educação

Uso de gamificação e novos métodos de ensino se popularizam nos programas de educação executiva

Universidades investem em tecnologia para tornar aulas mais atraentes

Universidades apostam em novas tecnologias para tornar o ensino mais interessante Universidades apostam em novas tecnologias para tornar o ensino mais interessante  - Foto: Álvaro Henrique/Secretaria de Educação do DF

A pandemia e a necessidade de distanciamento colocou à prova o sistema educacional no ano passado. Instituições aceleraram processos digitais e tiveram que se adaptar para tornar as aulas virtuais atraentes. Gamificação e novos métodos de ensino entraram no radar da educação executiva.

Na Fundação Getulio Vargas, vários MBAs têm games ao final dos cursos, que possibilitam a problematização e a aplicação de conceitos e ferramentas trabalhados ao longo do programa. Nos MBAs on-line, os alunos contam com o ARGo — Alternate Reality Goals —, um jogo cujo objetivo é desenvolver competências, além de potencializar o networking entre estudantes espalhados pelo país. No jogo, há uma disputa entre as equipes para a resolução dos problemas apresentados na forma de desafios e mistérios.

"Os jogos também são cativantes e fornecem elementos importantes para a construção de um ambiente de aprendizagem agradável e livre de pressões negativas. Os games vieram para ficar, e sua prática na educação executiva pode, de fato, representar uma diferença no processo de aprendizado" explica Mary Murashima, diretora de Gestão Acadêmica do FGV/IDE.

Por conta da crise sanitária, o CCE/PUC-Rio desenvolveu para o Mestrado Profissional em Logística um jogo em que os alunos, divididos em quatro equipes, tomam decisões integradas entre as áreas, equilibrando oferta e demanda.

"A gamificação traz a experiência do funcionamento do mercado logístico. Os alunos devem tomar decisões muito semelhantes às que ocorrem no dia a dia dos negócios. O ensino teórico é colocado em prática alternando teoria e jogo" afirma Márcio Thomé, coordenador do Mestrado Profissional em Logística da PUC-Rio.
 

Na Estácio, há uma divisão de negócios com 250 colaboradores, cujo objetivo é promover a inovação e pensar produtos e soluções educacionais. Os games, neste caso, são utilizados em disciplinas como Design Thinking, explica Regina Felício, pesquisadora em gamificação.

Por conta da distância, o corpo docente procurou se atualizar e buscar meios de atrair mais a atenção dos alunos. Em outubro de 2020, a edtech Jovens Gênios abriu inscrições para o treinamento gratuito “A nova educação - Formação gamificada em metodologias ativas” voltado para professores. E docentes de pós-graduação e mestrado se interessaram em aprender mais sobre o assunto.

"A pandemia evidenciou mais a necessidade de mudanças no processo de aprendizagem. Não agravou nada. No ensino à distância, o aluno desmotivado desliga à câmera. E o professor identificou a necessidade de ser atualizar. Ele é o principal agente de mudança" afirma Bernard Caffé, docente e idealizador da Jovens Gênios.

Março de 2020 vai ficar marcado para sempre na memória de Eduardo França, professor da pós-graduação da ESPM. Foi quando a escola teve que montar uma “operação de guerra” para migrar toda a estrutura operacional para o modelo remoto e em tempo real, após o fechamento da instituição em razão da pandemia:

"Tivemos que pensar e escolher um espaço mais neutro, com poucos estímulos que poderiam gerar ruídos e distrações durante as aulas, cômodos com boa acústica e iluminação adequada para estarmos nas telinhas, como se fossemos viver o 'BBB' mais longo de nossas vidas. Mas sempre tinha um gato que passava na frente da tela, um parente que aparecia fazendo outras coisas, um filho pequeno que vinha pedir atenção ou até outra pessoa da casa que se interessava pelo tema e vinha participar da aula como se fosse um programa de auditório".

Assim como França, os professores e as instituições de ensino tiveram que correr para se adaptar ao modelo remoto e agora para trabalhar de forma híbrida. A professora Paula Chimenti, coordenadora do Centro de Estudos em Estratégia e Inovação do Coppead/UFRJ, já vinha estudando inovações na educação. Segundo ela, porém, o processo foi acelerado.

"Usei a tecnologia a meu favor. Senti falta do olho no olho, mas outros sentidos foram aguçados. Trabalhei mais, mas nunca fiquei tanto com minha filha e com meu marido. Pude comer bolo e tomar café com a família. Isso faz uma grande diferença" diz a professora, que agora voltou ao ensino presencial e se divide entre aulas híbridas.

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