Venezuelanos fazem curso de capacitação para ingressar no mercado de trabalho

Grupo formado por 30 imigrantes venezuelanos participa de oficinas profissionalizantes no Recife em busca de qualificação profissional

Participantes fazem parte da primeira turma de refugiados, que chegou ao Estado em julhoParticipantes fazem parte da primeira turma de refugiados, que chegou ao Estado em julho - Foto: Brenda Alcântara /Folha de Pernambuco

 

Um grupo de 30 refugiados venezuelanos iniciou, nessa quarta-feira (19), cursos profissionalizantes para tentar ingressar no mercado de trabalho em Pernambuco. Eles fazem parte da primeira turma de 69 imigrantes que chegou ao Estado em julho deste ano, após passar por Boa Vista, capital de Roraima. A ação é pioneira e realizada pelo Polo de Formação e Reuso de Eletrônico do Nordeste, em parceria com a ONG Aldeias Infantis (OIA), entidade que está acolhendo os venezuelanos em Igarassu, Região Metropolitana do Recife. Após a conclusão do curso, todos os alunos receberão certificados de qualificação profissional.

Joel Antonio, 24, era técnico de segurança em seu país, onde vivia com a esposa, a engenheira mecânica Jessireth Milan de Romero, 26, e o filho, Jeremias Romero Millan, 1 ano. Mesmo com os diplomas, eles já estavam sem trabalhar em suas áreas havia anos, devido à crise econômica na Venezuela. O casal abriu um comércio, mas assaltantes levaram praticamente todos os produtos à venda.

“Agora aqui eu tenho uma melhor qualidade de vida, meu filho e esposa estão mais tranquilos e relaxados. Graças a Deus, o povo de Recife, de Igarassu, de Pernambuco, nos recebeu muito bem. Eu só posso dizer muito obrigado pelo que estão fazendo por nós. A minha expectativa agora é poder me capacitar para entrar no mercado de trabalho.”

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Os imigrantes terão a oportunidade de realizar três oficinas: de metarreciclagem, de recondicionamento de computadores e de gerenciamento de registro de equipamentos eletroeletrônicos. Há desde adolescentes até senhores de meia-idade inscritos. Os cursos têm entre 35 e 40 horas e os alunos recebem aulas de segunda a sexta-feira. “Um curso dessa natureza é muito importante para a inclusão no mercado de trabalho. É uma oportunidade que eles podem adquirir a partir da certificação e do aprendizado. Terão grandes benefícios e mais oportunidades dentro do mercado de trabalho”, afirmou a assistente social e representante da ONG Aldeias Infantis, Ivanilce Chaves.

Ramón Villasana, 48, era petroleiro da PDVSA, empresa estatal venezuelana de petróleo, e participou ativamente da greve geral em seus país que ocorreu entre 2002 e 2003. O movimento foi perdendo força e terminou com a demissão em massa de funcionários da empresa. Ramón foi um deles. Ele estava havia uma década na empresa e se refugiou no Brasil com uma de suas fihas, Neudys Villasana, 24. Sua outra filha, Neumari, 27, e suas duas netas, Neudele, 9, e Nazareth, 5, ainda estão vivendo na Venezuela. “Até o momento, estamos muito bem em Igarassu, só nos falta o emprego para iniciar uma nova vida. O problema aqui do Brasil é que o país não reconhece o diploma da Venezuela e, a partir desse curso, teremos um certificado de capacitação para que consigamos mais facilmente um emprego aqui”, afirmou Villasana.

Inicialmente, apenas o grupo de 30 venezuelanos participará dos cursos, mas a ideia do consultor de gestão do Polo, Sávio França, é aumentar esse número nas próximas oficinas. O gestor analisa até a possibilidade de construção de uma unidade de treinamento em Igarassu, próximo aos alojamentos dos venezuelanos. “A ideia vai além de trazer mais refugiados para realizar os cursos aqui. A nossa intenção é montar uma unidade na ONG Aldeias Infantis para que eles possam se formar lá. O interessante também seria que eles pudessem receber esses materiais lá, para serem processados e restaurados e, inclusive, comercializados.”

 

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