Unidades de medida preparam sua revolução

A partir de maio de 2019, o quilograma não será mais definido a partir de um objeto material único, mas através de uma constante fundamental e invariável

BalançaBalança - Foto: Pixabay

Na era das tecnologias ultraprecisas, a definição de quilo deixou de ser exata. Em busca de maior confiabilidade, os cientistas forjam uma pequena revolução das unidades de medida. Atualmente, um quilograma está definido como o equivalente a uma massa do "Grand K", um cilindro de platina e irídio conservado desde 1889 no Escritório Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), em Sèvres, perto de Paris.

Como não é possível calibrar todas as balanças do mundo em função desta peça, existem cópias. E é aí que o sistema começa a falhar. Embora o protótipo e as cópias foram fabricados na mesma época e da mesma forma e conservados nas mesmas condições, estes, de forma aleatória, encolhem ou expandem ligeiramente com a passagem do tempo.

"Se calculamos uma média da massa das cópias, constatamos que variou 35 microgramas", explicou recentemente à imprensa François Nez, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês (CNRS).

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A alteração pode resultar problemática para as ciências e a indústria nesta era do infinitamente pequeno, principalmente com o desenvolvimento das tecnologias quânticas.

Átomo por átomo
No universo dos materiais, da eletrônica e da medicina, busca-se agora manipular a matéria átomo por átomo (um átomo é 500.000 vezes menor que a espessura de um fio de cabelo).

Depois de 10 anos de reflexão, os pesquisadores decidiram substituir o "Grand K". A partir de maio de 2019, o quilograma não será mais definido a partir de um objeto material único, mas através de uma constante fundamental e invariável.

O ampere (unidade de corrente elétrica), o mol (unidade de quantidade de matéria) e o kelvin (unidade de temperatura) também serão calculados por meio de constantes fundamentais.

O metro já teve esse destino. Seu padrão, igualmente conservado em Sèvres, foi destronado pela velocidade da luz, ou mais precisamente a distância que a luz percorre no vácuo e em uma ínfima e predeterminada fração de segundo. "As unidades continuam sendo as mesmas, continuaremos falando de quilos, metros, segundos... mas suas definições mudam", segundo François Nez.

Adoção em novembro
Esta pequena revolução científica será aprovada, a princípio, durante a 26ª reunião da Conferência Geral de Pesos e Medidas, que será realizada entre 13 e 16 de novembro em Versailles, perto de Paris.

O quilograma será formulado a partir da constante de Planck (h), o limite de energia mínimo que se pode medir em uma partícula. O kelvin será redefinido segundo a constante de Boltzmann (k), ligada à medida da agitação térmica dos componentes fundamentais de um corpo.

O ampere será ligado à carga elementar (e), a carga elétrica de um próton. O mol, que define a quantidade da matéria e é utilizado essencialmente em química, será definido fixando a constante de Avogadro (NA).

"É preciso assegurar-se de que todas as medidas em questão, seja qual for o país e o momento, sejam coerentes umas com as outras: é crucial do ponto de vista social, econômico e comercial", ressaltou Noel Dimarcq, diretor de pesquisas do CNRS.

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