Um passeio em Jaboatão pelos monumentos aos mitos e heróis

Na terceira e última parada da série Que monumento é esse? a Folha de Pernambuco destaca hoje obras de arte que estão ao alcance de todos nas ruas do município de Jaboatão dos Guararapes, equipamentos que nem sempre são notados ou não dispõem das devidas

Padre Chromácio LeãoPadre Chromácio Leão - Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

 

Palco de grandes lutas ao longo de mais de meio milênio em Pernambuco, o município de Jaboatão dos Guararapes é reconhecido como uma terra de mitos e heróis e faz jus a sua vocação em sua arte exposta na rua. Apesar de contar com uma quantidade mais modesta do que no Recife e em Olinda, a cidade reverencia em seus objetos os personagens que permeiam seu imaginário e sua história.

Segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, Jaboatão padece dos mesmos problemas dos grandes centros urbanos. As obras de arte públicas ora contam com manutenção, ora nem tanto; algumas apresentam informações, outras são um verdadeiro mistério.

Embora a cidade tenha apenas (sic) 143 anos de fundação, as terras onde ela se encontra estão completando 450 anos de exploração desde o período colonial. Assim, da mesma forma que o Recife e Olinda, Jaboatão possui edificações e utensílios públicos que, a despeito da função prática, ao longo do tempo ganharam status de monumentos. Nesse aspecto, encaixam-se as ruínas da Igreja de Nossa Senhora dos Rosários dos Pretos (século 18); o Parque Nacional Histórico dos Guararapes (com construções do século 17); o conjunto do Santuário Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora (1915) e gruta de Nossa Senhora de Lourdes; e a antiga cadeia pública (1923), que agora abriga a sede do Instituto Histórico de Jaboatão.

No conjunto de objetos criados como adornos artísticos, prevalece o culto aos mitos e heróis tradicionais da cidade. Da imagem de Iemanjá, reconstruída e relocada após ser levada pelo mar, passando por monumentos em homenagem aos ferroviários e à Restauração Pernambucana, até a representação de figuras ilustres do município, a exemplo do ex-prefeito Luiz Regueira - morto por um de seus antecessores.

A manutenção, incluindo a sinalização, dessas obras é da competência da Secretaria Executiva de Edificações e Manutenção de Prédios Públicos. Porém, a coordenadora de Patrimônio Histórico do município, Idalice Laurentino lembra que é preciso uma maior conscientização da parte da sociedade no sentido da preservação. “O cidadão precisa ajudar a conservar. Há um trabalho no município voltado para as praças que incluem os monumentos lá existentes”, explica. “Acontece também que as pessoas não colaboram muitas vezes na preservação desses monumentos considerados muitas vezes bens históricos.”

Iemanjá Candeias/Barra de Jangada
Substituiu a imagem da Rainha do Mar que ficava em Candeias, na Curva do S, que foi derrubada pela ressaca marítima. Fica na entrada do acesso à praia na Rua Vitória Régia, na divisa dos bairros de Candeias e Barra de Jangada, uma área paradisíaca do município. A manutenção tem sido feita por pessoas do local, com recursos próprios. O ponto alto de visitação é o dia 8 de dezembro, quando os fiéis levam oferendas para o local. Encontra-se em processo de tombamento como escultura.

Ferroviários - Centro
Homenagem aos ferroviários de criação do artista Mont’Elberto. A escultura, em ferro, foi inaugurada originalmente na Praça Nossa Senhora do Rosário, no trecho conhecido como Praça Redonda e agora denominado Praça Luiz Regueira. Depois foi deslocada para o Pátio do Ferroviário, espaço inaugurado pelo Metrorec também em tributo aos ferroviários, em 29 de agosto de 1987, ao lado da estação do metrô. Apresenta-se meio escanteada e enferrujada.

Restauração Pernambucana - Centro
Escultura em granito na Praça General Dantas Barreto (Praça do Metrô), em frente à antiga sede da prefeitura, na Avenida Barão de Lucena. Tributo ao tricentenário do movimento, traz a inscrição: “Homenagem do Jaboatão aos Heróis da Restauração Pernambucana - 1654-1954 - P.M.J.” Encontra-se toda suja e pichada.

Padre Chromacio Leão -
Centro
Busto na praça localizada na esquina das ruas Padre Chromacio Leão e Bernardo Vieira de Melo, conhecida vulgarmente como “Praça do Sarro” (sic). A escultura se encontra toda pichada e sem identificação. Educador e músico, o religioso foi fundador da primeira banda de música do município. No local havia antes a Igreja do Rosário dos Homens Pretos, que foi destruída em 1951, por conta de obras viárias, sendo construída a praça em 1959.

Gaivota Karina - Piedade
Defronte ao Hospital da Aeronáutica (Avenida Beira-Mar, 606). A obra do artista plástico, escultor e químico ceramista Val Bonfim, de 1994, foi restaurada prefeitura em 2014 e está bem conservada. Uma placa, reproduzida nos lados norte e sul da coluna, traz informações e o poema Ode à Karina, do jornalista Waldimir Maia Leite, no qual a escultura é inspirada.

 

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