Pandemia

Vacina da Janssen chegará ao Brasil perto do prazo de validade e deve ser destinada às capitais

As 3 milhões de doses devem desembarcar na terça (15) no Brasil, data ainda não confirmada pelo Ministério da Saúde

Vacina contra a Covid desenvolvida pela empresa Janssen, braço farmacêutico da Johnson & JohnsonVacina contra a Covid desenvolvida pela empresa Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson - Foto: Frederic J. Brown/AFP

As 3 milhões de doses da vacina da Janssen (Johnson & Johnson) que vão chegar ao Brasil ainda neste mês têm prazo de validade até 27 de junho e precisam ser aplicadas impreterivelmente até esta data.

O comunicado foi feito, nesta terça-feira (8), pelo Ministério da Saúde a técnicos das secretarias estaduais de todo o país. A informação preocupou os gestores.

As doses da Janssen devem desembarcar na terça (15) no Brasil, data ainda não confirmada pelo Ministério da Saúde.

O prazo curto entre a chegada do imunizante e a aplicação lança um desafio logístico de grandes proporções, na opinião de técnicos ouvidos pela reportagem.

Eles terão pouco mais de uma semana para receber e distribuir as doses para os municípios de seus estados.

Um dos técnicos afirmou que o prazo exíguo gera tensionamento e exige remanejamentos para colocar a nova vacina na rede de forma imediata. Alguns gestores manifestaram contrariedade com as condições em que terão que trabalhar.

O Ministério da Saúde confirma o prazo de validade da vacina, mas afirma que está montando uma estratégia que permitirá a aplicação imediata das doses.

Em primeiro lugar, afirma a pasta, elas serão distribuídas apenas às capitais -o que já estava sendo feito com a Pfizer, que exigia um esquema especial de manutenção a baixas temperaturas.

O ministério diz também que fará uma ampla campanha de utilidade pública incentivando as pessoas a procurarem os postos de saúde.

A pasta afirma ainda que o país tem capacidade de aplicar até 2,4 milhões de doses de vacinas por dia, e que em poucas horas as da Janssen estarão nos braços de 3 milhões de brasileiros.

O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, por exemplo, já planeja aplicar as doses que serão destinadas à capital apenas em profissionais da educação.

A vacina fabricada pela Johnson & Johnson tem eficácia de 85% na prevenção de casos graves e oferece proteção completa contra hospitalização e morte por Covid-19, segundo estudo divulgado em janeiro.

Ela tem a vantagem de ser aplicada em uma única dose, facilitando a imunização coletiva.

É a primeira vacina em dose única em estágios avançados de pesquisa e pode ser armazenada em geladeira.

O desempenho do imunizante e as facilidades logísticas relacionadas ao armazenamento e distribuição fazem com que ela seja considerada uma das melhores para aplicação em países em desenvolvimento.

O Ministério da Saúde assinou um acordo com a Janssen para a aquisição de 38 milhões de doses da vacina da empresa, com previsão inicial de entrega de 16,9 milhões de doses entre julho e setembro e 21,1 milhões de outubro a dezembro.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que conseguiu antecipar a entrega de 3 milhões de doses para o mês de junho. A data de entrega deve ser anunciada em breve.

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