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ESTUDO

Vitamina pode reduzir o acúmulo de proteínas associadas ao Alzheimer; saiba qual

Estudo mostrou que quanto maior o nível de vitamina D no organismo na meia-idade, menor a quantidade de emaranhados de proteína tau

Por Agência O Globo12/04/26 às 19H06 atualizado em 13/04/26 às 09H06
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Estudo científico revela associação do nível de vitamina D com a doença de AlzheimerEstudo científico revela associação do nível de vitamina D com a doença de Alzheimer - Foto: Freepik

Um estudo, publicado na revista científica Neurology Open Access, associou os níveis de vitamina D na meia-idade aos emaranhados tóxicos da proteína tau que se acumulam no cérebro de pessoas com doença de Alzheimer.

O trabalho mostrou que, quanto maior o nível de vitamina D no organismo na meia-idade, menor a quantidade de emaranhados de proteína tau que a pessoa tendia a apresentar anos depois.

"Esses resultados sugerem que níveis mais altos de vitamina D na meia-idade podem oferecer proteção contra o desenvolvimento desses depósitos de tau no cérebro e que níveis baixos de vitamina D podem ser um fator de risco que poderia ser modificado e tratado para reduzir o risco de demência", afirma o neurocientista Martin David Mulligan, da Universidade de Galway, na Irlanda, em comunicado.

A descoberta é de uma equipe internacional de pesquisadores e, embora não comprove uma relação direta de causa e efeito, sugere uma associação que merece ser investigada. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores fizeram uma análise estatística de amostras de sangue e exames cerebrais de 793 adultos.

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Os participantes do estudo tiveram seus níveis de vitamina D medidos uma única vez, como parte de uma avaliação inicial aos 39 anos de idade. Exames cerebrais realizados, em média, 16 anos depois, foram utilizados para avaliar os níveis de tau e beta-amiloide, outra proteína intimamente ligada à doença de Alzheimer.

O estudo não analisou diagnósticos de demência – nenhum dos participantes tinha doença de Alzheimer no momento dos exames de imagem cerebral – mas o comportamento anormal de tau e beta-amiloide foi usado como um indicador de problemas cerebrais semelhantes aos da doença que poderiam estar em processo de desenvolvimento.

Nem a proteína tau nem a beta-amiloide são naturalmente destrutivas; o cérebro precisa delas para se manter saudável. É quando essas proteínas começam a se descontrolar e a obstruir os neurônios que o dano associado ao Alzheimer começa, à medida que as células cerebrais se degeneram e a comunicação entre elas é interrompida.

Embora o estudo não tenha encontrado nenhuma relação entre a vitamina D e a beta-amiloide, uma ligação entre a vitamina D e a proteína tau tornou-se evidente. Isso se aplica tanto ao cérebro como um todo, quanto a algumas das regiões sabidamente afetadas pelo Alzheimer em seus estágios iniciais.

"Até onde sabemos, não existem estudos anteriores que avaliem a associação entre os níveis séricos de vitamina D e marcadores de neuroimagem de demência pré-clínica", escrevem os pesquisadores em seu artigo publicado. "A suplementação com doses mais elevadas de vitamina D e/ou por períodos mais longos em indivíduos mais jovens e cognitivamente saudáveis pode ser benéfica, visto que a janela de oportunidade para a modificação da doença é maior. No entanto, isso exigirá testes formais em ensaios clínicos."

Os pesquisadores apontam para estudos anteriores que mostraram que a vitamina D pode aprimorar o sistema imunológico no cérebro, enquanto a sua deficiência foi associada ao mau funcionamento das proteínas tau no cérebro de camundongos.

Este estudo sugere que uma parte desse risco da doença pode ser reduzida com a ingestão adequada de vitamina D. Isso não significa que você deva suplementar vitamina D por conta própria. Mas talvez seja interessante tomar um pouco de sol todos os dias, comer peixes gordos (salmão, atum, sardinha, cavala) e ovos.

No entanto, para termos certeza, será necessário monitorar a ingestão de vitamina D mais detalhadamente ao longo de décadas e relacioná-la a diagnósticos de demência.

"Esses resultados são promissores, pois sugerem uma associação entre níveis mais altos de vitamina D no início da meia-idade e uma menor carga de proteína tau, em média, 16 anos depois", afirma Mulligan. "A meia-idade é um período em que a modificação dos fatores de risco pode ter um impacto maior."

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