$ 50, com duas cadeiras e um guarda-sol. Na hora de pagar, ele nos cobrou R$ 80. Falei que não era justo e que pagaria os R$ 50”, iniciou uma das vítimas.

“Ele juntou a cadeira e jogou em mim. Depois, vieram 10, 15 em cima de mim, dando vários pontapés. Não tive reação. Cleiton, meu companheiro, saiu correndo para pedir ajuda porque não tinha policiamento em volta para nos ajudar. O Corpo de Bombeiros estava do lado, mas não fizeram questão de ajudar da maneira correta. Deixaram a gente apanhar e só depois que viram que a gente ia ser linchado (é que reagiram). Foi um crime que fizeram com a gente”, relatou um dos turistas.

Por conta da confusão, que gerou repercussão nacional à época, a prefeitura de Ipojuca publicou um decreto proibindo a cobrança de taxa mínima de consumo em praias

O Decreto nº 149/2025 altera dispositivos do nº 485/2018, e proíbe práticas consideradas abusivas, como consumação mínima, taxa ou multa pela ausência de consumo, além da venda casada de bens, serviços ou produtos.

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