Via mangue: um ano de fluidez

Cenário em que a via expressa aparece é de avaliações positivas, mas também de necessidade de melhorias e, mais do que isso, de um projeto de futuro

Via MangueVia Mangue - Foto: Mano Lee/Folha de Pernambuco

Ao completar um ano neste sábado desde a abertura da pista leste (subúrbio-cidade), a Via Mangue se consolidou como essencial ao ir e vir na Zona Sul da Capital pernambucana. Por dia, já são 66 mil veículos nos dois sentidos, mais do que os que circulam em avenidas como Recife e Abdias de Carvalho. Deixou ainda como legado a fluidez para o transporte público, já que, com o trânsito livre, corredores de ônibus foram implantados em rotas paralelas.

O cenário em que a via expressa aparece é de avaliações positivas, mas também de necessidade de melhorias e, mais do que isso, de um projeto de futuro. A Via Mangue foi incorporada à rotina dos condutores aos poucos. Quando a pista leste foi aberta, a média de tráfego era de 13,2 mil veículos/dia. Após as férias escolares e o Carnaval, o volume cresceu até o nível atual: 32 mil/dia (+ 140%).

No sentido oposto, na pista oeste, são 34 mil/dia. O impacto em avenidas paralelas, como Boa Viagem, Conselheiro Aguiar e Domingos Ferreira, foi expressivo. “Além do benefício nas vias arteriais, houve ganho à circulação interna de Boa Viagem. Foi possível criar um anel viário e melhorar aquela área onde há escolas. Antes, era preciso ir e voltar pela Conselheiro Aguiar e outras vias”, diz a presidente da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), Taciana Ferreira.

Para 150 mil passageiros, as viagens de ônibus ficaram mais rápidas com a Faixa Azul implantada na Conselheiro Aguiar e na Domingos Ferreira. “Passageiros não só da Zona Sul, mas das praias de Jaboatão saíram ganhando. A Via Mangue extrapolou os limites do Recife”, completa Taciana.

O professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Maurício Pina lembra da situação alarmante de avenidas do bairro de Boa Viagem antes da via expressa. “A Domingos Ferreira, por exemplo, tinha um nível de serviço muito crítico e inviabilizava a implantação de uma faixa exclusiva de ônibus. Hoje a velocidade do transporte coletivo é maior. O cenário, com certeza, passou a ser outro”, analisa.

Gargalos
Mesmo com todos esses benefícios e projetada como uma rota expressa, a Via Mangue não escapa de um problema comum nos grandes centros urbanos: os congestionamentos. Perto do túnel Josué de Castro, saída para quem segue no sentido Boa Viagem-Pina, o trânsito chega a 1,5 quilômetro de lentidão no início da manhã. À noite, o gargalo é no sentido oposto, no viaduto que desemboca na rua Professor Arnaldo Carneiro Leão e avenida Fernando Simões Barbosa. “Reduziu muito o tempo para ir de um lado a outro do bairro, mas, de fato, há retenções localizadas”, afirma a servidora pública Rebeca Alves.

Seria esse um indicativo de que a fluidez proporcionada pela Via Mangue tem prazo de validade? “Não acredito nisso, já que, no cenário econômico atual, não há perspectiva de crescimento da frota”, avalia o presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis em Pernambuco e consultor Stênio Cuentro. “O que tem que se pensar é em estender os ganhos da Via Mangue para mais gente. Por que não criar linhas de ônibus expressas passando por ali, talvez da Joana Bezerra até a rua Barão de Souza Leão? A via foi uma conquista. Agora é preciso olhar para frente”, completa.

Já para pedestres e ciclistas, a necessidade é de segurança. A Polícia Militar diz que rondas são feitas com uma viatura e destaca a importância de eventuais ocorrências serem registradas formalmente.

*Colaborou Juliana Almeida

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