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Veja perguntas sem respostas sobre as mortes em Paraisópolis

A Polícia Civil investiga o caso por meio da Delegacia de Homicídios e a corregedoria da PM apura se houve responsabilidade dos agentes

Denys Henrique Quirino da Silva, 16, um dos jovens mortos na confusão no baile funk em ParaisópolisDenys Henrique Quirino da Silva, 16, um dos jovens mortos na confusão no baile funk em Paraisópolis - Foto: Arquivo pessoal/Reprodução

Dois depois depois de um tumulto após ação da PM na favela Paraisópolis (zona sul) terminar com nove jovens mortos e 12 feridos, há uma série de questões ainda não esclarecidas sobre o episódio.

Há divergências nos depoimentos dos policiais que participaram da operação e relatos de moradores contradizem a versão oficial da gestão do governador João Doria (PSDB).

A Polícia Civil investiga o caso por meio da Delegacia de Homicídios e a corregedoria da PM apura se houve responsabilidade dos agentes.

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Veja abaixo perguntas ainda sem resposta sobre as mortes das vítimas entre 14 e 23 anos na madrugada de domingo (1º).

Quem eram os homens que estavam na moto, que teriam atirado na polícia, e qual o motivo dos disparos?
A PM ainda não identificou quem são os dois suspeitos que, segundo a versão do governo, teriam disparado contra os agentes que faziam patrulha no local e gerado a suposta perseguição que terminaria em tumulto no baile.

Quais as evidências de que a perseguição existiu e onde está a moto?
Testemunhas dizem não ter visto moto nem tiros descritos pelos policiais. Segundo a corporação, era uma motocicleta preta Yamaha, modelo XT 660, e a perseguição está comprovada, uma vez que policiais avisaram rapidamente sobre a abordagem. A moto ainda não foi encontrada.

Os jovens começaram a correr após ouvir tiros ou para fugir da fumaça das bombas de gás disparadas pela polícia?
A questão ainda é controversa. Na versão oficial da PM, o estopim para a correria que resultou no pisoteamento de nove pessoas foram os tiros supostamente disparados por dois criminosos. Os relatos dos jovens que estavam no baile são de que a correria começou após bombas de gás e agressões por cassetetes que teriam partido da polícia.

Os jovens realmente morreram pisoteados? Eles teriam caído na correria ou desmaiado com o efeito das bombas de gás?
Apenas o resultado dos exames por legistas vai dizer com certeza. Segundo a PM, todos morreram pisoteados. Relatos de moradores, porém, são de que as supostas agressões por policiais podem ter ocasionado a morte de parte das vítimas.

As viaturas da Força Tática foram até os PMs de motocicleta para tirá-los em segurança do baile ou os agentes já haviam saído da favela e voltaram depois?
Há incongruências entre as versões da própria polícia. De acordo com o comando da PM, os agentes que teriam perseguido a moto até o baile foram hostilizados e viraram alvo de pedras e garrafas. Os agentes pediram reforço e se abrigaram. Na ocorrência registrada pela Polícia Civil, no entanto, os policiais narram ter conseguido sair da favela, se encontrado com superiores e voltado ao baile com reforço da Força Tática.

Por que a polícia teria dispersado uma multidão sem garantir uma rota segura de escape?Segundo moradores, policiais fecharam ambos os lados da rua e começaram a disparar balas de borracha e bombas de gás. Imagens e relatos indicam que a multidão ficou encurralada em vielas estreitas -alguns tropeçaram e acabaram mortos. O governo sustenta que não houve dispersão, mas sim reação às agressões.

Por que o baile continuou por mais cinco horas após a morte dos jovens?
Ainda não se sabe, mas o baile não tem organizador nem apresentações de DJs ou MCs; funciona com iniciativas descentralizadas ao longo da rua.

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