UE diz que pandemia não pode ser pretexto para cercear imprensa

Texto é assinado em nome dos 27 países membros da UE, embora alguns deles sejam também criticados por barrar a liberdade de imprensa

Josep Borrell, responsável pela política externa da União Europeia Josep Borrell, responsável pela política externa da União Europeia  - Foto: Olivier Hoslet/AFP

O responsável por política externa da União Europeia, Josep Borrell, se disse preocupado com o uso da pandemia como pretexto para impor restrições à liberdade de imprensa em alguns países.

A afirmação foi feita em comunicado pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que acontece neste domingo (3). O texto é assinado em nome dos 27 países membros da UE, embora alguns deles sejam também criticados por cercear a liberdade de imprensa.

O caso mais recente é o da Hungria, em que lei aprovada durante a pandemia pode levar à prisão de jornalistas que, na interpretação do governo, estejam "atrapalhando o combate ao coronavírus". Profissionais e organizações húngaros de outros países condenaram a medida, por ameaçar a liberdade de crítica dos jornalistas.

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Em ranking de liberdade de imprensa divulgado no mês passado pela Repórteres sem Fronteira, Bulgária, Polônia e Belarus também são apontados como casos preocupantes. No comunicado, Borrell diz que "em muitos países, os jornalistas precisam enfrentar uma legislação restritiva, às vezes atribuída à emergência da Covid-19, que restringe a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa".

Ele também afirma que estão se multiplicando paralisações da internet e fechamento de sites, e que repórteres, especialmente mulheres, "estão sujeitos a campanhas difamatórias, pressão financeira e ataques do governo ou da mídia partidária".

Borrell também afirma que a imprensa é fundamental para combater a disseminação de informações falsas sobre a pandemia. Segundo ele, as ações da UE contra desinformação "só podem ter sucesso se puderem basear-se no trabalho consciente de jornalistas comprometidos e corajosos, cujos esforços diários tornam as sociedades mais seguras, mais justas e mais democráticas".

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