[Vídeo] Familiares, amigos e outros fiéis ressaltam caridade de padre Edwaldo Gomes

Velório do religioso foi realizado nesta quinta (20)

Velório do corpo do padre EdwaldoVelório do corpo do padre Edwaldo - Foto: Thiago Cabral,

Político, fiéis e amigos, lembraram a todo momento os ensinamentos do padre Edwaldo Gomes. Os conselhos, as causas sociais em que o pároco se envolvia deixou um legado. Nada disso será esquecido, para os que sentiram de perto a falta de alguém que conduzia com maestria a paróquia de Casa Forte. As mais diversas histórias de relacionamento com o padre, enchiam os paroquianos de lágrimas. O sentimento de saudade, unânime entre eles foi o que marcaram os depoimentos dos que estavam presentes.

Dom Fernando Saburido, contou que apesar de a morte ser esperada chocou a todos. Mas que o trabalho social desempenhado pelo Pe. Edwaldo será lembrado por todos, principalmente os mais necessitados.
“A morte do Padre Edwaldo já era esperada porque ele estava em coma a quase 1 mês em estado de coma, mas claro que no momento que acontece é um choque para todos nós. Sobretudo por se tratar de uma pessoa muito querida. Alguém que doou inteiramente a sua vida a igreja, e tinha uma sensibilidade social muito grande, especialmente para com as pessoas mais necessitadas. Basta ver o trabalho que ele realizava na paróquia de Casa Forte, com as crianças, com os jovens e adolescentes. Vai deixar saudades de alguém que vai ser sempre lembrado como um grande pastor, aquele que se doou inteiramente ao evangelho, aos pobres e aos mais necessitados”



Geraldo Júlio, prefeito do Recife, destacou a perda que o Recife sofreu e como era a relação de amizade entre os dois.
“Uma perda muito grande, a gente fica realmente muito sentido, mas o padre Edwaldo cumpriu no mundo o seu papel, como poucas pessoas conseguem fazer. O Recife perdeu uma grande referência da nossa cidade. Ele sempre foi muito querido por toda a cidade. Um militante pelos pobres do Recife, um grande exemplo a ser seguido. Tive a alegria e a honra de poder dispor da amizade dele. De tomar café da manhã na casa dele, e escutar suas orientações, suas histórias. Aquilo que ele sempre tinha a dizer ao prefeito da cidade e a mim pessoalmente”

Paulo Câmara, governador de Pernambuco, falou de como o padre era importante para a comunidade católica e principalmente de Casa Forte.
“Um sentimento de perda. O padre Edwaldo teve uma vida dedicada ao próximo. Um homem de fé, de esperança, que sempre tinha uma palavra que a gente pudesse seguir. Então ele vai fazer muita falta a todos os paroquianos aqui de Casa Forte, e, principalmente a todos que o conheceram e que acreditavam nos seus ideais, em favor do mais pobre. A favor de uma sociedade mais justa e mais fraterna. A gente conversava às vezes, e todo ano tinha uma missa, de fim de ano, tradicional dele , e ,desde que Eduardo assumiu, a gente sempre vinha. E depois, também mantive essa tradição. Infelizmente esse ano a gente não vai ter. Mas vamos continuar olhando os seus ensinamentos e sua maneira de viver, que é uma maneira de exemplo para todos nós.Ele criou muitos instrumentos de aproximação, de solidariedade, de fraternidade. A festa da Vitória Régia era um exemplo disso. Mas o que era realmente importante do Padre Edwaldo é que ele sempre nos deixava com esperança de um mundo melhor, de uma cidade melhor, e seus ensinamentos com certeza vão fazer parte da vida de todos nós”

Jayme Asfora, vereador do Recife, contou sua relação com o padre e como ele foi importante na luta contra “os poderosos”.
“Sempre tive uma relação muito fraterna com o padre Edwaldo. Aliás, o padre Edwaldo encarnava esse papel de solidariedade e amor ao próximo. Fosse você uma pessoa humilde, ou uma pessoa poderosa. A perda dele é inestimável. Ele teve um papel enorme no combate à ditadura. Um homem corajoso, que junto a Helder Câmara, desafiou os poderosos de plantão, em nome da democracia e dos direitos humanos e daqueles que estavam perdendo suas vidas e sendo torturados. Depois ele dirigiu belíssimos trabalhos sociais, onde eu destacaria a creche Menino de Jesus e a creche Marcelo Asfora. Além do que, a própria festa da Vitória Régia, que ele incorporou ao patrimônio cultural da humanidade. Foi um grande homem, um grande brasileiro, que está, por seu merecimento, em paz e tranquilidade, depois de cumprir uma belíssima e memorável missão na Terra”

Paulo Roberto, 55 anos, se aproximou do caixão durante a missa e muito emocionado surpreendeu a todos com sua comoção no momento de reza.

“Ele ajudava muito a gente pobre. Não media distância para pobre nenhum. Toda sexta-feira ele dava alimentação ao pessoal aqui, cesta básica ao povo. Ele fazia muita caridade, foi uma pessoa que ajudou muito e que Deus coloque ele num bom lugar, porque a gente vai sentir tanta falta. Foi a maior perda que Casa Forte teve, porque ele gostava daqui, e muito. O povo pobre vai sofrer ainda mais com a falta dele.

Vera Ferraz, jornalista, escritora da bibliografia do Padre Edwaldo, destacou a luta do pároco pelos direitos humanos na ditadura, comparando sua importância e ideais de vida a de Dom Helder Câmara.
“O livro foi um acaso abençoado. Eu conhecia há 21 anos, Pe. Edwaldo, mas de perto, trabalhando, batalhando, defendendo o bairro com ele. E essa convivência com ele foi muito interessante para mim. Ver o quanto ele… Disseram que confundem Dom Helder Câmara com ele, e é verdade. Porque os dois são irmãos dos pobres, e filhos de Deus. Nunca vi isso se encaixar tão bem. Insubstituível eu sei que ninguém é, mas ele deixa um buraco sem tamanho, incapaz de ser medido. Como ele disse algumas vezes Casa Forte não tinha muitos crimes por conta do apoio que ele dava aos humildes, e isso era uma bandeira levantada por ele. A gente perde muito com a ausência dele, agora, definitiva”


José Carlos, 55, vendedor, era menino de rua e foi acolhido na Igreja de Casa Forte pelo padre, que considerava um pai.
“Padre Edwaldo me ajudou muito, eu era menino de rua, vivia nas ruas e ele me deu acolhimento aqui na igreja [de Casa Forte]. Então ele foi meu segundo pai né. Eu tive um pai, mas ele foi mais presente que o que fui gerado. Para mim ele não morreu, ele é eterno, para todo mundo aqui ele será eterno, todos de Casa Forte e bairros vizinhos”


Aderson Viana, 53, professor, destacou a missão que o padre tinha como objetivo e a importância de seus ensinamentos, que se tornarão o legado do pároco.

“Falar de padre Edwaldo é falar de um ser humano que veio a este mundo com uma missão e a cumpriu muito bem. Um homem que se dedicou inteiramente a Deus e ao próximo. Quantas pessoas foram beneficiadas por seus conselhos, suas orientações? E serve de modelo para os novos padres que estão ai. Um homem que celebrava a eucaristia como se fosse a primeira, com muita empolgação e entusiasmo. Deixando para nós um legado. Então chegou o momento, agora, de nós, seus paroquianos, colocarmos em prática, mais do que nunca, seus ensinamentos”

Goretti Lyra, 54, psicóloga, lembrou de sua relação da sua família com o padre, e sua importância para a comunidade.
“Um homem que, a mim mesmo me viu antes de nascer, casou minha mãe, me batizou, batizou todos os meus filhos, e agora está ai nos braços do pai. Um homem que é exemplo de lealdade a Deus e de firmeza, companheiro. Era quem nos acolhia nos momentos mais difíceis e quem estava conosco nos momentos mais difíceis. Um homem que vai deixar um vazio muito grande para todos nós que somos seus cordeirinhos, porque ele era o nosso pastor. Fica aqui a saudade, muito grande”


João Bosco Vieira, 64, e sua esposa, Valéria Vieira, 58, tiveram sua relação guiada pelo padre Edwaldo, e seus ensinamentos.
“Padre Edwaldo foi exemplo para todos nós que estamos aqui em Casa Forte e trabalhamos nas obras sociais que ele promoveu desde que chegou. Casa Forte perde um grande referencial, ele era o guia que puxava todos os trabalhos que se desenvolviam na paróquia. Sempre dando exemplo, sempre puxando todo mundo para se engajar, sempre cada vez mais disposto e sempre buscando alternativas para desenvolver o seu trabalho social. Era um exemplo para todos nós. A gente se sente meio órfão, porque ele foi nosso pai espiritual por muitos anos. Hoje a paróquia de Casa Forte está órfã, e essa sensação vai levar um tempo para ser resolvida. Foi um exemplo permanente durante todo tempo em que ele esteve conosco. É uma pena que tenha acontecido, mas ele tá bem, tá com Deus e isso nos conforta um pouco”


Geogina Rodrigues, 67, assessora parlamentar, que precisou ser abrigada quando perseguida por questões políticas.
“Nós conhecemos Padre Edwaldo em 1978 quando eu cheguei aqui. Eu sou do sertão e me casei e vim morar aqui nessa paróquia de casa forte. E padre Edwaldo nos acolheu, começamos a participar eu sou muito católica. Eu sou uma líder sindical, e vínhamos enfrentando uma luta. Quando eu recebia ameaças de morte e perseguição dos poderosos, ele nos acolhia, íamos direto para casa do padre Edwaldo. Foi ele quem nos deu toda a força de continuar na luta. A gente chegava com ameaças de morte, coisas muito sérias. Porque nessa luta para defender os mais humildes e mais fracos, os grandes não acham bom. E ele sempre passava a mão na cabeça da gente e dizia ‘Minha filha, meu filho, continue, porque a vida é essa mesmo. Não dá é para ficar omisso’, e nós continuamos. Ele e dom Helder conhecendo nossa história de luta, em 1980, nos convidou a comungar com o Papa. Aqui todos nós somos praticamente filhos de padre Edwaldo. A família do padre Edwaldo é muito grande”



Pedro Eurico, secretário de justiça e direitos humanos, contou da sua relação com o pároco e como ele foi importante para luta dos direitos humanos, principalmente na ditadura.
“Perdi um grande amigo. Passamos 40 anos juntos ele como meu pároco, meu professor, e mais do que isso, ele era um grande militante na luta dos direitos humanos. Aqui no Recife, ele é um exemplo de padre, de sacerdote, de devoção ao público, de devoção aos seus paroquianos”


Patrícia Gomes, 30, sobrinha do padre Edwaldo, destacou o exemplo que o padre foi para todos e a saudade que ele vai deixar.
“Agora o que fica é a saudade, mas o exemplo que ele deixou é muito forte, para gente e para toda sua família da paróquia que ele assistiu com todo amor que tinha. O que fica é este exemplo de fé. Que Deus o recebeu em toda sua glória e não deixou que ele sofresse mais que o necessário. A saudade vai doer muito, mas a gente está feliz que o senhor tá com Deus e sua mãezinha no céu.”

Padre Romeu, 88, amigo do padre Edwaldo, estudou no seminário com ele, e falou da sua relação com o pároco de Casa Forte e a importância de seu legado.
“Ele sempre foi meu amigo, até nas brincadeiras no seminário. Ele tinha um apelido e eu tinha outro. Nós brincávamos muito, e éramos muito amigo um do outro. Depois de virar padre ele fez o cerimonial da minha primeira missa. Ele era um homem de Deus, um homem de fé, bom pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas.”

“Éramos amigos desde o tempo de seminário. Os dois tinham apelidos muito interessantes, o dele era 'Suíte' e o meu era 'Guiné'. Nós brincávamos muito. Como padre, ele foi o cerimonial da minha primeira missa. Sempre esteve comigo, fomos amigos em todos os instantes. Homem forte, homem de fé, homem de boa vontade, de coragem. Tinha uma gana muito grande. E era muito amigo dos pobres.

Ele foi muito importante na ditadura. Todos fomos muito importantes na ditadura, porque, afinal de contas, nós não aceitávamos a ditadura, como o próprio Saburido. O importante é que ele falava com muita gana, com muita coragem e tinha uma amizade muito profunda com os pobres, isso que é uma marca profunda dele. É um exemplo de vida, um exemplo de pastor que dá a vida por suas ovelhas”

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