2018: o ano em que poderemos 'despertar'

Astrólogo detalha: País terá oportunidade “única”, que se não for aproveitada, só se repetirá daqui a 29 anos

Eduardo Maia, astrólogoEduardo Maia, astrólogo - Foto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

Milenar, a Astrologia pode ser traduzida de uma forma simples: é a arte de estudar e observar os movimentos e ciclos das estrelas e planetas, ciência que já serviu de inspiração e guia para reis e soberanos de muitas épocas, seja em tempos de paz, seja de guerras. Adotada por todas as universidades medievais, na atualidade, continua auxiliando pessoas de perfis e profissões diversas a compreender, refletir e aprofundar-se em questões coletivas e pessoais.

Estudioso dos sinais celestes há décadas, o astrólogo Eduardo Maia se notabilizou por ajudar centenas de pessoas, além de dar assessoria a políticos e empresários que procuram conhecer mais a si mesmo, ao próximo e ao universo que os circunda. Em 2018, como tem feito nos dois últimos anos, ele volta a compartilhar essa sabedoria com os leitores da Folha de Pernambuco, dando orientações sobre as tendências celestes e as transformações que elas podem deflagrar na vida pública. Em especial, Eduardo nos ajuda a compreender como os astros vão se alinhar e interagir em relação ao Brasil.

Apesar da precisão das informações que os aspectos celestes proporcionam sobre os eventos privados e coletivos, Eduardo faz questão de enfatizar que não faz previsões, nem vê o futuro: “Astrologia não é astromancia (adivinhação)”. "O astrólogo não é mago, nem bruxo, nem guru. É um profissional estudioso e pesquisador que lida com uma ciência tradicional no cálculo e arte tradicional na interpretação, usando um saber com simbolismo milenar", diz o especialista, que é responsável pela Academia Castor & Pólux desde 1982, e que há 37 anos realiza um evento anual, o Stellium, sempre em 6 de janeiro, dia de Reis.

Urano em Touro
2018, ano em que o País passará não apenas por uma das mais importantes eleições da sua história, que será precedida por outro evento fundamental ao brasileiro, a Copa do Mundo na Rússia- , o Brasil terá grandes desafios e aprendizados, e uma boa chance de superar parte do que se tornou uma marca nacional: a fama de ser o gigante adormecido.

Um dos principais aspectos a serem considerados nesse período é o ingresso de Urano no signo de Touro, que começará a partir de 15 de maio. Essa passagem - que terá duração de sete anos - surtirá um efeito visível em vários setores, uma vez que Urano tenta abrir os caminhos do que Eduardo Maia chama de " utopias", trazendo mudanças nas áreas da desigualdade social; na falta de educação ambiental, nos meios de produção, na moeda e na questão do feminino. O último ciclo do Planeta foi entre os anos de 1934 e 1941.

Este movimento celeste potencializará o papel das mulheres na política nacional. Para exemplificar a força desse trânsito, o astrólogo ressalta o repúdio ao assédio sexual, que vem sendo deflagrado em vários continentes, inclusive no Brasil. E isso vai predominar nas eleições. "A lei das cotas para as mulheres vai ser para valer. Não haverá mais aquela história de se usar uma pessoa para preencher a exigência legal, só de fachada: teremos mais candidatas e mais mulheres eleitas", diz Eduardo.

A questão do eterno feminino - que pode ser entendido como uma conexão com a sensibilidade - também terá que ser adotada pelos homens. "Os candidatos (deputados) terão que demonstrar respeito à mulher. E nos seus discursos, a questão feminina tem que estar bem clara, na defesa dos direitos e das pautas”, diz Eduardo, que cita Goethe: “O eterno feminino nos levará para o alto”.

Brasil
O ingresso de Urano em Touro será sentido em todo o Planeta. Mas existem aspectos celestes que vão atingir diretamente o Mapa do Céu do Brasil - que tem como base não o Descobrimento, mas o dia 7 de setembro de 1822, o Dia da Independência. Nesse sentido, os aspectos já se iniciaram, e um deles, está em pleno vigor: a conjunção de Saturno - que é um planeta que busca a ordem, a disciplina - com Urano - um anticonformista - cujo auge foi no dia 18, mas que terá efeitos até a véspera do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima quarta, dia 24. "Saturno vai passar por cima de Urano e vai exigir o fim do desmando, da anarquia", aspecto severo, que poderá cobrar do petista a responsabilidade pelos seus atos passados e de todos os políticos, limites mais estabelecidos.

Ao mesmo tempo em que Saturno faz seus ajustes, Júpiter, que é um planeta expansivo, normalmente benéfico quando bem posicionado, estará conjunto com o meio do céu do Brasil a partir de 20 de janeiro até 3 de fevereiro , trazendo energias positivas para o ex-presidente. Com base nesses dados - Saturno cobrando e Júpiter "abençoando" - Eduardo crê que Lula terá um julgamento "equilibrado": a energia saturnina será amenizada pelo auspício do planeta que representa o majestoso rei do Olimpo. "Na balança pesarão os dois lados: o projeto expansivo para a Nação, que ele proporcionou no passado, enquanto que, na outra ponta, a cobrança pelo não cumprimento de determinadas cláusulas", diz.

Apesar dessa energia positiva, no final do ano, outros trânsitos indicam que 2018 poderá não ser tão benéfico para o petista. E isso se deve, novamente, não apenas à passagem de Urano por Touro, como a outras conjunções.

"Quando Urano ingressou em Touro, em 1934, tivemos um período de totalitarismo no mundo. Na Europa, o nazismo e o fascismo se impuseram. No Brasil, houve o Estado Novo, e em março de 1936, Luiz Carlos Prestes e Olga Benário foram presos, sendo ela deportada para os campos de concentração da Alemanha, onde iria morrer. Portanto, acredito que pode estar implícito nisso uma maior participação do ultraconservadorismo. Não é preciso, mas pela possibilidade de repetição do que já houve no passado, e pela leitura dos aspectos, Lula tambén poderá ter problemas com a Justiça no pós-eleições", pondera Eduardo.

Última chance
Ele ressalta, ainda, que Saturno e Urano voltarão a ficar conjuntos em outras datas: além do trânsito que está vigorando, voltarão a se encontrar em 3 de agosto e 9 de outubro, ou seja, em pleno período eleitoral oferecerão oportunidade para que o País corrija o estereótipo que adotou - o do anti-herói Macunaima - , e que deixe de se afundar em inércia, escândalos de corrupção e desperdício de dinheiro público, dia após dia.

"Por conta dessa influência saturnina, as eleições serão muito diferentes, haverá cobrança forte dos eleitores, para que muitos benefícios, como os diversos auxílios aos parlamentares (paletó, moradia, gasolina) sejam extintos. Especialmente em 3 de agosto e 27 de setembro (Netuno em oposição ao Sol do Brasil), quando a campanha estiver pegando fogo, a "ficha" vai cair, e os brasileiros vão perceber a necessidade de barrar a libertinagem política, no sentido do desperdício e das benesses", diz. As redes sociais - que têm influência de Urano, pois vêm dos satélites no "céu" - serão fundamentais na fiscalização das plataformas e programas". "Podemos ter uma oportunidade única nesse período, um salto de três décadas. Mas se não aproveitarmos, só daqui a 29 anos.

Candidatos tradicionais sofrerão resistência. Porém, os chamados "outsiders" vão estar com tudo no primeiro turno e podem chegar ao segundo turno das eleições. Nesse aspecto, é possível que os ultraconservadores ganhem muitos cargos. Inclusive os majoritários. Mas quem for para o segundo turno pode ser vítima de escândalos. "Vai ser um período mais tumultuado do que o normal", diz.

Com a Copa, a tensão política será menor, pois o evento esportivo desviará a atenção . Nesse período, entretanto, uma data merece destaque: em 20 de março a oposição de Netuno com o Sol do Brasil fará eclodir um grande escândalo de corrupção. "Esse trânsito tem abrangência 20 dias antes e depois e ocorre de 164 em 164 anos", diz.

Previsões certeiras
Apesar de Eduardo Maia ser categórico ao afirmar que a astrologia não é astromancia, nem que faz previsões, as projeções feitas chegam a espantar. Para se ter noção da precisão dessas leituras, basta lembrar a reportagem feita com o astrólogo em 2017. Na ocasião, na edição da Folha Mais dos dias 21 e 22 de janeiro, o profissional analisou o trânsito referente às ocultações de Netuno, movimento que, segundo ele, comprometeria a fé das pessoas mas, em compensação, faria vir à tona o que estava escondido, ativando revelações, decisões e descobertas.

As quatro ocultações citadas por Eduardo coincidiram com fatos e escândalos que chocaram o mundo e o Brasil. Eles se deram nas seguintes datas (em todas elas, a cobertura foi de três dias antes e três dias depois da data prevista). A primeira citada foi 20 de maio. Três dias antes dela, o Brasil viu estourar a delação da JBS, que, entre outras coisas, mostrava um aúdio onde o presidente da República, Michel Temer, dava aval ao empresário Joesley Batista para que ele comprasse o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (via Rocha Loures) preso - até hoje - em Curitiba pela Lava Jato. E, também, revelava a gravação com o senador Aécio Neves, que pediu dinheiro ao empresário Joesley.

No dia 24 de maio– ainda dentro do orbe – a filmagem que escandalizou a Nação: Rocha Loures saindo da pizzaria, com uma mala contendo R$ 500 mil, escancarou um sistema político viciado e fraudulento. Essa ocultação envergonhou o País e chocou outras nações. No mundo, no dia 22 de maio, também houve o ataque terrorista em Manchester, na Inglaterra.

Já em 16 de junho foram reveladas tensões. Nesse dia, o então ministro da Cultura, João Batista de Andrade, pediu demissão, alegando ser insustentável o tratamento dado à área.

A 15ª ocultação (terceira data citada) foi prevista para 13 de julho. Um dia antes, o juiz Sergio Moro pedia a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lhe condenou a nove anos e seis meses. A quarta e última data foi 9 de agosto, semana em que a Câmara rejeitou o envio da denúncia da PGR contra o presidente Temer ao Supremo Tribunal Federal.

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