Um dia marcado para Lula, Zuma e Park Geun-hye

Não somente o Brasil viveu uma sexta-feira atípica no campo político. Duas outras nações, a Coreia do Sul e a África do Sul, selaram condenações a ex-presidentes

Park Geun-hye, Lula e Zuma Park Geun-hye, Lula e Zuma  - Foto: AFP

A prisão decretada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva expedida pelo juiz Sérgio Moro, apesar de ser um fato histórico, no período pós-redemocratização, não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Nos últimos vinte anos, mais de trinta líderes de diferentes países foram parar atrás das grades. E, nesta última sexta-feira, no mesmo dia em que venceu o prazo para o petista se apresentar à Polícia Federal em Curitiba, a Coreia do Sul condenou a 24 anos de prisão a ex-presidente Park Geun-hye, e a África do Sul levou a um tribunal Jacob Zuma, que até fevereiro governava o país.

Coincidência ou não, neste momento, os três negam as acusações que pesam contra eles e afirmam que são vítimas de perseguição política. No Brasil, além do ex-presidente Lula, outros cinco presidentes brasileiros – Hermes da Fonseca, Washington Luís, Artur Bernardes, João Fernandes Café Filho e Juscelino Kubitschek – também enfrentaram detenção, mas nesses casos, as prisões foram políticas e não por condenação da justiça. Lula, entretanto, é o primeiro ex-chefe de estado condenado por corrupção pela Justiça.

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Casos à parte, a ex-presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, acusada de suborno, extorsão e abuso de poder foi condenada por um tribunal de Seul pelo seu envolvimento no caso de corrupção da "Rasputina", que culminou com sua cassação em janeiro de 2017. A sentença, que foi transmitida ao vivo pela TV, considerou comprovada que a ex-presidente e sua amiga Choi Soon-sil, conhecida como a "Rasputina", criaram um esquema para extorquir dinheiro de grandes empresas, como Samsung, Hyundai e Lotte. Park foi a primeira mulher a assumir o governo sul-coreano. Ela foi considerada culpada por 16 das 18 acusações de abuso de poder, suborno e coerção e ainda foi multada em US$ 17 milhões. A defesa de Park deve apelar da sentença. Ela está presa desde março de 2017.

Na África do Sul, o ex-presidente Jacob Zuma, que renunciou ao cargo em fevereiro deste ano, compareceu no Supremo Tribunal de Durban na manhã desta sexta-feira para responder a acusações de corrupção contra ele - momento que vem sendo classificado como "extremamente simbólico" para a jovem democracia do país.

Armas
Ele está sendo processado por suspeitas envolvendo um contrato para aquisição de armas firmado nos anos 1990, quando era vice-presidente. Zuma, de 75 anos, apareceu por 15 minutos na corte. Depois disso, a análise do caso foi adiada para o dia 8 de junho. Ele afirmou ser vítima de acusações políticas no primeiro dia de um julgamento. A Justiça suspeita de que, em 1999, Zuma - então ministro provincial e depois vice-presidente do país - tenha aceitado suborno por um contrato de armamento de 4,2 bilhões de euros (cerca de 5,16 bilhões de dólares) firmado pela África do Sul com várias empresas estrangeiras em 1999. Entre elas, está a francesa Thales.

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