MORTO POR VIZINHO

Viúva de homem negro morto por sargento da Marinha registrará queixa por ameaças

Luiziane Teófilo e sua filha de 6 anos se mudaram com medo e insegurança de viver no mesmo condomínio onde Durval foi morto

Durval Teófilo Filho foi morto por militar em São Gonçalo, no Rio de JaneiroDurval Teófilo Filho foi morto por militar em São Gonçalo, no Rio de Janeiro - Foto: Reprodução / Agência O Globo

Após denunciar estar sofrendo ameaças e tentativas de intimidações, Luiziane Teófilo, viúva de Durval Teófilo, vai registrar queixa na delegacia sobre os episódios. Segundo o advogado da família, as ameaças "constantes" colocam em risco a vida de Luiziane e de sua filha de 6 anos. As duas deixaram o condomínio em que moravam por causa das intimidações. Nas últimas semanas ao menos dois comentários que teriam partido de vizinhos e conhecidos do autor do crime chegaram ao conhecimento da família. Em um deles, foi dito para ambas terem cuidado pois agora estão sozinhas. Temendo por sua integridade, a família deixou o condomínio.

"A viúva Luziane Teófilo juntamente com filha de apenas 6 anos de idade, está saindo da residência em que morava com Durval Teófilo há pelo menos 15 anos por conta das ameaças que está sofrendo de formas constantes desde o início das investigações policiais e da cobertura da mídia", informou o advogado Luiz Carlos de Aguiar por meio de nota.

Durval Teófilo foi morto na porta de seu condomínio pelo seu vizinho, o sargento da Marinha Aurélio Alves Bezerra. Em seu depoimento, o militar alega ter confundido Durval com um assaltante. A família da vítima credita o crime ao racismo. As tentativas de intimidação, segundo apurou o GLOBO teriam como objetivo fazer com que a família de Durval deixasse de comentar sobre o caso.

Nesta sexta-feira a defesa da família também oficiou a Marinha sobre o caso. Até o momento não houve um pronunciamento oficial da corporação sobre o cirme envolvendo o militar da ativa.

Luziane Téofilo, viúva do repositor Durval Téofilo, prestou depoimento por uma hora e meia, nesta quinta-feira, na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Ao ser abordada por jornalistas, na saída da unidade policial, ela preferiu não detalhar o teor das ameaças que ela e a família teriam recebido após o assassinato do repositor. Ela disse não aceitar perdão ou desculpas do sargento da Marinha, que, ao ser preso, alegou ter feito os disparos ao confundir a vítima com um bandido.

Para Luziane, o marido, que era negro e voltava do trabalho quando foi assassinado,  acabou sendo morto por ter sido vítima de racismo.

— Tudo o que eu quero é justiça. Estou gritando aqui por justiça. Quero justiça sim. Porque pude entender que foi racismo sim. Ele (o sargento) não pode ficar impune. Porque assim, ele não teve piedade do meu marido. E eu, neste momento, não aceito desculpas, não aceito perdão. Foi um crime bárbaro. Foi um assassino frio e assim só quero justiça. No momento prefiro não falar sobre as ameças. A polícia já está a par de tudo — disse Luziane.

Este é o segundo depoimento prestado por Luziane após o assassinato. Inicialmente, a Polícia Civil chegou a tipificar o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Após a audiência de custódia do sargento, que na ocasião teve a prisão preventiva decretada, a Justiça atendeu a pedido do Ministério Público e o militar passou a responder por homicídio doloso. De acordo com o advogado Luiz Carlos Aguiar, que defende os interesses de Liziane, a viúva não retornou mais para o condomínio onde morava com o marido assassinado e com a filha por medo de ameaças.

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