Uma alma feita de açúcar, porcelana, cerâmica, aço...

Ricardo Brennand foi principalmente um industrial e empresário de sucesso, mas se notabilizou também por sua atuação na cultura, educação e filantropia

Ricardo BrennandRicardo Brennand - Foto: Flávio Japa

Ricardo Brennand é, atualmente, mais conhecido por causa do Instituto batizado com seu nome. Mas foi, essencialmente, um empresário. A atenção para a arte e a educação veio nas últimas décadas da sua vida, e não por acaso: foi quando se afastou de uma atuação mais direta nos negócios.

Embora continuasse a participar deles, ter novas ideias e prosseguisse ativo como engenheiro e industrial, até desenhando uma fábrica de cimento, quando a família regressou ao ramo. 

A vocação para os negócios veio de modo precoce. O ter nascido numa família de usineiros e bem sucedidos em outros setores, como o da cerâmica, facilitou o seu destino. Nasceu na Usina Santo Inácio, ele, aos quatro anos de idade, mudou-se com a família para uma majestosa casa nas terras do antigo Engenho São João, na Várzea.

Manteve por esse bairro, por toda a vida, um grande vínculo afetivo. Lá funcionaram fábricas, as sedes de diversos negócios, construiu uma casa, e implantou o Instituto Ricardo Brennand. 

Sempre teve um olhar voltado para a inovação e buscando excelência nos produtos que as suas fábricas produziam, para oferecer o melhor. Nos mais diferentes materiais que suas indústrias entregaram ao mercado.

Por isso, pode-se dizer que, simbolicamente, Ricardo Brennand tinha uma alma feita de açúcar, porcelana, azulejo, cerâmica, cimento, vidro e aço. Nessas áreas obteve enorme sucesso. Por isto continua sendo uma referência de qualidade em vários estados do Brasil.

Mas a trajetória do empresário que ganhou o título de cidadão recifense em 2019, proposto pelo vereador André Régis, não se restringiu a apenas esses setores industriais. Ele também atuou com êxito nos segmentos imobiliários e, durante poucos anos, em um banco. 

Uma das empresas comandadas pelo empresário foi a Usina Trapiche, comprada por seu grupo empresarial em 1975. Ele fez com a usina o que costumava fazer com muitos outros empreendimentos: reorganizar e modernizar. Com os ajustes feitos, a usina comandada por ele conseguiu multiplicar a sua capacidade de produção e se tornou uma das referências na região. 

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Ricardo também tinha uma preocupação com a questão das energias renováveis. O Grupo Brennand, chamado de Brennand Energia, passou a se dedicar a este segmento a partir do ano 2000. As atividades nesse campo começaram com a construção das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) Antônio Brennand, Indiavaí e Ombreiras.

Com foco na eficiência, racionalidade e sustentabilidade ambiental, o ramo da energia tomou uma característica própria tanto nas hidrelétricas quanto nas construções de parque eólicas, demonstrando a habilidade de Ricardo no desenvolvimento de expertises nos seus negócios. 

Não se limitou Ricardo Brennand ao sucesso empresarial. Atuou com responsabilidade social muito antes dessa expressão tornar-se moda. Um desses “empreendimentos” que liderou, com um grupo de empresários locais, foi o Instituto do Fígado & Transplantes de Pernambuco (IFP), para atendimento de pessoas do SUS.

O trabalho social também se estendeu ao incentivo ao Hospital de Câncer de Pernambuco e ao Imip, além do Educandário Nossa Senhora do Rosário, na Várzea. 

Como prova do resultado obtido no mundo dos negócios, Ricardo Brennand foi incluído pela revista Forbes uma das 206 pessoas bilionárias do Brasil. Na época da divulgação do ranking, em 2019, ele contava já 92 anos de idade.

Ele representou a sua família, que ocupou a 105ª posição do ranking, com um patrimônio de aproximadamente R$ 3,1 bilhões. Devido, sobretudo, à atuação na produção de energia e na indústria de cimento.

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