Ala pró-PSB mira em pacto para 2020

No encontro com Lula, nesta terça-feira, petistas favoráveis à aliança com socialistas dizem que pleito presidencial pode ser fator para reverter apoio a Marília

A manifestação pública do ex-presidente Lula em favor da candidatura própria à Prefeitura do Recife com a deputada Marília Arraes não desmobilizou a ala petista contrária à saída da Frente Popular de Pernambuco e o consequente apoio ao PSB. Um dos argumentos que deve ser colocado pelo grupo na reunião de nesta terça-feira à tarde, em São Paulo, que vai debater o cenário da capital pernambucana, foge do futuro imediato e mira além: no possível comprometimento de alianças visando o pleito presidencial de 2022.

Já em São Paulo para o encontro, o presidente da legenda em Pernambuco, deputado estadual Doriel Barros, disse acreditar que a disputa nacional é uma questão que será observada pelo próprio Lula, antes de sacramentar o desfecho do PT no Recife. “Acredito que o presidente Lula não tem ‘prego batido e ponta virada’, não tem sua decisão, tem apenas manifestado o desejo, mas é claro que tem outras questões que deverão ser consideradas e observadas por ele próprio, que tem o nome colocado para o cenário de 2022”, avalia Doriel. O deputado sinaliza também preocupação em não “romper o arco de alianças” que vigora em Pernambuco entre os partidos de esquerda, já visando 2022. “É claro que o PT, apesar de ter uma força importante em Pernambuco, sabemos que nós sozinhos não conseguiremos enfrentar Bolsonaro, temos que andar com os partidos de esquerda”, frisa. Para ele, o fato de Lula receber lideranças locais mostra que ele vai considerar “a repercussão que será feita” por elas. “Em Pernambuco temos uma relação de aliança com o PSB, isso será colocado para avaliar se uma candidatura no Recife significa o rompimento com o PSB, ou se não vamos com a candidatura e manteremos um processo de aliança”. Por meio da assessoria, a deputada federal Marília Arraes afirmou que só se manifestará após a reunião desta terça.

Humberto Costa, por sua vez afirmou ainda que “não vai sair nenhuma decisão definitiva” na reunião desta terça. “Certamente o presidente Lula vai manifestar a sua posição, que também não é nova, ele já vem defendendo essa ideia de que o PT lance candidatos onde for possível, especialmente nos municípios maiores”, disse, em entrevista à Rádio Jornal. O senador enfatizou que a opinião do ex-presidente da República “será levada em consideração”, mas ponderou que “a discussão está apenas começando”.

Apesar de citar uma parte do “PSB nacional que é franca e claramente anti-PT”, ele acredita que o posicionamento “mais à esquerda” do PSB de Pernambuco, “que tem a hegemonia nacional” viabiliza uma nova aliança para 2022, desde que o PT não escolha pela candidatura própria no Recife. “Para o PSB, que Pernambuco é extremamente importante, que o Recife é muito importante, o PT não faz um gesto, como o PT vai querer esperar gesto do PSB em 2022 e em outros momentos também? Acho que é uma decisão que o partido tem que avaliar. Agora, se o partido decidir, estarei participando, defendendo a posição que o partido tomar”, afirmou.

Os próprios socialistas, entretanto, têm sido bastante comedidos ao comentar o que foi dito por Lula. Em entrevista à coluna Folha Política, da jornalista Renata Bezerra de Melo, o deputado federal João Campos, possível nome do PSB para a disputa, amenizou a declaração do líder petista. "Não será nenhuma novidade se o PT optar por uma candidatura própria a prefeito do Recife. Tem sido assim em todas as eleições municipais desde a redemocratização, inclusive em 2012 e 2016", pontuou. Já o prefeito Geraldo Julio foi sucinto, disse enxergar com “absoluta naturalidade” o que foi dito por Lula. A declaração foi dada durante a entrega de luminárias LED na comunidade do Alto do Pascoal, na zona norte da cidade.

Encontro

Em meio à indefinição da aliança com o PT, Geraldo Julio se reuniu na tarde de segunda-feira com o vice-presidente estadual do Solidariedade, deputado Federal Augusto Coutinho e com o vereador, da mesma sigla, Rodrigo Coutinho. De acordo com Geraldo, o encontro foi para “conversar sobre a cidade”. 

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