Yoga para reduzir tensões no presídio

ONG Arte de Viver aplica técnicas orientais para tranquilizar detentos

Programa de trainee Programa de trainee  - Foto: Divulgação/Ambev

O permanente clima de tensão no Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros (PJALLB), no complexo do Curado, Zona Oeste do Recife, tem sido amenizado pela aplicação da sabedoria oriental. Semanalmente, dezenas de detentos praticam meditação por quase duas horas.

Desde novembro do ano passado, mais de 350 homens já foram atendidos na unidade. Para 2017, o grupo, parte da organização não governamental Arte de Viver, quer aumentar as atividades e já planeja a implantação do projeto na Colônia Penal Feminina Bom Pastor.

Com base no programa Prison Smart, que usa a técnica de respiração Surdarshan Kriya, criada pelo indiano Sri Sri Ravi Shankar, fundador da ONG, cinco turmas já passaram por cursos de cinco dias e, às terças-feiras, eles voltam às aulas. “Usamos a respiração como ferramenta de combate ao estresse. O presídio é um ambiente naturalmente estressante, então, entendemos que os detentos precisam respirar para conseguir viver bem e não voltar a cometer erros, tanto dentro dos presídios como fora”, disse a coordenadora do programa, Denise Moura.

“Nós observamos muitos benefícios com essas aulas. Os detentos relatam que o estresse diminui e a violência interna também é amenizada. Tudo isso acontece porque trabalhamos a paz interior que cada pessoa tem dentro de si e, uma vez que fazemos isso em um grupo, todo o pavilhão é tomado por este sentimento”, afirmou Moura.

De acordo com a instrutora Flávia Carvalho, a técnica faz os detentos entenderem quem realmente são. “É uma atividade purificadora. Reduzimos a ansiedade e muitos deixam de tomar remédio. É gratificante ouvir de um senhor de 60 anos que, se tivesse conhecido a técnica antes, nunca teria cometido o crime que cometeu. Outros nos emocionam quando dizem que sentem a paz que nunca sentiram lá fora”, afirmou.

Convivendo diariamente com os detentos, os agentes penitenciários também preocupam os voluntários. Até hoje, apenas um curso foi realizado.

“Muitos dizem que as aulas acontecem na hora do plantão deles e eles nem sempre podem participar. Infelizmente, esbarramos em muitas burocracias. Mas queremos atuar com os agentes também, pois muitos têm problemas de ansiedade e depressão semelhantes às dos detentos. Eles estão em pressão constantemente”, afirmou Denise Moura.

Outras unidades

Desde 2008 em Pernambuco, a Arte de Viver já atuou no Presídio de Igarassu e na Funase. Com intensos e sucessivos problemas desde outubro, as unidades dessa última, responsáveis pela ressocialização de jovens infratores, também poderia receber frutos do trabalho.

“Temos certeza que poderíamos ajudar muito com relação à Funase. Acabamos de formar dezenas de jovens líderes em comunidades carentes do Recife e eles nos procuraram dizendo que estão dispostos a atuar na Funase. Vamos trabalhar para tentar fazer algo no futuro”, explicou Moura.

A partir de janeiro, uma sala na Colônia Penal Feminia Bom Pastor será dedicada às ações sociais de vários grupos, entre eles o Arte de Viver.

“A cárcere feminino é mais perverso que o masculino. Muitas mulheres são abandonadas pelos familiares e maridos. Muitas nem recebem visitas e os filhos vão para abrigos. O clima de tensão é tão grande quanto nos presídios femininos”, alertou a coordenadora. “Estamos felizes com essa oportunidade”.

Veja também

Senado aprova uso de verbas de saúde por estados e municípios
Saúde

Senado aprova uso de verbas de saúde por estados e municípios

Eficácia da vacina anticovid da Moderna cai ligeiramente para 90% em teste nos EUA
Coronavírus

Eficácia da vacina anticovid da Moderna cai ligeiramente para 90% em teste nos EUA