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CELEBRAÇÃO

Ubuntu leva ancestralidade negra às ruas e abre caminhos para o Carnaval do Recife

Lavagem ritual, cânticos em iorubá e cortejo até o Marco Zero marcam a cerimônia com participação de 28 afoxés

Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu)Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu) - Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco

Diversos grupos de afoxés desfilaram no Bairro do Recife, área central da capital pernambucana, na tarde desta quarta-feira (11) para pedir proteção e caminhos abertos para o Carnaval.

A manifestação cultural faz parte da 7ª edição da Cerimônia Ubuntu, que integra a programação oficial da folia, e transformou a Avenida Rio Branco em um grande terreiro a céu aberto, reunindo fé, música, ancestralidade e tradição negra com a lavagem das ruas até o Marco Zero.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Com o tema “Deixando legado, pensando no futuro!”, o evento reuniu 28 grupos de afoxé e teve como objetivo reafirmar o papel dessas agremiações na preservação das culturas afro-brasileiras.

  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
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  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
  • Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.
    Lavagem das ruas do Recife antigo para o Carnaval (Ubuntu). Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco.

A tradicional lavagem da avenida, feita com as águas de Oxalá, é realizada anualmente para consagrar o momento de espiritualidade, celebração e pertencimento, marcando simbolicamente a abertura dos caminhos para os dias de festa.

Para a secretária de Cultura do Recife, Milu Megale, a cerimônia Ubuntu se consolidou como um dos rituais que marcam simbolicamente a abertura do Carnaval da cidade e destaca o respeito da cidade do Recife pela contribuição da cultura afro-brasileira aos festejos carnavalescos.

“Já virou tradição. Há sete anos, a União dos Afoxés se reúne para macerar as ervas, preparar as águas e lavar as ruas e o Marco Zero, abrindo os caminhos para que a gente tenha um bom Carnaval, um Carnaval de paz”, destacou.

Idealização

Idealizado por Dona Carmem Virgínia, iabassê do Afoxé Ogbon Obá e proprietária do Altar Cozinha Ancestral, o Projeto Ubuntu nasceu da articulação entre lideranças dos afoxés e se consolidou como um espaço coletivo e democrático.

A coordenação é realizada por uma comissão representativa que integra o Comitê dos Afoxés do Recife e RMR (COAFRE) e a União dos Afoxés de Pernambuco (UAPE), reunindo nomes como Marcos Silva, Jorge Féo, Dario Júnior, Vanessa Silva, Inaldo Costa, Lorival Santos e Mãe Fátima d’Oxum.

Reconhecimento
Homenageada no Carnaval do Recife 2026, Dona Carmem tem a trajetória reconhecida por fortalecer a valorização da cultura negra.

Para ela, o evento celebra quem segue na luta e reverência quem construiu caminhos para a preservação das tradições afro-brasileiras.

“O Ubuntu é um ato de amor e de afirmaação do povo negro no Carnaval e na cidade. A gente vai às ruas para honrar quem veio antes, ocupar espaços com respeito e lembrar que a cultura afro-brasileira é fundamento da nossa identidade e precisa ser reconhecida, protegida e valorizada. A lavagem com as águas de Oxalá também é um pedido de paz, proteção e caminhos abertos, para que esse legado siga vivo, forte e presente no futuro”, afirma Dona Carmem Virgínia.

Entre os destaques deste ano, o Ubuntu prestou homenagem à Mãe Beth de Oxum, Patrimônio Vivo de Pernambuco, ao Afoxé Alafin Oyó, também Patrimônio Vivo de Pernambuco, e ao Afoxé Ylê de Egbá, Patrimônio Vivo da Cidade do Recife, reconhecendo trajetórias fundamentais para a preservação e continuidade das tradições afro-brasileiras.

Segundo a homenageada do Carnaval do Recife, o Ubuntu se caracteriza como um ato de resistência e preservação cultural da fé e espiritualidade ancestral.

“O Ubuntu não é apenas uma celebração; é um chamado à resistência, à fé e à ancestralidade. Quando os afoxés tomam as ruas, é a história do nosso povo que ecoa em cada toque de tambor, em cada corpo que dança”, destacou Dona Carmem Virgínia.
 

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