Um novo jeito de fazer negócios

Marcas independentes de confecções estão usando as redes sociais para atender consumidores ávidos por novidades

No alto, cliente mostra peça. Natália e Haíra (esq.) criaram a Carnavalizei. Marília (dir.) aposta nas festas com a Território Lamparina e Ana Carolina (abaixo) está à frente daNo alto, cliente mostra peça. Natália e Haíra (esq.) criaram a Carnavalizei. Marília (dir.) aposta nas festas com a Território Lamparina e Ana Carolina (abaixo) está à frente da - Foto: Divulgação

As redes sociais, como o Instagram, são as vitrines delas. Sem ponto físico ou mesmo lojas virtuais organizadas, marcas independentes que produzem artigos de moda estão ganhando terreno em um mercado altamente competitivo, onde as grandes varejistas imperam. O fenômeno que vem se fortalecendo há algum tempo com a popularização da internet, foi potencializado no atual cenário de crise econômica e encontra no Carnaval - primeiro grande evento do ano - uma janela de oportunidades para popularizar um novo jeito de fazer negócios.

A lógica fundamental é suprir uma demanda de consumidores ávidos por produtos diferenciados e/ou personalizados a um preço acessível. Foi assim que a pernambucana Carnavalizei - das empreendedoras Natália Borges, 28, e Haíra Lopes, 27 anos, ambas formadas em design - começou.
Além da produção própria de roupas por encomenda, elas vendem apetrechos para os looks carnavalescos com preços variados. O mix de produtos varia de R$ 2 a R$ R$ 80. “Percebemos que havia uma demanda reprimida por uma moda com um design diferenciado e preço atrativo”, observa Natália. As criações são expostas na conta do Instagram, aberta em janeiro e que já tem mil seguidores. “O retorno foi acima do esperado”, informa Haíra, dizendo que a dupla vai seguir com a marca sazonal e iniciar uma loja de roupas casuais com comercialização permanente.
Também designer, Ana Carolina Agra, 27 anos, comanda a recém-criada Abre Alas, focada na comercialização de acessórios handmade (feitos à mão). “Eu postava as criações no ‘Insta’ e as pessoas começaram a fazer pedidos por lá ou pelo Whatsapp”, explica. É o mesmo caso da Trevo de Três - especializada em roupas para as foliãs. “A gente vende online, mas o pagamento e a entrega são presenciais. Até nos aproxima do cliente, porque a gente precisa manter um contato online até a entrega”, explica a empreendedora, a publicitária Jullyana Souto Maior, 24 anos, que mora em Paulista. Ela iniciou a produção depois de perder o emprego, no ano passado. “Investi o dinheiro da rescisão e já recuperei. Faço 150 peças por mês”, acrescenta.
Em Olinda, duas marcas independentes de moda carnavalesca chamam atenção nos ‘feeds’ das redes sociais. Os brincos da Gliterizei, comandada pela psicóloga Jordanna Vitória, 23 anos, atraem pelo design diferenciado a um baixo custo (entre R$ 10 a R$ 15). “Nesse tipo de negócio é preciso investir numa boa divulgação. Quanto mais elaboradas forem as fotos dos produtos, mais chamam a atenção da clientela”, comenta.
Mesmo assim, o investimento para iniciar esse tipo de operação ainda é baixo, o que se torna uma porta de entrada para pequenos empreendedores, inclusive os de ocasião, como a advogada Taianny Moreira, 30 anos, que criou a Olinda Fantasy junto com a cunhada, Raquel Normandia, professora de pilates. Foliãs de carteirinha, as duas sempre fizeram as próprias fantasias. “Decidimos levantar uma renda extra no Carnaval e, quando colocamos na rede, foi uma avalanche de pedidos”, contaTaianny. As saias de tule e os acessórios custam entre R$ 15 e R$ 40. “A gente pretende manter a produção para festas de época durante o ano”, adianta.

Das redes sociais para a loja física
Começar a vender nas redes sociais é uma coisa. Se manter no mercado é outra. Para que o negócio não acabe na Quarta-feira de Cin­zas, os empreendedores precisam traçar uma boa estratégia de negócios. A Território Lamparina, por e­xem­plo, resolveu explorar um concei­to de ‘loja território’. “Nós explo­ramos eventos ao longo do ano, co­mo uma forma de manter produ­ção constante. O primeiro ‘territó­rio’ a ser conquistado é o Carnaval, mas o nosso objetivo é expandir os horizontes”, comenta a empreendedora Marília Pinheiro, 26 anos.

Outro caminho é participar de coletivos de moda ou feirinhas, onde as criações podem ganhar mais visibilidade. Túlio Rodrigo é produtor do Espaço Bora, que organiza eventos com marcas independentes com presença na internet. No Carnaval, ele montou uma loja coletiva pop up (temporária) no shopping Paço Alfândega. Eles expõem 30 marcas de design autoral, selecionadas por uma espécie de curadoria e que pagam uma taxa de participação. “Terminamos fazendo uma espécie de consultoria para esses jovens empreendedores, porque percebemos que nem todos apresentam um bom nível de profissionalização, seja no design, no acabamento ou na apresentação”, diz.
Especialista em e-commerce e proprietário de uma empresa de treinamento na área, a EcommerceNaPrática, com alunos em todo o País, Bruno Oliveira, ressalta o caráter democrático das redes sociais como um incentivo aos negócios.

 “O investimento é mínimo e não há muitas barreiras, então as redes sociais se tornaram um caminho natural para marcas independentes, sobretudo as focadas em produtos sazonais, como o Carnaval. Mas, se a intenção é se manter no mercado, é preciso partir para a profissionalização”, comenta. Ele recomenda, além do investimento em divulgação, com boas fotos, o cuidado com a qualidade, entrega e bom relacionamento com a clientela.
Evolução
A empresária Ângela Lamenha, 37, tem uma loja de moda infantil, a Firulinha, que começou nas redes sociais. Desde o início, ela apostou na produção focada no Carnaval - responsável por 40% do faturamento anual. "Isso ajudou o negócio a crescer, tanto que abrimos uma loja física há um mês", conta. Para ela, o combo Carnaval- internet funciona como um excelente laboratório. "É ideal para sentir, testar, ganhar experiência, ampliar a presença no mercado", avalia.

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