Uma segunda-feira de ritmos tipicamente pernambucanos em Olinda

Entre os enredos exaltados pelos cantadores, o acidente com a Chapecoense for relembrado com tristeza

Maracatus, caboclinhos, frevo e cavalo marinho na Casa da RabecaMaracatus, caboclinhos, frevo e cavalo marinho na Casa da Rabeca - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Para os foliões que querem aproveitar um carnaval repleto de ritmos pernambucanos, a Casa da Rabeca oferece uma programação gratuita nesta segunda-feira (27). A programação, que faz parte da 13ª edição do Carnaval Mesclado da Casa da Rabeca, no bairro de Cidade Tabajara, em Olinda, começou às 9h com atrações que relembram o folclore do Estado.

Grupos de caboclinhos dos municípios de Buenos Aires, Itaquitinga e Tracunhaém se juntam aos maracatus de Glória do Goitá, Carpina e Goiana para fazer a festa em Olinda.

Emocionado, o professor universitário Paulo Eduardo Fonseca comenta que veio conhecer a festa para "recuperar meu orgulho de ser brasileiro". Ele e a esposa estão fazendo uma visita cultural por Pernambuco.

O espaço oferece infraestrutura completa com estacionamento próprio e restaurante para os foliões aproveitarem. A festa dura até o fim da tarde, proporcionando um dia de atrações para quem quer aprender um pouco mais sobre os festejos tipicamente pernambucanos.

Mais de 20 grupos de Maracatu do Estado também se apresentam no Espaço Ilumiara, próximo a Casa as Rabeca, onde é realizado o 27º Encontro de Maracatus de Baque Solto de Pernambuco. O acidente com o avião da Chapecoense foi lembrado pelo grupo de Maracatu de Baque solto Leão das Cordilheiras de Araçoiaba. Versos foram entoados resumindo a história da tragédia.

Para o Presidente da Associação do Maracatu de Baque solto de Pernambuco, Manuelzinho Salustiano, a festa faz parte da herança deixada pelo pai, famoso Mestre Salustiano que faleceu em 2008. Ele conta que o pai ensinou aos filhos que a cultura pernambucana respeitada, “temos o compromisso de manter viva a cultura daqui”, afirma ele.

Na Praça do Ilumiar, pessoas se juntavam nas laterais da ladeira para esperar o grupo de maracatu subir e descer com sua comitiva e seus caboclos de lança. A festa repleta de cor, faz parte da comunidade desde que Mestre Salú trouxe um pedaço dessa cultura para a Cidade Tabajara. O encontro se concentra em três polos com um total de 106 grupos se apresentando.

A festa acontece toda segunda-feira de carnaval, e entre causos pessoais, políticos e acontecimentos no país a poesia rimada em versos fortes tomava conta da praça enquanto o público parava para admirar a letra.

Para a recifense Thaysa Gomes, de 30 anos, o maracatu além de exibir a cultura tradicional do povo do estado, demonstra também o espírito de luta política presente nas pessoas, porque as histórias entoadas costumam tratar de problemas reais sofridos pelos caboclos.

Entre os caboclos e integrantes dos grupos estavam crianças de 5 anos que já brandiam suas pequenas lanças com muito orgulho de representar uma tradição de seu estado. Muitos viajaram horas para vir do interior apresentar nesta manhã.

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