Um símbolo de amor e resistência do hóquei

Com missão de inspirar novas gerações, Recife Hóquei Clube desafia obstáculos para participar do Campeonato Brasileiro

Time vai disputar Nacional da modalidade pelo segundo ano consecutivo   Time vai disputar Nacional da modalidade pelo segundo ano consecutivo  - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O amor pelo hóquei e o desejo de inspirar novas gerações fazem das meninas do Recife Hóquei Clube, criado há cerca de dois anos, um símbolo de resistência no esporte. Mesmo diante de tantos obstáculos para angariar apoio, o time formado por jovens e veteranas conseguiu reunir recursos, a base de muita persistência, para participar do Campeonato Brasileiro da modalidade pelo segundo ano consecutivo, em Sertãozinho, interior de São Paulo. A competição começa nesta quarta-feira (5) e segue até o próximo domingo (9).

As dificuldades estruturais e financeiras perseguiram o Recife Hóquei Clube mesmo após obter o vice-campeonato no Nacional do ano passado. As únicas representantes do hóquei feminino no Norte e Nordeste treinavam no Centro Comunitário da Paz (Compaz) até precisarem arrumar outro local em virtude de uma reforma no espaço. Devido a isso, desde o ano passado não realizavam as atividades no piso ideal e trabalhavam apenas a parte física.

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Os problemas não param por aí. As pernambucanas viajaram com apenas seis atletas e contarão com mais duas jogadoras do Sudeste. Mesmo assim, não alcançarão o número padrão de jogadoras convocadas para uma partida, 10 no total, incluindo as que ficam no banco de reservas. Além disso, o time não tem substituta para a experiente goleira Anny Silva.

“Não foi fácil conseguir ir para esse campeonato. Buscamos ajuda de todas as formas possíveis, até “cotinha” virtual fizemos. Por isso a ajuda dos colaboradores foi fundamental", disse uma das atletas mais experientes do elenco, Marcela Couto, que vem tomando à frente na organização da equipe junto com Anny Silva.

Marcela destaca a importância de as atletas mais jovens participarem de uma competição deste nível. "Não é nem por mim, já tenho 43 anos, sou pentacampeã do Campeonato Brasileiro e provavelmente não serei mais convocada para seleção. É muito mais para as meninas que temos aqui e almejam algum futuro no hóquei. A vontade de difundir o esporte como ferramenta de inclusão social é fundamental para a gente”.

O clube é uma associação independente criada pelas jogadoras da seleção brasileira Anny Silva, Andrea Regueira e Maria Lira. Mas se engana quem pensa que a equipe é formada apenas por atletas experientes. A mais nova do elenco é Ana Julia, revelação do Brasileiro do ano passado, então com 13 anos, é uma das promessas do esporte pernambucano.

Estudante de medicina, Marília Siqueira, de 24 anos, é um dos grandes exemplos de paixão pela modalidade. “Para mim não é fácil conciliar a rotina de estudos com a equipe. Mas foi pelo meu amor ao hóquei que permaneci, e normalmente é assim. Só persiste quem de fato ama o esporte. É muito triste perceber algo que gostamos tanto ser pouquíssimo valorizado e viver com tantas dificuldades. Essa falta de recursos é frustrante, sim, mas não podemos desistir”, disse uma das destaques da equipe e pré-convocada pela seleção brasileira para o Campeonato Mundial, em Barcelona.

Para conseguirem disputar o Campeonato Brasileiro de Hóquei, as atletas do Recife Hóquei Clube receberam a ajuda da Secretaria de Esportes do Estado, dos deputados federais Felipe Carreras e Sílvio Costa Filho, além colaborações de outras instituições.

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