Uma 'cracolândia' resiste no Bairro do Recife

Concentração de usuários de crack em prédios abandonados na ilha tem causado temor em quem costuma frequentar a área. A cracolândia também é denunciada por comerciantes locais

Após retirada de tapumes, usuários fizeram do prédio residênciaApós retirada de tapumes, usuários fizeram do prédio residência - Foto: Anderson Stevens

Cinco meses após uma operação surpresa da Prefeitura do Recife para coibir o tráfico e consumo de drogas na rua Vigário Tenório, no Bairro do Recife, os usuários de crack voltaram a fazer dos prédios abandonados e cobertos por tapumes do bairro uma verdadeira 'cracolândia'. Eles consomem o entorpecente a céu aberto e a qualquer hora do dia, causando medo e receio em quem passa pela área.

Na época em que a inspeção foi feita, ocorrida após denúncia da Folha de Pernambuco, foram encontrados seis cachimbos usados para consumir crack e sete armas brancas (facas), mas ninguém foi detido. Com a derrubada dos tapumes que cercavam o imóvel, descobriu-se que um grupo havia feito dali uma espécie de residência.

A Folha de Pernambuco deu um giro no bairro para falar com o público e a reação de pavor era unânime. Sem querer se identificar à reportagem, muitos se diziam apreensivos em ter que trabalhar ou caminhar próximo à cracolândia da rua Vigário Tenório.

“Eles fumam e ficam agressivos repentinamente. Jogam pedra uns nos outros e brigam entre eles. Abordam já tomando os pertences das pessoas. Cansei de ver assalto, principalmente, aos fins de semana, quando vem muita gente para cá”, conta uma das comerciantes da região.

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Um dos prédios que integram a cracolândia fica a cerca de 50 metros da praça do Marco Zero, um dos pontos turísticos do Bairro do Recife. “Eles chegam a coagir quem chega no Recife Antigo. Quem estaciona, eles exigem dinheiro e dizem que quem manda no bairro são eles. Fico de longe, só olhando, mas com bastante medo. Porque eles vêm para cima de você. É melhor nem encarar eles”, aconselha um taxista que trabalha há dez anos no Bairro do Recife e que preferiu não se identificar.

Na última quarta-feira (4), um agente da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) esteve no bairro para recolher uma das placas de identificação de Zona Azul que, segundo denúncias, foi arrancada pelos próprios usuários. “Arrancaram uma placa de sinalização. Isso atrapalha o nosso trabalho de fiscalização. Sem placa, muita gente desavisada acaba sendo multada. Vamos levar ao supervisor para que a CTTU recoloque a placa”, afirma o agente Júlio Moreira.

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Apesar de, em entrevistas, a população afirmar se sentir amedrontada pela presença de uma cracolândia no Bairro do Recife, a Polícia Militar de Pernambuco assegura, em nota, que o comando da Companhia Independente de Apoio ao Turista (Ciatur), responsável pelo policiamento na área, diz que “não procedem as denúncias sobre suposta sensação de insegurança”. E complementou que, com relação à cracolândia, "a Ciatur se compromete a intensificar ainda mais as rondas no local para combater o tráfico na região”.

Já a Secretaria de Desenvolvimento Social, Juventude, Políticas sobre Drogas e Direitos Humanos do Recife afirma que enviará uma equipe do Programa Acolhe Vida à cracolândia já na próxima semana "para tentar identificar ocorrência de uso drogas no local. Usuários que precisarem de atendimento especializado também podem ligar para o telefone 3355.8210. 

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