Desigualdade na pandemia

Um bilhão de vacinas anticovid para países pobres ainda é insuficiente

Um quarto das 2,2 bilhões de doses administradas no mundo até agora foi nos países do G7, que representam apenas 10% da população mundial

Vacina de Oxford/AstraZenecaVacina de Oxford/AstraZeneca - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Os países mais industrializados do mundo prometeram um bilhão de doses de vacinas anticovid aos mais pobres durante a cúpula do G7, volume considerado insuficiente por seus críticos, que atribuem a escassez ao acúmulo do Ocidente.
 
Na vanguarda da luta por uma distribuição mais justa dos imunizantes, ONGs como Oxfam e Human Rights Watch estimam que sejam necessárias 11 bilhões de doses este ano, volume que os grupos farmacêuticos afirmam poder produzir em 2021.
 
Situação
Um quarto das 2,2 bilhões de doses administradas no mundo até agora foi nos países do G7, que representam apenas 10% da população mundial.
 
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, considerou "grotesca" essa diferença, que, em sua opinião, é "um fracasso moral catastrófico".
 
Estados Unidos e União Europeia (UE) prometeram vacinar a maior parte de sua população até meados de setembro, em vez de limitar as campanhas de vacinação ao estritamente necessário.
 
Em um contexto de escassez, essas doses não vão para profissionais de saúde, ou para pessoas vulneráveis em países com menos reservas.
 
As nações de baixa renda, segundo o Banco Mundial, representam até agora 0,3% das doses injetadas. 
 
No mundo, foram administradas 29,45 doses por 100 habitantes, mas de forma desigual: 2,8 doses por 100 habitantes na África, contra 73 nos países do G7.
 
Na semana passada, o sistema Covax arrecadou fundos adicionais para obter 1,8 bilhão de doses para 91 países pobres, que começarão a ser distribuídas em 2021 e no início de 2022.
 
Essas unidades protegerão quase 30% da população dessas nações. A Índia receberá 20% do total de injetáveis disponíveis.
 
Covax
Em junho de 2020, a OMS, a Aliança pela Vacinação (GAVI) e a Coalizão por Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) lançaram esse mecanismo, que visa a garantir uma distribuição justa dos imunizantes no mundo.
 
O sistema Covax tem um sistema de financiamento que permite que 92 economias de baixa e média renda tenham acesso às preciosas doses.
 
Escassez
Até 8 de junho, o Covax distribuiu mais de 81 milhões de doses de vacinas em 129 países e territórios, bem abaixo de sua meta.
 
O mecanismo enfrentou, primeiramente, o acúmulo de injetáveis por países que tinham os meios para adquirir as unidades limitadas disponíveis.
 
Depois, e por azar, o Covax se baseou muito na vacina da AstraZeneca, fabricada na Índia pelo Serum Institute.
 
Diante da explosão de casos, o governo indiano congelou as exportações para usar as doses em seu país. O fim da proibição é esperado em vários meses.
 
Como produzir mais? 
Um dos objetivos agora é aumentar a produção. A ideia mais debatida a esse respeito é a suspensão temporária das patentes de vacinas e de outros produtos anticovid.


As negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) avançaram esta semana, mas nenhum acordo é esperado rapidamente. 
 
Segundo apoiadores da iniciativa, a suspensão impulsionaria a produção nos países em desenvolvimento. 
 
Seus críticos defendem, em vez disso, a suspensão das barreiras ao comércio de ingredientes e das "licenças compulsórias".
 
Para a indústria farmacêutica, adicionar novos fabricantes, às vezes inexperientes, apresenta o risco de desperdiçar recursos valiosos e raros.
 
Esta semana, a OMS pediu aos fabricantes que disponibilizem metade de sua produção de doses anticovid para o Covax este ano.
 
E, em 1º de junho, os líderes de várias instituições internacionais fizeram um apelo ao G7 para destinar US$ 50 bilhões para um plano antipandemia.
 
Isso deve permitir a imunização de 40% da população mundial até o final de 2021 e de pelo menos 60% até o final de 2022.

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