Urbanistas do Chile visitam comunidades do Recife

Troca de experiências já teve viagem de moradoras da Cidade ao vizinho sul-americano

Estrangeiros se encontraram com moradores da Ilha de Deus. Comunidade ganhou nova cara, mas precisa melhorarEstrangeiros se encontraram com moradores da Ilha de Deus. Comunidade ganhou nova cara, mas precisa melhorar - Foto: Felipe Ribeiro

 

Lugares e climas diferentes, mas com problemas bastante semelhantes. Esta é a proposta de urbanistas chilenos que desembarcaram no Recife para conhecer de perto a realidade de comunidades que requerem maior atenção. O ponto de partida foi a Ilha de Deus, no bairro da Imbiribeira (Zona Sul), conhecida pelo mangue e a subsistência da pesca. Dez anos após o início da retirada das palafitas, o local vem ganhando uma nova cara, com praças e espaços de convivência, mas ainda carece de avanços nas condições de moradia, no esgotamento sanitário e na qualificação. A ideia é de propor mudanças e captar recursos, junto à iniciativa privada e ao poder público, discutindo prioridades em conjunto com a população.

Um time de mulheres, catadoras de marisco e sururu, fizeram as malas e partiram para o Chile onde conheceram lugares com alta taxa de pobreza, igualmente vítimas do descaso público por várias décadas. A troca de experiências valeu a pena. “Apesar de também lá encontrarmos dificuldades, aprendemos a importância de mantermos nosso ambiente limpo, com ruas onde as pessoas podem caminhar e se sentir bem”, contou Elivânia Silva, 36 anos, que mora na Ilha de Deus com o marido e os três filhos. O projeto tem apoio do governo daquele país e a parceria de diversas organizações. “É preciso construir uma corrente sensibilizando de que é possível fazer mais”, destacou.

Cravada no estuário do rio Tejipió, a comunidade saltou de uma rotina de preconceito e abandono para se transformar num improvável ponto turístico. Entrou na rota de passeios de catamarã e abriu as portas de uma hospedaria abrigando estrangeiros e dando partida para uma nova vocação econômica. Porém, ainda parece faltar muitos degraus para os mais de dois mil moradores do lugar. “Sofremos com as falhas no esgoto, que escorre em algumas ruas, a falta de médicos e uma educação de qualidade”, apontou a dona de casa Sulamita Souza, 32, que reside ali desde a infância. Integrante da comitiva, a assistente social Jessica Gamin, 25, conhece a dureza das favelas afastadas do centro de Santiago. “São retratos diferentes da miséria no mundo, mas que com investimentos podem ser revertidas”, avaliou.

A missão no Recife também visitou as comunidades do Passarinho, na Zona Norte, vítima de morosidade na regularização de terras; e Brasília Teimosa, na Zona Sul, também marcada por problemas de controle urbano e violência. A ação é fruto do programa Quiero Mi Bairro, criado no Chile para lidar com o déficit qualitativo das cidades. De acordo com a coordenadora da Cities Alliance (financiadora), Gabriela Mercúrio: “São sementes de integração que começam a ser plantadas e darão resultados no futuro”, disse. Segundo a Prefeitura do Recife, as propostas estão sendo estudadas e podem subsidiar novos projetos. A arquiteta Lúcia Siqueira avalia o cenário como positivo. “Será válido para conquistas em grupo e individuais”, destacou.

 

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