Verão exige mais atenção aos alimentos

O calor favorece a proliferação de bactérias que, mesmo sendo eliminadas, liberam toxinas nos alimentos que causam infecções

É importante  estar atento ao  acondicionamento  dos produtosÉ importante estar atento ao acondicionamento dos produtos - Foto: Rafael Furtado

As equipes de fiscalização das Vigilâncias Sanitárias municipais se desdobram durante o verão. O calor favorece a proliferação de bactérias que, mesmo sendo eliminadas, liberam toxinas nos alimentos que causam infecções, quadro clínico comum nesta época do ano, podendo ocasionar desidratação. Armazenamento irregular de alimentos é problema no Estado inteiro, mas cada região tem características específicas. No Sertão, abates clandestinos são problemáticos. Em Paudalho, na Mata Norte, a água é envasilhada em garrafas usadas.

Especialistas ressaltam que o consumidor deve redobrar a atenção neste período. As carnes, de uma maneira geral, quando mal acondicionadas, podem ser bastante tóxicas ao organismo, podendo até levar à morte, afirma a nutricionista Graça Albuquerque. “Agora, no verão, com temperaturas mais elevadas, se torna mais perigoso por essa questão do condicionamento adequado até mesmo com os produtos quentes como o caldinho, que deve ser fervido e não apenas esquentado na hora de servir”, disse.

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Graça explica que, quando se esquenta um alimento armazenado por um longo tempo, em vez de matar as bactérias, a temperatura ajuda na proliferação delas. No caso dos produtos cárneos, ela aconselha que se armazene, no freezer, pequenas porções, geralmente o que se usa no dia, em sacos plásticos próprios para alimentos. “Se houver sobras, como o alimento já está cozinhado pode ir para a geladeira, mas deve ser consumido em até três dias”.

Além disso, tudo o que vier da feira ou supermercado deve ser higienizado, desde as frutas até as folhas. “E não é apenas lavar, mas sim secar. Pois a água que fica retida pode estragar o alimento mais rápido”, explica a nutricionista. Graça acrescenta que água sanitária e vinagre não devem ser utilizados “por serem muito agressivos e agredirem o estômago”. “Nos supermercados, existem soluções próprias para essa higienização à venda.”

Em Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, o trabalho de fiscalização é permanente. Segundo o Secretário de Saúde de Afogados do município, Arthur Belarmino Amorim, o maior problema na cidade é a questão do armazenamento irregular e da procedência dos alimentos. “Geralmente, os comerciantes condicionam e vendem por mais de cinco dias”, relatou Arthur Belarmino. O secretário ressalta ainda que o município tem trabalhado contra o abate clandestino. “Temos um abatedouro regional aqui, mas descobrimos que algumas pessoas não utilizavam o abatedouro e estariam fazendo abates clandestinos”, destacou.

Na cidade de Paudalho, as ações de fiscalização são intensificadas durante os primeiros seis meses do ano. O coordenador da Secretaria de Saúde de Paudalho, Félix Alves, relata que o maior problema encontrado em fiscalizações no local está relacionado à refrigeração dos produtos, principalmente de laticínios e carnes, que são produtos que, quando não estão dentro da faixa de refrigeração recomendada, podem oferecer diversos riscos à saúde do consumidor. “As bactérias que fazem parte da própria flora do alimento, em temperatura inadequada, se proliferam e contaminam os alimentos”, afirmou. “Outro problema são os açougues que ainda comercializam a carne fresca sem refrigeração. Temos chegado junto e eles entendem. No entanto, afirmam que a questão é financeira, pois não tem condições de comparar o freezer.”

A gestora interina de Vigilância Sanitária do Recife, Cristiane Gomes, destaca que carnes bovinas, aves, pescados, leite e derivados e ovos devem receber atenção especial do consumidor. “Estes alimentos devem estar sob refrigeração, bem acondicionados e protegidos. Os queijos e os produtos cárneos devem ter registro no órgão competente identificado pelo selo de fiscalização (SEI ou SIF)”, esclarece a gestora.

O médico da Família Aristides Oliveira explica que no verão existe uma incidência maior no consumo de alimentos estragados e mal armazenados, que causam infecção por conta de apodrecimento e da proliferação bacteriana. Aristides afirma que, além do calor e do mau condicionamento, que fazem com que o alimento estrague mais rápido, existe também o hábito cultural.

“Comer na praia, em ruas e praças, que são mal preparadas e armazenadas de forma inadequada, é muito comum nesta época de férias”, disse o médico. Por isso, de acordo com ele, a principal medida de prevenção é só se alimentar em locais que se saiba ou se confie na origem, preparo e armazenamento desses alimentos. E, caso os alimentos sejam preparados pelo próprio consumidor, deve-se saber preparar e armazenar o produto de forma adequada.

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