Dia do Trabalhador

1° de Maio: preocupação com 'vida real', perda de força dos sindicatos e 'frustração' esvaziam atos

Cientistas políticos avaliam que atos foram "decepcionantes" para petistas e bolsonaristas

Antonio Lavareda Antonio Lavareda  - Foto: Divulgação

Tradicional data de manifestações políticas pelo mundo, o Dia do Trabalhador, 1º de Maio, se tornou palco neste ano para a militância do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva medirem suas forças nas ruas. Porém os atos não decolaram e foram "decepcionantes" para ambos os lados, na avaliação de cientistas políticos ouvidos pelo Globo. Segundo esses especialistas, isso se explica por um baixo interesse da população pela disputa partidária neste momento.

De acordo com professor da USP e cientista político José Álvaro Moisés, questões urgentes que estão afetando a população — como a crise econômica e o alto custo de vida — levam a um baixo engajamento em manifestações em torno de projetos e candidaturas políticas.

— A baixa adesão se explica pelo fato que as pessoas, em geral, estão preocupadas com a inflação, desemprego e perda de renda. Nessas condições, pouca gente se dispõe a participar mesmo que seja para protestar — aponta Moisés.

Já o cientista político Antonio Lavareda analisa que a participação das pessoas em eventos de rua leva em conta uma espécie de cálculo de “custo benefício”. De acordo com ele, com a proximidade cada vez maior do pleito, a utilidade desses atos para o eleitor perde importância, já que ele poderá se expressar em breve através voto. 

— Manifestações de rua serão cada vez menos relevantes para as pessoas, pois já há uma data “marcada” para os conflitos entre as partes serem resolvidos. O teste de força se dará nas urnas — afirma Lavareda, citando como exemplo o processo eleitoral francês ocorrido neste ano: — Na França, à medida que foi se aproximando a eleição, as manifestações também foram diminuindo de volume.

Lavareda chama ainda atenção para causas distintas relacionadas a cada um dos grupos políticos que ajudaram a esvaziar as ruas. No caso de Lula, ele diz que o baixo engajamento mostrou a perda de força de mobilização das centrais sindicais, organizadoras do ato em prol do petista. O enfraquecimento destas entidades teria origem na reforma trabalhista que prejudicou o financiamento dos sindicatos.

Já no caso de Bolsonaro ele enxerga uma frustração de parte do eleitorado que nos atos de 7 de setembro de 2021 lotou as ruas com manifestações antidemocráticas e ataques a instituições, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

— Parte dos bolsonaristas tem a memória da frustração quando foram às ruas, bradaram em sintonia com o presidente, para depois em 48h tomarem conhecimento de uma carta copidescada pelo (Michel) Temer que desdizia tudo que ele havia afirmado e pelo que estavam brigando.

Ainda segundo o cientista político, a participação através de vídeo de Bolsonaro nos atos do 1° de maio mostra que ele segue dando aval para reivindicações golpistas do seu eleitorado.

— Bolsonaro mandou mensagens semelhantes a do 7 de setembro, mas agora com alguma contenção, ponderação. Ou seja, é mais do mesmo, só que em menor volume — conclui Antonio Lavareda.

 

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