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UE e Reino Unido retomam diálogo

Vice-presidente da Comissão Europeia Maros SefcovicVice-presidente da Comissão Europeia Maros Sefcovic - Foto: John Thys / POOL / AFP

Negociadores da União Europeia e do Reino Unido mantêm, nesta segunda-feira (28), a corrida contra o tempo para avançar nas negociações comerciais, apesar da disputa sobre uma polêmica lei britânica sobre o Brexit que ameaça prejudicar a relação bilateral.

Autoridades dos dois lados têm uma nova sessão de negociações na agenda em Bruxelas, em um esforço para alcançar um compromisso em negociações que não progrediram em áreas essenciais em seis meses de discussões.

Tanto Londres quanto Bruxelas argumentam que um acordo de livre comércio entre a Europa e o Reino Unido deve ser alcançado em meados de outubro, para permitir que seja ratificado antes de sua entrada em vigor em 1º de janeiro do próximo ano. 

Do contrário, o comércio passaria a ser regido pelas regras da Organização Mundial do Comércio, com tarifas e cotas mais altas e um caos econômico quase certo para o Reino Unido e a Europa. 

Em Bruxelas, o vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic, se reúne com seu colega britânico, Michel Gove, como vice-presidente de um comitê de coordenação UE-Reino Unido, que supervisiona a implementação do acordo de divórcio.

Os dois principais negociadores, o francês Michel Barnier e o britânico David Frost, se reuniram na semana passada para se preparar para a rodada de negociações, em encontros que Londres chamou de "construtivos".

Mas os diplomatas europeus permaneceram cautelosos sobre a possibilidade de qualquer progresso, apontando que esta rodada de reuniões prepararia o terreno para um impulso final no final de outubro. 

A atmosfera é tão rarefeita que o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, disse à imprensa que "para ser honesto, não estou muito otimista" em algum acordo de curto prazo. 

Em sua opinião, a decisão britânica de lançar uma lei sobre o mercado interno que modifica aspectos do Acordo de Retirada "corroeu a confiança".

O ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney, cujo país tem mais a perder do que a maioria se as negociações fracassarem, disse que Bruxelas não aprovará um acordo comercial se Londres continuar com ameaças de rompimento de acordos.

O CEO da BusinessEurope, a maior entidade empresarial da Europa, afirmou em uma entrevista que a mudança de uma integração total do Reino Unido e UE para uma separação sem acordo terá "consequências devastadoras" para as empresas.

"Estamos caminhando para um penhasco", opinou.

As capitais europeias não escondem sua indignação com a decisão do primeiro-ministro britânico Boris Johnson de aprovar uma lei sobre o mercado interno que seu próprio governo admite que violaria a lei internacional ao substituir o Acordo de Retirada.

Bruxelas pretende entrar com uma ação judicial contra a medida, mas decidiu continuar as negociações sobre um futuro acordo comercial. 

As duas partes continuam divididas sobre as regras de concorrência entre as empresas, auxílios estatais ou subsídios para empresas da UE e do Reino Unido e o acesso dos navios de pesca da UE às águas do Reino Unido.

Os diplomatas esperam um progresso significativo em tempo para uma cúpula de líderes da UE no final do mês, embora, de acordo com as expectativas, a disputa possa se estender até novembro.

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