Política

Aceno a governadores e também à oposição

O recado deu-se para justificar a retirada, do projeto, das contrapartidas que limitavam gastos com servidores estaduais.

Plenário da AlepePlenário da Alepe - Foto: Luiza Alencar

 

Presidente da Câmara Federal, o deputado Rodrigo Maia enfrenta o obstáculo jurídico para disputar a reeleição para presidência da Casa, mas acredita ser este um ponto superado. Restando a questão política a resolver, o dirigente precisa ir atrás de votos e procurou fazer um aceno aos parlamentares que não estão na base do governo. Escolheu o momento da votação da renegociação das dívidas dos estados para fazê-lo. Ainda que venha agindo alinhado com o governo Michel Temer, Maia cuidou de dizer, durante a sessão, que não é preciso a Casa "dizer amém" ao Ministério da Fazenda. "Se o presidente disser que não é o melhor para o Brasil, tem direito ao veto", advertiu, endurecendo o tom e jogando o ônus de desagradar os governadores no colo do presidente da República. Ganhou uns pontinhos com os chefes dos executivos estaduais e, consequententemente, com suas respectivas bancadas. O processo de construção da reeleição de Maia esbarrou no vazamento do nome de Antônio Imbassahy, líder do PSDB, para assumir a secretaria de Governo. O episódio foi entendido como uma forma de o Planalto abrir caminho para Maia, o que irritou lideranças do "centrão". Agora, ciente e já tendo verbalizado que precisa é de votos para se eleger, o dirigente sinaliza, até mesmo à oposição, que não está ali para deixar o Planalto tratorar tudo. Maia anda, inclusive, circulando entre governadores. Chegou a jantar, recentemente, com Paulo Câmara no Palácio das Princesas. E o socialista é um dos gestores que não viu com bons olhos a forma como o Governo Federal conduziu a renegociação das dívidas, a qual deixou governadores que cumpriram o dever de casa em condição de desvantagem. Falta pouco para a eleição, que ocorre em fevereiro.

O recado deu-se para justificar a retirada, do projeto, das contrapartidas que limitavam gastos com servidores estaduais.

Vai ou não vai
Em entrevista recente, o governador Paulo Câmara, indagado se é candidato à reeleição, recorreu ao mantra que diz: 2018 só em 2018. Estando no cargo, a novidade será mesmo se o socialista não for concorrer. Ao deixar no ar, o socialista causou estranhamento em aliados.

Nunca vi > "Acho que é a primeira vez que vejo um governador no cargo dizer que não é candidato", pondera um governista, em reserva.
Não chama... > Ainda que o presidente Michel Temer tenha desembarcado em Caruaru para seguir rumo a Surubim, o prefeito José Queiroz não foi convidado a participar do evento do presidente. Mas a Presidência da República cuidou de fazer pedidos à Prefeitura comandada pelo pedetista.

...mas pede >
Foram solicitadas duas ambulâncias para acompanhar o trajeto até Surubim e uma para o aeroporto. Indagado se enxergou o episódio como uma deselegância de Temer, Queiroz minimiza, mas pondera: "Achei estranho".

Questão de tempo >
Aprovado por unanimidade em todas as comissões e no plenário, está só aguardando a sansão de Paulo Câmara, o projeto 2083, de autoria do deputado Ricardo Costa, que institui o mérito “Político Governador Eduardo campos”, nas categorias da Medalha Leão do Norte.
Ranking > Ricardo Costa conquistou o primeiro lugar (2015/2016) em apresentações de Projetos de Lei (80) e Emendas (56), além de Leis sancionadas (25).

Desafeto 1 > Foi por unanimidade que a vereadora Marília Arraes foi indicada, pelos vereadores eleitos que integrarão a bancada de oposição, para encabeçar a disputa pela presidência da Mesa Diretora da Casa de José Mariano.

Desafeto 2 > Sexta mais votada na capital e campeã de votos do PT nas regiões Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Norte, Marília é, hoje, uma das principais vozes contrárias às gestões do PSB na PCR e no Governo do Estado.

 

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