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Viveiros de camarões suprimem manguezal no Recife

Moradores apontam que desmatamento do mangue cresceu nos últimos anos e a Prefeitura diz que busca identificar os responsáveis

Desmatamento ilegal em área de mangue é realizada para a criação de camarãoDesmatamento ilegal em área de mangue é realizada para a criação de camarão - Foto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

Uma área de manguezal na beira do rio Tejipió, na região limite entre os bairros do Jiquiá, Afogados e Imbiribeira, no Recife, está sendo desmatada para a construção de tanques de criação de camarão que não possuem licença para funcionar. No local, que conta inclusive com duas pequenas casas de apoio, é possível ver pessoas circulando entre os mais de dez reservatórios utilizados para a criação dos crustáceos.

A Prefeitura do Recife fiscalizou a área e confirmou a agressão. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Cidade informou que busca identificar os responsáveis pelos viveiros para que seja autuado.

A reportagem da Folha de Pernambuco foi ao local e ouviu a população do entorno. Uma moradora que preferiu não se identificar conta que o desmatamento cresceu de nos últimos amos. “Eles incendeiam a parte de vegetação fechada de mangue, depois cortam tudo e deixam alagar para instalar os tanques para criação de camarão”, explica. O negócio irregular tem literalmente tirado o sono dos moradores da região. “Quando o sol começa a nascer, por volta de 5h, eles soltam fogos todo santo dia para afastar as garças que ficam por lá tentando comer os camarões”, acrescenta.

Atuando com pesquisas sobre manguezais desde 1991, o pesquisador e professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Pernambuco (UPE), Clemente Coelho, aponta que o camarão é uma espécie exótica para o ecossistema da região e pode gerar desequilíbrio, além de ser potencialmente um causador de problemas da saúde para quem consumi-los. “É uma atividade socioeconômica que, se não for bem feita, planejada e manejada, causa impactos severos na área. Isso se soma ao desmatamento do mangue feito de forma extensiva e um produto com qualidade bastante questionável, já que o camarão está sendo criado em água de péssima qualidade”, ressalta.

A falta de qualidade dos rios recifenses é propiciada em grande parte pela poluição gerada pelo esgotamento lançado diretamente no corpo d’água e se agrava justamente pelo desmatamento dos manguezais, vegetação capaz de exercer papel de “filtro biológico”. É por causa deles que, mesmo em rios bastante poluídos, como o Capibaribe, é possível ver árvores de grande porte crescendo nas margens. “O manguezal é extremamente importante para o Recife por incorporar matéria orgânica do esgoto e transformar na biomassa para árvores”, destaca o professor da UPE.

Por meio de nota, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife informou que “realiza fiscalização de rotina nas áreas de proteção ambiental, autua os infratores, aplica as penalidades e apreende equipamentos. Realiza também, ações conjuntas com os demais órgãos como Cipoma, Depoma, CPRH, Marinha e Ibama, além de outras Secretarias municipais como a de Controle Urbano e Emlurb”. O órgão acrescentou que a “Prefeitura do Recife, por meio da SMAS, disponibiliza o telefone referente ao setor de fiscalização 0800 720 4444, que funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h”.

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