Uma simples mudança diária pode reduzir o risco de depressão
Substituir uma hora de TV por atividade física ou até mesmo dormir pode reduzir significativamente o risco da condição
Fazer exercícios, usar o transporte público ou até mesmo dormir em vez de assistir televisão pode reduzir significativamente o risco de depressão na meia-idade. A conclusão é de um novo estudo publicado na revista científica European Psychiatry.
Substituir apenas meia hora de tempo sedentário assistindo à TV por atividades esportivas demonstrou reduzir o risco de depressão em 18%. E em adultos mais velhos, essa simples troca reduziu o risco em quase 30%. Uma redução semelhante no risco de depressão foi observada quando uma hora de TV foi substituída por sono.
"Esses resultados apoiam a promoção de diversas atividades físicas nessa faixa etária. Reduzir o tempo gasto assistindo à TV pode ser uma estratégia de saúde pública particularmente eficaz para adultos de meia-idade e idosos.", escreveram os autores. "Embora não tenham sido encontrados efeitos significativos em adultos jovens, incentivar um estilo de vida ativo continua sendo importante, pois a atividade física precoce prevê o comportamento futuro.", completaram.
Especialistas alertam há anos que estilos de vida sedentários podem aumentar o risco de diversos problemas de saúde graves, incluindo obesidade, diabetes tipo 2, câncer e até morte prematura. Agora, a equipe da Universidade de Groningen afirma que não se trata apenas da quantidade de tempo gasto em atividades sedentárias; atividades mentalmente passivas, como assistir à televisão, podem aumentar o risco de depressão, possivelmente devido à desregulação da dopamina, maior consumo de alimentos não saudáveis e isolamento social.
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Uma revisão recente constatou que cada hora extra de televisão estava associada a um aumento de 5% no risco de depressão.
"Portanto, focar no tempo gasto assistindo à televisão, em vez do tempo total sedentário, pode oferecer uma base mais específica e eficaz para intervenções", concluiu a equipe.
Eles estavam particularmente interessados em como a associação é influenciada pela idade – com adultos mais jovens geralmente apresentando menos comportamento sedentário e mais atividades físicas do que adultos de meia-idade e idosos. Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram dados de 65.454 adultos holandeses inscritos no estudo Lifelines.
Os participantes, que não apresentavam depressão no início do estudo, foram acompanhados por quatro anos. Eles registraram quanto tempo dedicavam a deslocamentos ativos, exercícios de lazer, esportes, tarefas domésticas, atividades físicas no trabalho ou na escola, assistindo à TV e dormindo.
Os resultados mostraram que, para adultos de meia-idade, realocar apenas uma hora de tempo assistindo à TV para outras atividades diminuiu a probabilidade de diagnóstico de depressão maior em 20%. Aumentar esse tempo para 90 minutos resultou em uma redução de 29%, e duas horas dedicadas a outras atividades, em vez de assistir à TV, reduziram o risco em impressionantes 43%.
Os pesquisadores observaram que todas as realocações do tempo gasto assistindo à TV para atividades específicas estavam associadas à redução do risco de depressão, com exceção da realocação de apenas meia hora para atividades domésticas. No entanto, ao realocar esse tempo para atividades esportivas, o risco de depressão caiu 18%. Passar menos tempo assistindo à TV e mais tempo se deslocando para o trabalho reduziu o risco em 8%.
Mas optar por praticar esportes em vez de assistir à TV por um determinado período resultou nas maiores reduções no risco de depressão. Em adultos mais velhos, trocar a TV por outras atividades, com exceção do esporte, não levou a reduções estatisticamente significativas nas taxas de depressão.
Os pesquisadores disseram que isso pode ocorrer porque o aspecto social do esporte pode oferecer proteção adicional contra a solidão, que é um fator de risco significativo para a depressão.
Por exemplo, embora dormir mais em vez de assistir à televisão tenha reduzido drasticamente as taxas de depressão em pessoas de meia-idade — possivelmente refletindo necessidades não atendidas devido às altas demandas relacionadas ao trabalho vivenciadas por essa faixa etária —, o mesmo não se verificou em adultos mais velhos.

