Alckmin diz que irá priorizar Previdência

Sem apoio suficiente na base aliada, o presidente Michel Temer desistiu de votar as mudanças nas aposentadorias

Geraldo Alckmin Geraldo Alckmin  - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Em uma agenda típica de candidato, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, fez nesta terça-feira (20) promessa eleitoral, dançou forró e ouviu grito de protesto. Em passagem por Brasília, o pré-candidato do PSDB à sucessão presidencial garantiu que, caso seja eleito em outubro, enviará no primeiro ano de mandato uma nova proposta de reforma previdenciária.

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Sem apoio suficiente na base aliada, o presidente Michel Temer desistiu de votar as mudanças nas aposentadorias, que devem ficar apenas para o próximo presidente.
Em conversas reservadas, Temer acusa Alckmin de não ter se empenhado suficientemente junto à bancada tucana para votar a iniciativa. Para ele, o tucano evitou se envolver na defesa da proposta com receio de sua impopularidade.

A promessa de Alckmin foi feita após a executiva nacional da sigla ter oficializado seu nome como pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto. "Eu tenho convicção de que a reforma tem de ser feita no primeiro ano de mandato. No regime presidencialista, quem for eleito terá mais de 60 milhões de votos. A legitimidade é muito grande", prometeu.

O tucano criticou a diferença dos valores pagos a trabalhadores do regime privado e do regime público, mas não respondeu se irá defender projeto semelhante ao apresentado pelo presidente.

A equiparação das aposentadorias nos setores público e privado é um dos pilares da reforma em discussão na Câmara dos Deputados. "Não podemos achar que é correto ter um trabalhador com um teto de R$ 5 mil, média de R$ 1.191 para viver, e o setor público com salários altíssimo pagos pelos de menor renda", disse.

Em entrevista à imprensa na sede do partido, o governador fez uma crítica à política econômica de Temer. Segundo ele, não é natural que o déficit primário do país tenha chegado a R$ 120 bilhões em 2017. "Isso é uma questão não resolvida e que precisa ser resolvida rapidamente", cobrou o tucano.

Carteira vazia
Antes de comparecer à reunião do partido, Alckmin visitou o Fórum Mundial da Água, evento promovido na capital federal. No local, propôs pagar um cafezinho para aliados e assessores. Chegou a abrir a carteira, mas ficou livre de pagar a conta ao descobrir que precisava de um cartão específico para o consumo no evento -assessores se encarregaram disso.

Sem cumprir a promessa, visitou estande do Ministério da Integração, que é dedicado à transposição do rio São Francisco, que atravessa a Região Nordeste, na qual o tucano tem enfrentado dificuldade de conseguir apoio eleitoral.

No momento de sua chegada, um forró começou a tocar. Puxado ao meio da dança pelo ministro Helder Barbalho, que já dançava com atores, Alckmin não hesitou e se juntou ao grupo. Sem muita familiaridade com o ritmo, ensaiou passos de dança.
No local, tirou fotos, ganhou abraço de um participante que o chamou de "presidente" e ouviu gritos de "Fora Alckmin".

Além de prometer a reforma previdenciária, o governador afirmou que estuda alteração no rendimento do FGTS. Segundo ele, a ideia é que os recursos passem a ser corrigidos pela inflação somada à TLP (Taxa de Longo Prazo).

Hoje, a valorização do FGTS é baseada na TR (Taxa Referencial). "Nós defendemos que ela não fique mais dessa forma e que sempre o rendimento seja acima da inflação somado ao ganho do período", disse. O tucano disse ainda não esperar o apoio de Temer à sua candidatura."Se o MDB disse que pretende ter candidato, só se pode fazer coligação com quem não tem candidato", afirmou.

Nesta terça-feira (20), o presidente reconheceu pela primeira vez a possibilidade de disputar a reeleição. Para Alckmin, é "legítimo" que ele tente um novo mandato.
"O MDB é um partido grande e importante e ter um candidato é legitimo", disse.
Alckmin afirmou ainda não ver problema em fazer campanha simultaneamente para os pré-candidatos João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB) ao governo de São Paulo. Ele elogiou o atual vice-governador e disse que sua pré-candidatura é "importante".

Para o tucano, seria uma honra ter o apoio do PSB ao seu nome na disputa presidencial."Nós teremos vários candidatos em São Paulo. Eu ficarei muito honrado com o apoio do Márcio França, uma candidatura importante. E a candidatura do meu partido é a do João Doria", disse.

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