Unidade de Conservação marinha é oficializada no Estado

Decreto do Governo do Estado torna realidade a Unidade de Conservação Recifes Sernambi, com 84 mil hectares de área protegida

A extensão corresponde a  18 milhas náuticas (33 km), nos municípios de Ipojuca, Sirinhaém, Rio Formoso e TamandaréA extensão corresponde a 18 milhas náuticas (33 km), nos municípios de Ipojuca, Sirinhaém, Rio Formoso e Tamandaré - Foto: Arquivo Folha

Pernambuco passa a contar, a partir de agora, com a sua primeira Unidade de Conservação (UC) exclusivamente marinha: a Área de Proteção Ambiental (APA) Recifes Serrambi (na língua Tupi, “Serrambi” significa “variedade de conchas do mar”). A novidade vem por meio do decreto nº 46.052, publicado pelo Poder Executivo no Diário Oficial do Estado. Conforme adiantado pela Folha de Pernambuco em março do ano passado, a nova área protegida conta com 84 mil hectares - quase o mesmo quantitativo em campos de futebol - e tem como limites, ao norte, o estuário do rio Maracaípe, em Ipojuca e, ao sul, Tamandaré, inserida na APA Federal Costa dos Corais.

A extensão corresponde a aproximadamente 18 milhas náuticas (33 km), tendo em seu entorno os municípios de Ipojuca, Sirinhaém, Rio Formoso e Tamandaré. Para o biólogo e diretor presidente do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), Severino Ribeiro, a criação de uma APA marinha entra como um marco para a conservação das regiões marítimas no Estado. Mas, reforça, ao mesmo tempo será um desafio para a gestão estadual criar mecanismos que reforcem a proteção dessa Unidade de Conservação para além dos papéis.

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“A iniciativa é louvável, mas cai no eterno desafio da maioria das Unidades de Conservação do Estado: que ela seja minimamente implementada, tenha um conselho gestor representativo e um plano de manejo que dialogue com a conservação da biodiversidade dessa APA”, analisa o especialista. Hoje, os mergulhos em áreas que deveriam ter maior proteção e o pisoteamento excessivo sobre os recifes de corais, por exemplo, são alguns dos problemas recorrentes devido ao uso desordenado do espaço. Sem regulamento algum, a biodiversidade marinha é posta em xeque.

Esses e outros conflitos, salienta o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Carlos André Cavalcanti, serão organizados a partir do zoneamento da Unidade de Conservação - uma das ferramentas mais importantes de um plano de manejo porque é essa parte que organiza espacialmente uma unidade protegida em zonas sob diferentes graus de proteção e regras de uso e ocupação do solo. O zoneamento leva em consideração, por exemplo, a vida socieconômica de comunidade vizinhas, essencial para que a implementação da Unidade de Conservação seja mais eficiente.

“Transformada a região em APA marinha, nosso próximo passo é publicar termo de referência a fim de criar o conselho gestor e o plano de manejo. O documento será o norteador para compatibilizar as atividades de ecoturismo de forma que não afete o bioma marinho”, explica o gestor, reforçando que definir o lugar como Área de Proteção Ambiental (APA) foi a categoria de Unidade de Conservação mais adequada porque permite o uso por pessoas, desde que de forma sustentável.

Corredor ecológico - Não foi só o uso desordenado da área que levou a gestão estadual a escolher propositalmente o espaço. O limite sul da APA Marinha faz conexão com a parte da praia de Tamandaré. Por estar inserida na APA Costa dos Corais, essa ligação entre as unidades protegidas forma um corredor ecológico, garantindo os estoques de peixes e a resiliência ecológica. “Os estudos foram bem estratégicos para apontarmos o local certo”, afirma o secretário Cavalcanti. Com mais de 413 mil hectares de área protegida, a APA Costa dos Corais é gerida pela União e abrange oito municípios em Alagoas e três em Pernambuco.

 

 

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