Vice de Bolsonaro, Mourão critica 13º salário e fala em reforma trabalhista 'séria'

'Se a gente arrecada 12, como pagamos 13? É complicado. É o único lugar em que a pessoa entra em férias e ganha mais', disse o vice

General Mourão,vice-presidente eleitoGeneral Mourão,vice-presidente eleito - Foto: Pedro Ribas/ANPr/Divulgação

Candidato a vice na chapa do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o general Hamilton Mourão (PRTB) disse que o 13º salário é uma "jabuticaba brasileira", uma "mochila nas costas dos empresários" e "uma visão social com o chapéu dos outros".

"Jabuticabas brasileiras. Décimo terceiro salário. Se a gente arrecada 12, como pagamos 13? É complicado. É o único lugar em que a pessoa entra em férias e ganha mais. Coisas nossas, legislação que está aí. É sempre a visão dita social com o chapéu dos outros, não com o chapéu do governo", disse Mourão em palestra no Clube dos Diretores Logistas de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, na quarta-feira (26).

"[Vamos fazer] a implementação séria da reforma trabalhista. Sabemos perfeitamente o custo que tem o trabalhador, essa questão de imposto sindical em cima da atividade produtiva. É o maior custo que existe. E temos algumas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário", completou o militar.

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Bolsonaro manifestou-se nas redes sociais na sequência da publicação de reportagens sobre a fala de Mourão e desautorizou seu vice.

"O 13° salário do trabalhador está previsto no art. 7° da Constituição em capítulo das cláusulas pétreas (não passível de ser suprimido sequer por proposta de emenda à Constituição). Criticá-lo, além de uma ofensa à quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição", escreveu o candidato, que está internado para se recuperar de uma facada.

A manifestação de Mourão soma-se a outras de ampla repercussão que proferiu nas últimas semanas. Ele afirmou que casas com apenas mães e avós são "fábricas de desajustados" e chamou países latino-americanos e africanos com os quais o Brasil teve relações comerciais de "mulambada".

Depois desses episódios, o general foi repreendido por Bolsonaro e, por decisão da cúpula da campanha, ouviu que não deveria mais participar de eventos públicos com frequência.

De sexta-feira (28) até quinta-feira (4), Mourão tem apenas compromissos fechados em sua agenda, sem acesso da imprensa ou do público. A coligação também o proibiu de participar de todos os debates de candidatos a vice até o primeiro turno, marcado para 7 de outubro. Guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes também tem evitado aparições públicas depois que reportagens que o tem como protagonista geraram rebuliço.

Na sexta-feira (14), a revista Crusoé publicou reportagem que mostra que Guedes é apontado pela Justiça como um dos beneficiários de fraude que causou prejuízos à fundação responsável pela gestão da aposentadoria dos funcionários do BNDES, a Fapes. Na quarta-feira (19), a Folha de S.Paulo divulgou as propostas que Guedes apresentou a um grupo restrito de representantes do mercado: a criação de um imposto aos moldes da CPMF e a unificação da alíquota do Imposto de Renda em 20%.

A proposta assustou toda a cúpula bolsonarista, que nunca havia ouvido nada do tipo da boca de Guedes. Desde então, o economista tem cancelado compromissos em série.

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