Uma voz calada pelo preconceito

Depois de ser vítima de ofensas na internet, Daniela Martins teve a página do Facebook bloqueada por causa de denúncias dos agressores

Governo Municipal de Sertânia assina ordem de serviço para obra de requalificação na Praça da Rua VelhaGoverno Municipal de Sertânia assina ordem de serviço para obra de requalificação na Praça da Rua Velha - Foto: Divulgação

 

Depois de expor uma foto do próprio corpo nas redes sociais e ser vítima de gordofobia, racismo e preconceito por ser nordestina, Daniela Martins foi proibida de interagir no Facebook. Denunciada pelos agressores como tendo publicado um material impróprio, foi punida e ficou sem voz para argumentar. Por outro lado, são centenas de pessoas compartilhando um material feminista de direito ao corpo no perfil da estudante no site, especialmente reportagens sobre o incidente. O grito se multiplicou.

“Tentei entrar na minha página e recebi uma mensagem dizendo que estava temporariamente bloqueada de interagir, postar conteúdo. Isso tudo por 31 dias. Mas desativei e ativei novamente meu perfil e o tempo de bloqueio diminuiu. Só que, independentemente disso, eu não iria me calar. Não vão conseguir. Não posso utilizar a rede para falar, mas posso olhar, e vejo as outras pessoas falando na mesma língua que eu”, comentou Daniela.

Ela recebeu muitos comentários agressivos, cujos autores estão sendo identificados e investigados pela Polícia Civil. Os que forem encontrados serão punidos criminalmente pelo crime de injúria comum e injúria qualificada.

De acordo com o delegado de Repressão aos Crimes Cibernéticos, Derivaldo Falcão, o procedimento começa com uma separação dos comentários que desagradaram a vítima. “Ela precisou trazer a impressão dos comentários que considerou como injúria, assim como as ameaças, para que possamos encontrar a pessoa e o inquérito seguir.”

Antes do bloqueio, Dani costumava postar fotografias de si vestindo roupas curtas e biquínis. “Elas iam se inspirando e se libertando”, comentou. Agora, com o bloqueio, são elas algumas das que voltam para defender a feminista. Artistas e pessoas de influência na internet criaram postagens em solidariedade ao caso de Daniela. A cantora Tati Quebra Barraco, por exemplo, escreveu: “...me fez lembrar do meu comecinho. Entrava no palco e as pessoas me tacavam latinhas, garrafas, me chamavam de feia, gorda, obesa. E o pior, acreditada e conformada, acha isso tudo mesmo. Hoje me sinto maravilhosa, linda, rainha, meu marido me ama e é o que realmente importa.”

Os ataques, injustificáveis e irracionais, continuam. “Criaram até uma página falsa com minha foto e estão se passando por mim”, comentou. Por outro, a luta feminista ganhou voz fora do Facebook. São diversos os convites para falar sobre o assunto e para posar para ensaios no Recife, como foi no caso do perfil @porelass no Instagram e fora do estado. Esta semana, Dani foi fotografada de biquíni em uma praia no Rio de Janeiro. A cada comentário negativo, mais a pauta é discutida.

 

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