Sáb, 17 de Janeiro

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GUERRA NA UCRÂNIA

Ucrânia fica sem calefação após bombardeio russo e prefeito pede evacuação da cidade

Prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, pediu aos moradores que tenham condições que deixem a cidade temporariamente

Uma pessoa anda de bicicleta em uma rua sem iluminação durante um apagão em KievUma pessoa anda de bicicleta em uma rua sem iluminação durante um apagão em Kiev - Foto: Andrew Kravchenko/AFP

Metade dos edifícios residenciais de Kiev ficou sem aquecimento nesta sexta-feira (9), após uma noite de intensos ataques russos que deixaram ao menos quatro mortos e durante os quais, pela segunda vez desde o início da guerra, Moscou lançou um míssil hipersônico Oreshnik.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, pediu aos moradores que tenham condições que deixem a cidade temporariamente.

"Metade dos prédios de apartamentos de Kiev — quase 6 mil — está atualmente sem aquecimento devido a danos à infraestrutura crítica da capital causados por um ataque maciço do inimigo", afirmou Klitschko nas redes sociais.

Cerca de 40 locais foram atingidos pelos ataques russos, incluindo 20 edifícios residenciais e a embaixada do Catar na capital, informou o presidente Volodimir Zelensky. A promotoria ucraniana contabilizou quatro mortos e 24 feridos.

Técnicos ucranianos tentavam, nesta sexta-feira, com o termômetro oscilando entre -7 ºC e -12 ºC, reparar o sistema de aquecimento da capital, onde 417 mil residências ficaram sem fornecimento, segundo a operadora elétrica privada DTEK.

De acordo com as autoridades da capital, 1.200 estações de aquecimento foram habilitadas.

"Onde está a Europa, onde estão os Estados Unidos?"
Moscou bombardeou Kiev poucas horas depois de rejeitar um plano europeu de envio de uma força multinacional à Ucrânia após um possível fim da guerra.

A Ucrânia e seus aliados concordaram nesta semana que a Europa enviará tropas ao território ucraniano após um eventual cessar-fogo.

Mas Moscou, que lançou sua invasão em fevereiro de 2022 em parte para impedir que a Ucrânia se juntasse à Otan, rejeitou reiteradamente a ideia de estacionar forças ocidentais no país e afirmou, na quinta-feira, que essas tropas seriam consideradas" alvos militares legítimos".

Enquanto a diplomacia tenta avançar, a Rússia continua pressionando com ataques diários contra a Ucrânia em meio às temperaturas gélidas do inverno.

Nina, de 70 anos, vive em um dos prédios atingidos e manifestou sua indignação nesta sexta-feira ao ver que a mídia fala de um possível acordo para pôr fim ao conflito enquanto a Rússia segue bombardeando. "Onde está a Europa, onde estão os Estados Unidos?", questionou, em declarações à AFP.

Moscou informou ter atacado "alvos estratégicos" na Ucrânia, utilizando, entre outros armamentos, seu míssil Oreshnik, um projétil hipersônico com capacidade nuclear que pode atingir cerca de 13 mil km/h.

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, os ataques foram ordenados "em resposta" a uma tentativa da Ucrânia de bombardear uma residência do presidente russo, Vladimir Putin, no fim de dezembro — acusações que tanto a Ucrânia quanto seus aliados ocidentais classificaram como "mentira".

O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) divulgou imagens de destroços que apresentou como pertencentes ao míssil Oreshnik na região de Lviv. O órgão não especificou o alvo do míssil nem a extensão dos danos.

Moradores de Rudno, nos arredores de Leópolis, relataram à AFP que ouviram explosões durante a noite e alguns mencionaram cortes no fornecimento de gás.

"Sentimos muito medo e incerteza. Porque a temperatura está a 18 ou 20 graus abaixo de zero, e aqui não há gás. E as pessoas têm crianças pequenas, famílias… Como vão viver sem aquecimento?", disse Slava, uma mulher de 70 anos.

"Teste" para a UE e a Otan
Por sua vez, Zelensky exigiu uma "reação clara" da comunidade internacional ao ataque, que "ocorreu justamente no momento em que uma importante onda de frio atingia o país".

"Um ataque desse tipo perto da fronteira da União Europeia e da Otan representa uma grave ameaça à segurança do continente europeu e um teste para a comunidade transatlântica", afirmou nas redes sociais o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, que também pediu "respostas contundentes".

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, declarou nesta sexta-feira que o lançamento do míssil hipersônico é um sinal "claro" de "escalada" do conflito. Reino Unido, Alemanha e França classificaram o ataque como "inaceitável".

A Rússia já havia utilizado um projétil desse tipo, com ogiva convencional, contra a Ucrânia no fim de 2024.

Nesta sexta-feira, Kiev acusou Moscou de ter bombardeado com drones dois navios cargueiros que estavam no mar Negro, matando um marinheiro sírio. Nos últimos dias, a Ucrânia acusou a Rússia de ter realizado vários ataques semelhantes nessa região.

Do outro lado da fronteira, o governador da região russa de Belgorod, Viacheslav Gladkov, informou que mais de meio milhão de pessoas ficaram sem eletricidade ou aquecimento após um ataque ucraniano.

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